Imagens

Últimas

Opinião

#àrasca

Há um conjunto de portugueses, ainda jovens em 2011, que sentiram um arrepio na espinha quando ouviram uma música inédita dos Deolinda filmada pelo público no Coliseu do Porto. "Parva que sou" foi considerada a música de uma geração que levou nas trombas - perdoem-me a expressão - com a grande crise deste século e que saiu à rua na, agora famosa, manifestação de 12 de março da "Geração à Rasca". No vídeo, que há uns dias me apareceu do nada no YouTube, é possível sentir o bruá do público a crescer à medida que percebe a letra que Ana Bacalhau canta: "Que mundo tão parvo/Onde para ser escravo/É preciso estudar". A música terá sido o gatilho para a mobilização. 12 anos depois, pergunto em tom de desafio: onde está o músico que será a voz dos que agora se encontram na mesma crise? Qual vai ser o 12 de março desta geração?

Opinião

Nunca a inteligência artificial nos assustou tanto

A distopia é um dos temas favoritos da ficção literária e cinematográfica e, com o passar dos tempos, algumas daquelas sociedades imaginadas tornaram-se realidade, se não totalmente, pelo menos enquanto fragmento. Todos os dias vamos dando passos em direção a um futuro incerto que chocaria os nossos antepassados. Há uns anos, ficamos fascinados com as possibilidades de comunicação e partilha de informação que a Internet nos abriu, entramos em sobressalto quando percebemos que podíamos conversar com o telemóvel para lhe pedir tarefas e ficamos preocupados quando passamos a ter a sensação de que os eletrodomésticos ligados à rede nos estavam a ouvir.

Opinião

#prof

Ser professor do ensino público deve ser das profissões mais difíceis e nobres em Portugal. Pegar num conjunto muito heterogéneo de crianças e conseguir dar-lhes conhecimento, mas também uma base mínima de cidadania. Mas deve ser difícil encontrar profissão tão maltratada pelo Estado. A minha mãe é professora há muitos anos e já tem a vida estabilizada, mas durante muito tempo bem me recordo do sofrimento que era ir até ao Sindicato dos Professores do Norte esperar que afixassem as malditas folhas que ditavam o destino do ano letivo seguinte, caso houvesse colocação: os 100 km diários até Baião, quando ainda não havia autoestrada, ou aquele ano a conduzir até Guimarães. Aparentemente, pouco mudou desde esses anos. Não sei se a greve atual é legal ou eficaz, mas a classe tem mais do que motivos para estar zangada.

Opinião

#irra

Ainda se lembram do pueril "vai ficar tudo bem" e da ideia cor de rosa de que a humanidade ia sair melhor depois dos confinamentos e da covid-19? Todos os dias percebemos o quão ingénua era essa ideia. Ora vamos lá ao primeiro balanço de novo ano: sem apoios sociais, mais de quatro milhões de pessoas em Portugal viveriam na pobreza, mesmo trabalhando a tempo inteiro; no Brasil, milhares de pessoas invadiram os edifícios dos órgãos de soberania reclamando para si a legitimidade ou não de aceitar um Governo eleito (pequeno aparte: não foram os negros favelados ou os proscritos da sociedade que se revoltaram); descobri que no Reino Unido as empresas de energia obrigam as famílias mais pobres a ter contadores de eletricidade pré-pagos, que se apagam quando chega ao limite do crédito. Irra, que estou farto da Humanidade.

Opinião

#lusco-fusco

Quando um dia o Governo de Costa falecer (parece que já faltou mais), vai ficar na história não pelas obras ou ideias de futuro para o país, porque claramente não tem. Mas então, pergunta o caro leitor, vai ser pelo carisma dos seus líderes? Ou pelo brilhantismo de uma reforma estrutural? Obviamente que não. Tal como um dia os Gato Fedorento lançaram a ideia das festas do lusco-fusco, "cinco, sete minutos de grande diversão muito intensa", este executivo será lembrado pelas demissões noturnas, com jornais já nas gráficas e televisões de informação em serviços mínimos. Um comunicado discreto que promete horas de diversão, mas só no dia seguinte, porque à noite pouco mais dá para fazer do que aceitar mais uma confusão governamental e pensar: por que raio se lembram disto a esta hora?

