Brasileirão

"Leão Azul" decepciona milhares de adeptos

"Leão Azul" decepciona milhares de adeptos

Se fosse uma equipa portuguesa, estaria entre os "grandes". Com mais de um milhão de adeptos, o Clube do Remo enfrenta uma das piores crises da história apesar da força que vem das bancadas.

Eliminado pelo Independente de Tucuruí na meia-final do Campeonato Paraense, a 29 de Maio, o Clube do Remo perdeu o direito de disputar a "Série D" do "Brasilerião", o quarto escalão do futebol brasileiro, e despediu-se das competições oficiais até 2012. Caso não consiga a vaga no "tapetão", será a segunda vez em três anos que esse colosso do futebol do Norte do Brasil decepciona a sua imensa legião de fãs.

"É uma situação difícil. Estamos muito tristes. Mas é assim. Torcedor tem de estar ao lado da equipa na alegria e na tristeza. Estaremos sempre ao lado do Remo", disse o adepto Beto Ferreira ao JN. "Somos ferrenhos. Em clássicos, 'arrastamos' mais de 40 mil adeptos, em jogos sem expressão, cerca de 10 mil", disse "torcedor" orgulhoso.

A direcção do Clube do Remo informou, ao JN, que existe uma chance do clube "herdar" uma vaga na "Série D", caso o Independente de Tucurí seja condenado por ter alinhado com um jogador em condições irregulares no confronto da meia-final do "Paraense". Esta terça-feira, surgiu a notícia de que o Independente poderá desistir da vaga caso não consiga patrocinadores para o resto da época. Mas as duas possibilidades são remotas.

Fora de campo, os problemas do "Leão" agravam-se. O presidente do clube, Sérgio Cabeça, foi condenado, a 25 de Maio, a 16 anos de prisão, numa decisão que ainda tem recurso. Segundo a Justiça, Sérgio é acusado de ter "violado os deveres de probidade, moralidade e lealdade com a administração pública", na época em que era director do CEFET-PA, na década de 1990. Procurado pelo JN, o presidente do Remo não quis dar entrevista.

No último fim-de-semana, cerca de dez adeptos agrediram Lopes, o guarda-redes da equipa, a murro e pontapé. O futebolista estava na loja do clube para cobrar uma dívida de 45 mil reais (20 mil euros) ao lado de outros dois jogadores. "Os adeptos disseram que, se nós não deixarmos o Remo, eles irão nos matar", disse Lopes ao portal "ORM".

Para completar o sofrimento "azulino", o Paysandu, grande rival do Remo, está na final do Campeonato Estadual e vai disputar a "Série C".

"O Remo precisa de união na direcção. Temos bons nomes nos nossos quadros. Temos de deixar a vaidade de lado. É hora de todos ajudarem", disse Odilardo Silva Filho, director da ATAR (Associação dos Torcedores e Amigos do Remo). "Futebol não é mais 'brincadeira'. É coisa séria. Temos de ter um bom planeamento, pessoas a trabalhar em tempo integral. Desse jeito não dá", acrescentou.

Ao longo dos seus 106 anos de história, o Clube do Remo acumula 14 participações na "Séria A" do "Brasileirão", que é disputado desde 1971. Campeão da "Série C" em 2005, duas vezes vice-campeão da "Série B" (1971 e 1984) e semifinalista vencido da Copa do Brasil em 1991, é no Pará que o "Leão" mostra a sua verdadeira força. O Remo já facturou 42 Campeonatos Estaduais. Mas há três anos não consegue vencer uma final de turno.

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