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"Cartoons" de Carlos Latuff são ferramentas de protesto da primavera árabe

"Cartoons" de Carlos Latuff são ferramentas de protesto da primavera árabe

Ilustrações da autoria do cartoonista brasileiro Carlos Latuff estão a ser utilizadas como ferramenta de protesto nas diversas insurreições do mundo árabe.

Do outro lado do Atlântico, sem qualquer vínculo familiar ou financeiro com os movimentos, Latuff tem sido cada vez mais solicitado para colaborar com os seus desenhos.

De maneira pacífica, as suas ilustrações criticam tanto o modelo de governo dos regimes ditatoriais locais, quanto as intenções por trás da intervenção militar internacional, comandada pelos Estados Unidos.

"Meu trabalho é de solidariedade aos povos. O mérito é mais do trabalho em si do que meu. O bacana desta história é poder dar visibilidade aos movimentos sociais e políticos pelo mundo", conta o brasileiro, apontado esta semana pelo jornal inglês "The Guardian" como "a voz" do povo árabe.

Modesto, Latuff minimiza o crédito dado pelo diário britânico. A informação, porém, condiz com o número de seguidores nas mais de dez páginas de fãs que levam o seu nome no Facebook.

"Thanks Mr Latuff" [Obrigado Sr. Latuff], "Carlos Latuff Lovers" [Adoradores de Carlos Latuff] ou ainda "Give the egyptian nacionality to Carlos Latuff" [Dêem a nacionalidade egípcia a Carlos Latuff] são alguns dos títulos de páginas criadas em homenagem ao ilustrador -- uma delas com mais de 16 mil seguidores e a maioria com comentários em árabe.

Boa parte destes desenhos -- todos enviados via Internet -- extrapolam as teias da rede social e vão parar a T-shirts, panfletos, cartazes e até a documentários.

À Lusa, Latuff disse que já o procuraram para oferecer dinheiro pelas ilustrações, mas que ele não aceitou, já que a sua remuneração provém do retorno positivo das pessoas.

"Se a pessoa resolveu pegar esse desenho e torná-lo uma camisa ou um panfleto, é porque aquilo está sendo útil para ele. O desenho atravessou mar e terra e se transformou em um instrumento de luta para determinado povo, é isso que me paga", afirmou.

Segundo ele, a sua primeira colaboração para um movimento internacional ocorreu em 1996, quando enviou, ainda via fax, um desenho para o Movimento Zapatista, no México.

"A princípio, mandava os desenhos para a Frente Zapatista de Libertação Nacional, que era o escritório político do movimento armado. Mas depois percebi que era mais interessante colocá-los numa galeria na internet, para que não só os zapatistas pudessem utilizar", recorda.

Desde então, Latuff, que trabalha como cartoonista de diários da imprensa do Rio de Janeiro, passou a utilizar a Internet como meio de divulgação de sua arte.

"Hoje meu trabalho tem tido uma visibilidade um pouco maior porque tenho utilizado o Twitter. Se você soma militância, arte e Internet consegue atingir uma audiência muito grande pelo mundo", afirma, a divulgar a receita.

Em 1999, ele foi convidado por uma organização não-governamental para conhecer os campos de refugiados palestinianos.

"Quando visitei um assentamento palestino no Líbano, foi que a ficha caiu. Miséria é miséria em qualquer lugar e a solidariedade também tem que ser global", defendeu.

Os desenhos de Latuff podem ser encontrados na sua conta na página do Twitter, @CarlosLatuff .

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