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Acordo Ortográfico entalado na política

Acordo Ortográfico entalado na política

O Brasil limita Portugal através de direitos aduaneiros altíssimos, Angola e Portugal voltam as costas, Moçambique regressa à pré-guerra civil e a Guiné mantém-se politicamente caótica. Sobra uma relação estável com Cabo Verde, São Tomé e Príncipe ou Timor. Suficiente? A implacável política real abate-se sobre o Portugal decadente, ex-império global. Assim sendo, a quem aproveita o Acordo Otográfico, pensado para reforçar a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)?

O Barómetro JN (hoje dedicado também à Cultura e política autárquica) divide-se entre manter o Acordo Ortográfico ou, friamente, reconhecer a limitada capacidade de o tornar comum. Aqui chegados: faz sentido repensar a estratégia da língua depois dela estar já aplicada no sistema nacional de educação? Ainda faz sentido voltar atrás?

[perguntas]

[1] Faz sentido que Portugal continue a liderar o Novo Acordo Ortográfico ou estamos a falhar os objetivos e o Acordo deveria ser suspenso?

[2] As autarquias devem/podem dar prioridade à Cultura neste novo mandato?

[respostas]

Albino Almeida, conselheiro nacional de Educação

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[1] Como poderia liderar agora o Acordo, quem nunca, efetivamente, o liderou? Este acordo fez sempre mais sentido do ponto de vista da Economia do que da Educação e da Cultura!

[2] As autarquias devem dar prioridade à Cultura,sempre! Atualmente através da Cultura pode fomentar, criar e potenciar cadeias de valor, em várias áreas de atividade económica e social.

Joaquim Azevedo, diretor da Escola das Artes da Católica Porto

[1] O Acordo deve prosseguir o seu rumo, é um processo imparável, mormente por ter entrado inteiramente em todo o sistema nacional de educação.

[2] A cultura é a graça do desenvolvimento regional e local. Depois da des-graça do betão só esta prioridade nos pode salvar no mar indistinto da globalização.

Maria Arminda Bragança, vice-presidente da Federação Nacional de Educação

[1] Esta questão foi muito mal conduzida desde o início pelo Governo português. Penso que seria mais prudente esclarecer dúvidas e promover um debate construtivo que mostrasse que Portugal tem uma política estratégica da língua portuguesa.

[2] Nas últimas décadas assistiu-se a uma tomada de consciência da importância de uma política cultural, a nivel autárquico, que promovesse e desenvolvesse processos de revitalização e valorização do património cultural local. Devem continuar.

Braga da Cruz, presidente da Fundação de Serralves

[1] Não, porque está a fazer o seu caminho. A língua é um sistema dinâmico que tende naturalmente a divergir. Por isso, numa comunidade de falantes tão vasta, dinâmica e viva como a nossa, há vantagens para todos que periodicamente haja um esforço de convergência. Mesmo que este sistema ortográfico não seja perfeito é melhor tê-lo como ponto de partida para o aperfeiçoar numa iteração seguinte.

[2] Em Portugal, o poder local investe mais em Cultura que o central. Com a redução dos recursos financeiros municipais é de esperar que os investimentos em infra-estruturas básicas se reduzam. Mas, o nível local tem melhor noção do retorno económico da Cultura e do seu contributo para o reforço da identidade. Assim, creio que as preocupações com a Cultura tenderão a crescer.

Marques dos Santos, reitor da Universidade do Porto

[1] Considero que Portugal deve continuar a liderar o Novo Acordo Ortográfico, devendo também empenhar-se mais para garantir a sua aplicação em todos os países de língua portuguesa.

[2] As autarquias devem eleger a cultura como uma das áreas prioritárias para o investimento, não só pelo papel da cultura no desenvolvimento sustentável e inclusivo das sociedades, como também porque esta área pode dar um importante contributo para a tão necessária criação de emprego.

Rui Reis, investigador e professor catedrático da Universidade do Minho

[1] Continuar a liderar? Em quê? Só se for formalmente...Houve alguma vantagem para Portugal? Será que por exemplo o Reino Unido alguma vez assinava algo do género com os EUA? Claramente para suspender!

[2] Nunca se deve deixar de incluir a cultura como prioridade, muito menos nas comunidades locais. Mas claro que nas atuais circunstâncias há que pensar no impacto real e nos respectivos custos...

Rui Teixeira, presidente do Instituto Politécnico de Viana

[1] Cuidar a "pátria" língua é a obrigação maior dos que a falam. Os acordos ortográficos enriquecem-na, estabilizando-a com respeito pela sua fecunda diversidade. São guardiões e garantia de que se manterá, viva e evolutiva, em centenas de milhões de falantes, raças e continentes.. Este é um desígnio maior, sobretudo, da CPLP. De outro modo ficaremos, sem a dimensão que a língua portuguesa hoje tem.

[2] Devem e muitas podem. A cultura "é o sal da terra e a luz do mundo"

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