Brasil

Cacique brasileiro homenageado pela cidade de Paris

Cacique brasileiro homenageado pela cidade de Paris

O cacique indígena brasileiro Raoni Txucarramãe, da tribo Caiapó, foi homenageado na terça-feira pela cidade de Paris com a distinção de Cidadão de Honra da capital francesa.

O cacique Raoni está na Europa no âmbito de uma campanha contra a barragem hidroeléctrica de Belo Monte, no rio Xingú, no Estado brasileiro do Pará, um projecto que recebeu o aval do Governo federal.

Raoni Txucarramãe foi recebido pelo presidente da Câmara de Paris, Bertrand Delanoë, que distinguiu o cacique indígena como Cidadão de Honra, uma distinção "que não é atribuída com frequência, para que continue excepcional".

A birmanesa Aung San Suu Kyi e a iraniana Shirin Ebadi, ambas galardoadas com o Prémio Nobel da Paz, são duas das personalidades distinguidas como Cidadãs de Honra de Paris.

"O meu trabalho é muito sério. Estou muito, muito preocupado. Viajo um pouco por todo o lado. O Espírito já me levou ao céu e vi aquele que nos comanda a todos e nos olha", começou por explicar o chefe indígena perante dezenas de jornalistas.

"É muito belo esse reino, sem doenças. Hoje, quero dizer-vos que o Espírito me disse que é preciso ter cuidado. Hoje, as pessoas não sabem que, se destruírem a floresta, correremos todos grande perigo", declarou o cacique Raoni.

"Levantar-se-ão ventos muito fortes, haverá tremores de terra e incêndios. Foi isso que o Espírito me mostrou", explicou.

"Estou muito inquieto. É verdade que avisei toda a gente mas, companheiros, peço-vos que entendam o meu trabalho. Não queremos batalhas, queremos que todo o mundo viva em paz. Há espíritos maus e espíritos bons. Conheço uns e outros", afirmou também o chefe indígena, ao falar dos males que se abatem hoje sobre a floresta amazónica.

Bertrand Delanoë, elogiando o combate ambientalista de Raoni Txucarramãe, afirmou que o cacique indígena, "defendendo a identidade do seu povo, faz partilhar a sua cultura e generosidade a todos os outros" e transmite a ideia que a Humanidade está ameaçada de morte se perder a sua alma, perdendo uma parte dela".

O presidente da Câmara de Paris acrescentou que "a defesa ambiental é um desafio cultural" e salientou a importância de "um compromisso ao serviço da Humanidade e do seu património ambiental" feito por líderes indígenas como o cacique Raoni.

"Batendo-nos pela preservação da floresta amazónica, batemo-nos pela identidade de um povo e, portanto, pela identidade da Humanidade", concluiu Bertrand Delanoë.

ver mais vídeos