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#forçaSérgio

Espanta-me a comoção que por aí anda com o salário do novo assessor do Ministério das Finanças, Sérgio Figueiredo, que vai receber 5800 euros (mais IVA) para analisar políticas públicas do Governo (realmente, com tanta gente capaz no Estado, era preciso mais uma pessoa para saber se o que andam a fazer vale mesmo a pena). Tendo em conta que Figueiredo teve cargos de administração na EDP Produção e na Fundação EDP, ainda antes de seguir para a TVI, é natural que tenha tido bons ordenados. Só na fundação, em 2009, auferiu 152 mil euros, conforme escrito no relatório e contas. Posso presumir que os restantes salários não tenham sido diferentes. Assim percebe-se que a opinião pública está inquinada neste caso. Ao ver um homem já a caminho dos 60 anos sem que lhe fosse conhecida profissão, Medina, a quem Figueiredo tinha pagado para comentar na TVI, propôs-lhe uma assessoria para passar o tempo e ganhar uns trocos a recibos verdes, até conseguir algo mais estável. Fica esclarecido o ajuste direto, por ser um caso de solidariedade. Mais uma vez, a matriz social do PS a sobressair. Mais um possível desempregado de longa duração a conseguir dar a volta e a regressar à população ativa e empregada.

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Um minuto para a meia-noite

António Guterres está longe de ser um líder político que desperta paixões. Calmo e sereno, está sempre à procura da conciliação, de ouvir mais do que de decidir. Há quem diga que até demais. Mas esta semana foi duro e conciso na análise que fez ao momento que a Humanidade vive. Estamos a "um erro de cálculo da aniquilação nuclear", afirmou, lembrando que temos tido uma "sorte extraordinária até agora", mas que a "a sorte não é estratégia nem escudo para impedir que as tensões geopolíticas degenerem em conflito nuclear".

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#disparate

Quando ler estas linhas, estarei a terminar uma semana de repouso algures no cimo de um monte perto de Ponte de Lima. Última casa de uma aldeia onde só vi uma pessoa (uma única vez), cavalos selvagens a alguns metros e vacas a pastar em redor do muro. Um local perfeito para desligar do stresse do dia-a-dia, dos computadores, máquinas, trânsito e poluição. A um quilómetro, um pequeno charco com sapos e uma vista de cortar a respiração. Supermercado ou café mais próximo serão a cerca de oito quilómetros. Longe de tudo. Felizmente, trouxe o computador para escrever este texto, o sinal de wi-fi é bom para ver um filme e o 4G funciona às mil maravilhas para estar a partilhar imagens a fazer inveja aos colegas e mandar algumas piadas nos grupos de WhatsApp que frequento. Uma ode ao disparate.

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#Dmytro

Muda o nome e mudam os pormenores, mas a tragédia repete-se. Se na última semana vos falei de Liza, de quatro anos, que morreu vítima de um ataque russo na Ucrânia, hoje falo-vos das fotografias da morte de Dmytro, uma criança que, aos 13 anos, viu a vida terminada à bomba, em Kharkiv. O momento ficou eternizado através das objetivas de vários fotojornalistas, em imagens cruas, difíceis de ver, com o pai a segurar-lhe a mão durante duas horas, de olhar vazio. Questionei-me sobre a pertinência de divulgar imagens tão gráficas. Conversamos na redação sobre o tema. E decidimos publicar, sem suavizar a imagem, porque a guerra não é suave. A guerra é isto. E este é só um exemplo de todas as atrocidades que estão acontecer a quatro mil quilómetros do nosso país, mas cada vez mais distantes do nosso olhar.

