Conversas Soltas dinamizam Agroglobal 2018

Conversas Soltas dinamizam Agroglobal 2018
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Foi com a lezíria ribatejana como pano de fundo que se realizou a primeira sessão das Conversas Soltas, promovidas pelo Santander na edição de 2018 da feira Agroglobal.

Durante os dias 5, 6 e 7 de setembro, a calma típica de Valada do Ribatejo, foi substituída pela azáfama de milhares de pessoas que visitavam os stands, assistiam às conferências ou observavam as demonstrações de equipamentos que são já uma imagem de marca da Agroglobal. De facto, esta feira, que se realiza a cada dois anos nesta freguesia do Cartaxo, não conquistou a fama de ser a maior da Europa sem que a mesma fosse merecida.

E foi no auditório institucional Armando Sevinate Pinto que se realizou, no primeiro dia de feira, a sessão inaugurante das Conversas Soltas, que serviu também como um momento de boas-vindas do banco Santander aos seus convidados presentes na feira Agroglobal 2018.

O debate, que se centrou à volta do tema "Portugal Rural 2030 Coesão - O Desafio", foi aberto por António Vieira Monteiro, Presidente da Comissão Executiva do Banco Santander, que explicou que, sendo o Santander uma instituição financeira que se assume como parceiro de negócios das empresas do setor agrícola, não podia deixar de estar presente naquela que é a principal feira profissional nacional. De facto, de acordo com António Vieira Monteiro, iniciativas como esta são de extrema relevância, uma vez que constituem oportunidades para discutir os "principais problemas do país" - algo que, considera o Presidente da Comissão Executiva do Banco Santander, é essencial para criar desenvolvimento.

António Vieira Monteiro acrescentou, ainda, que "só com a agricultura e com a água poderemos ter sucesso no esforço harmonioso no avanço do país", realçando assim a importância deste setor para a economia portuguesa.

Convidado como keynote speaker do debate, Daniel Traça, Dean da Nova School of Business & Economics, apresentou de seguida a sua perspetiva, como economista, da coesão territorial em Portugal. Para Daniel Traça, no nosso país não há equilíbrio entre cidade e campo, desde que o tempo em que a população migrou em massa para os centros urbanos - o que provocou "uma quebra acentuada no emprego do setor agrícola", segundo o Dean da Nova School of Business & Economics. Assim, de acordo com Daniel Traça, há necessidade criar soluções para esta problemática, "agilizando com o poder local", de modo a mudar o paradigma.

A intervenção de Daniel Traça deu então lugar ao painel de debate principal, onde estiveram presentes Pedro Santos, Sócio e Diretor-Geral da CONSULAI, Eduardo Oliveira e Sousa, Presidente da Direção da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), António Gonçalves Ferreira, Presidente da Direção UNAC - União da Floresta Mediterrânica, e João Duque, Presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão, com moderação de António Perez Metelo.

Eduardo Oliveira e Sousa, Presidente da Direção da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), interviu para comentar que "para além da movimentação [do campo para a cidade] existe um abandono, e é esse abandono que é o problema". Por outro lado, segundo disse o Presidente da CAP, é preciso "promover novas práticas, a nova agricultura mecanizada e tecnológica".

Por sua vez, António Gonçalves Ferreira, Presidente da Direção UNAC - União da Floresta Mediterrânica, comentou que "as pessoas olham para o território rural com algum medo, por causa dos incêndios, do isolamento, mas isso é um problema que se alimenta a si próprio. Para criar raízes a longo prazo, é preciso um setor agrícola coeso e dinâmico, que permita o surgimento das atividades paralelas - não só de produção, mas também de transformação, de manutenção de terrenos florestais, entre outros".

Já João Duque disse que "temos de fazer a reestruturação, especialmente agora que existe menos apego à terra, face a uma camada de proprietários que ignoram por completo o que são, e quais as suas responsabilidades".

Nesta sessão das Conversas Soltas ficou assim explícito que o setor agrícola enfrenta vários desafios, sendo um dos mais preocupantes o abandono dos campos. António Vieira Monteiro afirmou, em nome da instituição financeira que representa, que o Santander está "disposto a trabalhar com as entidades locais" em nome do desenvolvimento do setor agrícola em Portugal.

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