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Em terra de Crato quem tem inglês é rei

Em terra de Crato quem tem inglês é rei

Poucas polémicas terão começado e acabado de forma tão abrupta como a do inglês no ensino básico. O Governo explicou-se mal? É um gasto insuportável em época de míngua? Ou foi realmente um equívoco, como se provou, dadas as juras de que o inglês tenderá a ser obrigatório nos 3.oº e 4.oº ano do Ciclo Básico?

O ziguezague terá terminado mas as polémicas amontoam-se em cima do ministro e Nuno Crato não tem vida fácil à vista. O início do ano letivo também não ajudou. Faça-se a justiça de conceder que não há arranques perfeitos em ano nenhum quando a máquina do Ministério continua a ser centralizada/gigantesca e a contratação precária uma necessidade essencial de flexibilizar os custos do Estado face à diminuição demográfica. Mas longe vão os tempos em que alguém defendeu a implosão do Ministério. Yes minister?

[perguntas]

[1] O inglês é essencial no primeiro ciclo ou poderia ser dispensável em tempos de crise?

[2] Os sindicatos têm razão ao dizerem que o arranque deste ano lectivo foi o pior dos últimos anos?

[respostas]

Braga da Cruz, presidente da Fundação de Serralves

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[1] O inglês, gostemos ou não, passou a ser a língua franca. Por isso temos de ser nele fluente. O princípio da igualdade de oportunidades reclama que se ensine a todos desde o 1º ciclo.

[2] Mesmo não tendo informação objetiva para o ajuizar, tendo a desvalorizar as posições sistematicamente radiais dos sindicatos.

Joaquim Azevedo, presidente do Centro Regional do Porto da Universidade Católica

[1] Deviam ser as escolas/agrupamentos a decidir, em função de parâmetros nacionais de financiamento do 1º ciclo. O que é essencial no 1º ciclo é aprender a ler, escrever e calcular. E bem.

[2] Foi atrapalhado e em alguns aspetos era desnecessário. Mas o maior drama é haver cada vez menos (investimento em) educação e os modos se superar isso, em tempos de escassez, não serem discutidos.

Albino Almeida, conselheiro nacional de Educação

[1] O inglês é essencial, como o próprio Ministro da Educação reconheceu no Conselho Nacional de Educação, numa pungente intervenção em que pediu ajuda (!) para a sua inclusão obrigatória nos programas do 3.o e 4.o anos do [1]o Ciclo do Ensino Básico!

[2] O arranque do ano letivo, para vários níveis e vias de ensino, foi e continua a ser muito mau, porque o Ministério da Educação está capturado pelo Ministério das Finanças e refém dos brutais cortes que este lhe ordena.

Maria Arminda Bragança, vice-presidente da Federação Nacional de Educação

[1] Portugal é um dos países da União Europeia que menor oferta de línguas estrangeiras tem no currículo, sendo o inglês essencial no primeiro ciclo. Nos últimos anos houve nenhuma política concertada do ensino das línguas estrangeiras, o que naturalmente se projeta nos maus resultados que os alunos portugueses revelaram no estudo internacional ESLC. Em circunstância alguma se devem fazer cortes cegos na educação.

[2] Têm razão para dizer que o ano letivo começou da pior maneira, pois não foram garantidas a serenidade e a estabilidade a que todos as nossas crianças e jovens têm direito no primeiro dia de aulas.

Nota editorial: Maria Arminda Bragança foi professora durante 38 anos e Presidente da Associação Portuguesa dos Professores de Inglês entre 1990 e 1998. É atualmente vice-presidente da Federação Nacional de Educação e substitui Luís Rebelo, ex-Conselheiro Nacional de Educação, a quem agradecemos o contributo que nos prestou desde a fundação do Barómetro.

Marques dos Santos, reitor da Universidade do Porto

[1] É essencial que os portugueses dominem o inglês como segunda língua pelo que a aprendizagem deve começar tão cedo quanto possível, particularmente em tempos de crise.

[2] Já nos habituámos, infelizmente, a que o arranque dos anos letivos dos ensinos básico e secundário seja problemático, qualquer que seja a cor do governo. O importante não é classificar a intensidade do problema, mas trabalhar, desde já, de modo articulado, para garantir que no futuro tal não volte a ocorrer.

Rui Reis, investigador e professor catedrático da Universidade do Minho

[1] O inglês é essencial no 1º ciclo, sendo cada vez mais importante na vida profissional e social num Mundo cada vez mais global. A facilidade de aprender línguas do povo Português pode ser aproveitada como uma grande vantagem competitiva, tal como tem sido o caso em outros Países Europeus. Se queremos um País mais internacionalizado, com maior aposta no conhecimento, mais competitivo e mais exportador, não há outro caminho.

[2] Parece-me claramente que sim, têm razão.

Rui Teixeira, presidente do Instituto Politécnico de Viana

[1] Diz-se que o ministro das finanças de Churchill o informou da intenção de reduzir brutalmente o orçamento da educação para fazer face à guerra. Ele terá perguntado: 'E então para que vamos fazer a guerra?' Se a escola é o sítio onde nos preparamos para o que nos une e para o que nos liberta, como vamos fazê-lo sem o inglês?

[1] Foi mau. Mas foi mau porque o rumo da Educação é, agora, dirigido por cortes orientados por uns improvisos (ideológicos) suportados nuns "bitaites".

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