Opinião

#confiançudo

O défice baixo, o crescimento previsto em alta, tudo corre bem. Parece o cenário idílico de um país em franco desenvolvimento, mas infelizmente é Portugal, em que o primeiro-ministro sorri confiançudo, enquanto a população sofre para comer, pagar as contas e aquecer a casa. Faz lembrar a célebre frase de Luís Montenegro ao JN, em 2014, quando disse que "a vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor". Toda esta energia positiva não parece bater certo com um país em que é necessário dar 240 euros às famílias mais necessitadas. É cerca de um milhão de famílias abrangidas. Mas parece que o plano se fica por aqui. Ninguém tenta resolver os famosos problemas estruturais da pobreza ou compensar a perda de poder de compra, com uma inflação galopante que, mesmo que deixe de galopar, não vai certamente fazer um trote em marcha à ré. Feliz Natal.

Opinião

#jáNatal?

Ando assoberbado de trabalho e até me esqueci de fazer o habitual lamento ali por volta do final de setembro/início de outubro, sobre o facto de as lojas já terem decorações de Natal. Mas como o Natal é quando um homem quiser, os protestos sobre já existirem decorações de Natal em setembro também devem poder ser. Assim sendo: raios partam esta mania de começar a assinalar o Natal quando ainda estamos a limpar areia dos calções de banho e a sonhar com os últimos jantares a ver o por do sol junto à praia. Que venha lá a quadra, vá lá o subsídio de Natal e se passe rapidamente a janeiro, para voltar a contar os dias para ouvir o Jingle Bell Rock enquanto ainda me recomponho do regresso às aulas do miúdo. E já agora, quero pedir ao Pai Natal que me deixe em paz. Preciso de dormir e as bolachas vão ficar para mim.

Opinião

#olex

"Um preto de cabeleira loira ou um branco de carapinha não é natural. O que é natural e fica bem é cada um usar o cabelo com que nasceu." Esta frase desagradável e talvez pouco adequada aos nossos tempos (alguma vez terá sido?) foi usada outrora para anunciar o restaurador capilar Olex, mas serviu-me de inspiração para enviar uma mensagem ao caríssimo professor presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que parece sofrer de logorreia. "Um chefe de Estado comentador de futebol em flash interviews ou um analista desportivo em Belém não é natural. O que é natural e fica bem é cada um saber qual o seu lugar e os políticos terem algum recato". Para não haver dúvida, sugiro aplicações regulares de restaurador de noção todas as manhãs até ao final do Mundial, para garantir que não sinto vergonha alheia de cada vez que cada jogo da seleção acaba.

Opinião

#champô

Vivemos ligados à tomada e a pedinchar energia. "Alguém tem um carregador de iPhone?", "por acaso não me arranjas um cabo daqueles pequeninos, que dê no meu telemóvel?" ou "não há aí uma tomadinha livre? É que estou quase sem bateria". Todas frases a que nos habituamos num dia a dia em que tudo é eletrónica: telemóvel, tablet, computador, livro, cigarro e agora até as bolas de futebol. Com a polémica do cabelo goleador de Cristiano Ronaldo, ficamos a conhecer melhor as usadas no mundial, que nada ficam a dever a qualquer outro gadget do nosso dia a dia. Foi a bola eletrónica que deu a saber ao mundo que, mesmo com o champô Linic Men Legend CR7, o capitão da seleção não foi mesmo o autor do golo frente ao Uruguai. Tendo em conta a birra do menino, recomendo que passe a usar champô da Patrulha Pata, que se publicita como anti-lágrimas.