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#acabouaguerra

E de fininho, acabou a guerra. Isto é... A guerra está lá, pessoas continuam a morrer, as atrocidades a acontecer, a Rússia continua a bombardear civis. Só que já não faz manchetes nem tem o mesmo destaque. Começou a fase do esquecimento e de o mundo deixar de se incomodar com um conflito sangrento na Europa. Desta feita, o horror chegou de Vinnystya, uma cidade de que quase ninguém ouviu falar, mas que foi atingida com três mísseis. Ao mesmo tempo, em Haia, começava uma conferência sobre crimes de guerra cometidos na Ucrânia. Um hábito de Putin: mostrar músculo quando alguém o coloca em causa. Não nos esqueçamos de quem está a sofrer e não nos queixemos tanto de coisas tão pequenas quando comparadas com a vida de Liza, de quatro anos, cuja última imagem a mostra morta no chão atingida por este ataque.

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#boris

O dia 7 de julho de 2022 vai ficar na história como mais um marco no declínio político do mundo. Boris Johnson começou a fazer as malas para deixar Downing Street. Depois de Trump ter saído da Casa Branca em janeiro do ano passado, falta apenas Bolsonaro para se completar a queda de uma lista de governantes que tanto tinham em comum e que tanto tinham para dar ao Mundo. Principalmente a nível do cabelo. Se, dos três, Bolsonaro se distinguia por ser o único com um estilo aparentemente natural, com a testa funda do lado direito, Boris e Donald partilhavam uma cor invejável. Não esquecendo que, ainda que unidos pelo louro (natural e sintético, dependendo do lado do Atlântico), o britânico optava pelo estilo desgrenhado e o norte-americano pela régua e esquadro. Os sucessores têm largas cabeleiras para preencher.

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#silly

Tempos houve em que a chamada "silly season" estava bem marcada na vida pública nacional. Começava a 1 de agosto e terminava no último dia do mês, talvez até com uma festa ao pôr-do-sol "bye bye summer", porque em inglês é que a gente se entende. Nos últimos anos, as coisas foram mudando e há momentos que me fazem olhar duas vezes para o calendário, para ter a certeza de que não acordei num universo paralelo em que 1 de janeiro é 1 de agosto e o verão dura o ano inteiro (alterações climáticas a fazer das suas). Quinta-feira foi um desses dias. Para além de olhar para o calendário, tive de ler várias vezes o comunicado do gabinete do primeiro-ministro sobre o despacho de Pedro Nunos Santos. Um despedimento em praça pública. Mais surreal foram as cambalhotas que fizeram com que o dia terminasse com um "tudo como dantes, quartel-general em Abrantes".

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#bombeiros

Ter de contactar com bombeiros em situações de emergência não é, à partida, algo agradável, como é natural. Já por algumas vezes tive de recorrer a estes homens e mulheres, a que ia chamar de profissionais, mas que infelizmente são, na sua maioria, voluntários mal pagos. E apesar de as circunstâncias nunca terem sido agradáveis, tenho tido experiências que só não foram piores porque as equipas que responderam à chamada o impediram, com uma postura de louvar. Simpatia, profissionalismo e extrema paciência com pacientes teimosos e com pouca vontade de colaborar. E nem mesmo naqueles momentos em que sei que já não teria paciência, mais um sorriso e um pequena piada ajudaram sempre a tornar a situação complicada num momento que rapidamente passou. Aos bombeiros deixo um agradecimento e o desejo de nos cruzarmos poucas vezes.

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#troti

Como contei na semana passada, o meu meio de transporte para ir trabalhar diariamente é uma trotineta. Sempre que revelo a alguém a decisão que tomei em novembro, sou recebido com um olhar de espanto e um ligeiro sorriso trocista. Há um preconceito na nossa sociedade, que ainda vê o carro como um sinal de status. Como se costuma dizer, "é para o lado que durmo melhor". Ganhei qualidade de vida, poupei em tempo de deslocação e poupei em custos de combustível. Só vantagens. Mas quem é olhado de lado sou eu e não quem desperdiça tempo e dinheiro com a deslocação diária de automóvel. O problema é que, por vezes, até eu fico constrangido. Ainda há dias, a trotineta avariou a meio do caminho. Lá tive de entrar no metro com ela. Provavelmente, ninguém quis saber da minha existência, mas posso jurar que senti aquele olhar crítico: "um homem adulto a fingir que ainda é jovem".