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#emgrande

Somos ou não somos um país em grande? Não falo dos senhores que enfrentaram ventos e marés, tormentas inestimáveis para subir ao olimpo dos Descobrimentos. Falo deste século XXI de pompa e circunstância. Que o diga o Euro 2004, estádios pagos pelas autarquias - todos nós - anos a fio e às moscas, veja-se Aveiro, Leiria e Faro. Olhe-se agora para um evento que mais uma vez se foca em Lisboa centro do mundo que pode custar os olhos da cara e todos sabiam e ninguém sabia. A Igreja sempre foi pomposa, mas o magro Estado não pode compactuar com talha dourada. Não há deuses que nos valham para acudir a semelhante ultraje. Haja resiliência para ouvir palavras que pouco explicam. Um altar ultramilionário não deixa um crente mais perto de Deus, deixa o erário público mais longe de amar e servir a todos por igual.

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#pedestais

Os partidos reclamam muito da fraca vontade dos jovens para se juntarem ao mundo da intervenção pública e de debate social, sem olharem para o próprio umbigo. Os dedos só ficam apontados ao estilo gatilho para o lado de fora, mas os casulos de formalidades obsoletas que protegem estas forças são uma barreira altamente condicional a essa mobilização. Não apaixonam porque não são reais, são gravatas suspensas em palavras rodeadas de tanta burocracia quanto a linguagem da fiscalidade. Ora, é tudo isso que afasta as pessoas reais dos políticos, pelo menos, dos que não se apresentam "humanos" como Jacinda Ardern, primeira-ministra demissionária da Nova Zelândia. A política tem de ser real, de vestir-se de carne e osso, como fez esta política, que usou a normalidade como arma. Nestes tempos, não há lugares a pedestais, nem senhores.

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#pomada

No Secundário, havia um jogo que era responder a questionários. Entre as perguntas sobre o primeiro beijo, o primeiro namorado, etc. surgiam outras sobre o futuro, quantos filhos, qual profissão, etc. Não deixa de ser bizarro que a M. se tenha lembrado disso quando o Governo anunciou o inquérito de idoneidade para novas contratações. Um preâmbulo de honradez, feito em dias, que me parece sabotar pouco as estratégias dos mal-intencionados que querem governar para encher os bolsos. Mas esse crivo já não estava na lei? Vão aplicá-lo nos diferentes níveis de poder político? É que a corrupção é uma competência descentralizada neste país. Mais difícil de expurgar que o demónio do corpo. Tudo o que ajude à transparência é de saudar, mas não me atirem areia para os olhos, o questionário não resolve o problema, só lhe deita pomada.

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#chiclete

O Canadá vai impedir investidores estrangeiros de comprar casa e a medida pode servir de inspiração do lado de cá do Atlântico. A lei quer controlar os preços desenfreados que colocam o país entre os piores na diferença salários-preço da habitação. Um ranking onde o lugar de Portugal é ainda pior, ou seja, as famílias ganham mesmo pouco face aos milhares de euros que lhes são exigidos para ter um teto. Controlar a onda especulativa que esmaga quem quer comprar casa é um imperativo, mas não sei se o mais recente criado ministério da Habitação vai começar por aí. O mercado louco, louco mesmo, do imobiliário é uma bolha de chiclete sempre a crescer, até ao dia. Se aos preços do metro quadrado juntarmos as maravilhosas taxas Euribor em ascenção, restam às famílias poucas hipóteses de cumprir o sonho de ter um cantinho digno seu.

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#olheiros

Se o Governo fosse um clube de futebol, a esta hora estava com uma Assembleia Geral Extraordinária marcada, o presidente sob vaias contínuas, dias a fio, etc., etc. 11 demissões em nove meses (não sei se isto vai ficar desatualizado depois de impresso), além de um recorde, é uma desgraça em termos de captação de talentos. Alguém está a falhar, e temo que sejam os olheiros, que não estão a ver a bola com olhos de ver. A instabilidade criada pelo próprio Executivo numa altura em que o Novo Ano se apresenta de um campeonato exigente só pode ser considerada um falhanço: os craques não se têm aguentado, e António Costa só não cai porque tem a maioria absoluta e Marcelo não tem a certeza da existência de uma alternativa estável e indiscutível à Direita, com talentos inquestionáveis. São precisos reforços de inverno, sem rabos presos.

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#malditos

A imagem de um grupo de mulheres a chorar à porta da Universidade de Cabul tem de nos sensibilizar, mais, de nos mobilizar. Os talibãs, terroristas homens da pedra, impediram as mulheres de estudar no ensino superior. Querem matá-las de todas as formas, também ao nível do conhecimento. Não basta o G7 dizer que este é "um crime contra a Humanidade", tem de retaliar, de ajudar estas mulheres a lutar contra o regime que as coloca abaixo do chão. Homens armados a patrulhar um campus e a impedir mulheres e meninas de estudar deviam ser presos. Os talibãs não enganaram ninguém. Nem quando juraram proteger os direitos das mulheres, nem quando bateram no peito a prometer menos extremismo. Matam uma luta de décadas com isto. A essência de malditos não pode ser reabilitada. Malditos sejam.

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#sintomas

Durante o jantar, sempre que levantávamos o copo, "Saúde", a A. dizia "mental". Mesmo que entre nós esse seja um tema delicado, até que o momento deu vontade de rir. Esse extra nos brindes é na essência um pedido ao Pai Natal, para uma sociedade mais sã da cabeça, mais leve e livre, porque sem uma mente sã, a alma fica cativa, perdida. Os psicólogos dizem que a procura de ajuda por parte de alunos triplicou desde a pandemia e o ministro da Saúde até garante que a saúde mental será prioritária no Plano de Recuperação e Resiliência mas, num SNS com tantos sintomas de doença, falta saber se vão ser contratados mais psicólogos para os centros de saúde, onde fazem tanta falta, sem listas de espera que desesperam e agravam os sintomas. A cura até pode vir com mais palavras do que medicação mas, sem ações concretas, as conversas não acontecem.