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Há muito que os pneumologistas dizem que a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) está subdiagnosticada. Para compreender melhor a doença, Jorge Ferreira, presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, anuncia um estudo que irá permitir aferir a realidade da patologia em Portugal.
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Está em curso um estudo realizado por médicos pneumologistas, enfermeiros e técnicos de cardiopneumologia que visa recolher dados clínicos e sociodemográficos essenciais para a investigação. A espirometria, o exame essencial ao diagnóstico da DPOC, estará também incluído.
Jorge Ferreira, pneumologista e presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, garante que mais de 8 mil pessoas serão abrangidas neste estudo. "O estudo EpiCOPD permitirá estimar a prevalência real da doença, identificar casos que não são, até agora, diagnosticados, e identificar também fatores de risco que ainda não são sobejamente conhecidos".
Impacto na prática clínica
O pneumologista está otimista com os resultados para a prática clínica. "Vai ser um estudo que vai ter um enorme impacto, porque vai permitir recolher informação sobre grupos de maior risco, definir prioridades do rastreio da própria doença, identificar e conhecer melhor os estadios de gravidade mais frequentes, permitir um acompanhamento muito mais estruturado com a implementação de programas, como, por exemplo, de reabilitação respiratória, planos de intervenção de cessação tabágica, que sabemos continua a ser o principal fator de risco de desenvolvimento da doença, não exclusivo, e, portanto, tudo isto acho que vai permitir também aos decisores criar políticas de saúde mais alinhadas com a realidade epidemiológica do país".
Resultados após o Verão de 2026
Jorge Ferreira adianta que "a fase de aplicação no terreno irá decorrer até maio de 2026, havendo depois uma fase posterior de cerca de 3 meses que levará à análise dos dados e aos respetivos resultados. Estou confiante que em setembro, outubro do próximo ano, teremos a maior parte da informação devidamente tratada e um retrato muito mais fidedigno da doença em Portugal".
"Vai ser um estudo que vai ter um enorme impacto, porque vai permitir recolher informação sobre grupos de maior risco, definir prioridades do rastreio, identificar e conhecer melhor os estadios de gravidade mais frequentes e permitir um acompanhamento muito mais estruturado."
Estudo permitirá definir estratégias de diagnóstico e tratamento
A investigação pode abrir caminho a uma nova forma de olhar e tratar a doença, porque muitos doentes desconhecem que têm DPOC, frequentemente identificada em fases tardias. "Tudo se deve a alguma desvalorização dos sintomas que são muitas vezes negligenciados ao longo do tempo, mesmo pessoas que, sendo fumadoras, não se apercebem da lenta evolução da doença nas suas fases iniciais. Por outro lado, não há campanhas de sensibilização e campanhas de rastreio a nível nacional que permitam, de facto, identificar as pessoas que estão ainda a desenvolver os estadios iniciais da doença".
O estudo pretende determinar, ao pormenor, a verdadeira prevalência da DPOC em Portugal.

Os autores do artigo não recebem qualquer honorário para colaborar nesta iniciativa.
Esta iniciativa é apoiada pela GSK, sendo os artigos integrados no projeto Ciência e Inovação da responsabilidade dos seus autores.

