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Opinião

Mulheres de pé

Nas últimas duas décadas a chamada Stand Up Comedy ganhou muita força no panorama cultural português, passando de noite temática em pequenos bares, para competir taco a taco com a música ou o teatro na programação de salas por todo o país. Hoje, proliferaram digressões de humoristas, com grandes salas esgotadas, já não apenas de uma ou duas figuras mais mainstream (como no passado), mas de um grande número de artistas de várias gerações, com estilos e públicos diferentes.

Opinião

"Viver é melhor que sonhar"

Senhoras e senhores, há que interromper o espetáculo da aparente normalidade, para ouvir Keyla Brasil e a comunidade trans. São só três minutos que nos pedem. Não pode custar assim tanto. Que há a temer? Sair do ramerrame? Ser acordado à força? Que as coisas nunca voltem a ser como dantes? Percebo que seja chato que nos desarrumem assim uma quinta-feira de janeiro, mas podemos pelo menos fingir que nos importamos com a sobrevivência de outros seres humanos e que ainda nos resta uma centelha de empatia? Se fosse um alarme de incêndio, ou uma ameaça de bomba, seria menos incómoda a interrupção? Afinal esta também é uma emergência. Também estamos perante uma questão de sobrevivência. Também estamos perante a nossa própria sobrevivência enquanto comunidade (no sentido mais vasto).

Opinião

A turba

O processo de degradação de uma democracia envolve muitos e complexos fatores, várias etapas, dinâmicas que se vão instalando e uma progressiva acomodação das novas normalidades, para que, como hábito, se instale um novo paradigma. A história da última década no Brasil é exemplo disso e, até por cá, houve quem engrossasse o coro de legitimação do impeachment de Dilma (rejeitando a palavra "golpe"), de normalização do candidato e depois presidente Bolsonaro, como um "mal menor", em contraponto a Lula e ao PT (devidamente demonizados), e até quem adotasse o seu jargão, importando expressões como "ideologia de género" ou "marxismo cultural".

Opinião

Rosalía

No Instagram, mil fotografias e vídeos do concerto da Rosalía em Lisboa. Relatos entusiasmados, boas críticas e ecos de uma ótima noite. Nada mais distante da minha experiência, dois dias antes, em Braga. Fiquei na dúvida. Terá sido mesmo assim e bastou mudar de sala para melhorar muito a qualidade do espetáculo? Terei sido só eu a desgostar e há uma espécie de desencontro entre este tipo de concerto e as minhas expectativas? Ou é simplesmente a ilusão de perfeição que se projeta nas redes sociais e estas pessoas sentiram o mesmo que eu?