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Barrinha de Esmoriz à mercê do capricho dos homens

Barrinha de Esmoriz à mercê do capricho dos homens

O cenário repete-se com maior ênfase em período de Verão. A barrinha de Esmoriz, na ausência de uma intervenção programada e planeada entre as várias entidades responsáveis, com vista à sua abertura controlada para o mar, na perspectiva do inicio da época balnear no concelho de Ovar, acabou por romper o próprio cordão dunar que a sustentava a norte da zona, que, alguns anos atrás, os técnicos quiseram impor, através do famigerado dique fusível, que funcionasse como ponto de controlo de abertura ao mar desta laguna.

As águas escuras e poluídas, travadas no caminho para o mar por uma significativa acumulação de areia mais elevada, acabaram por correr para o areal de Paramos, bem como para a praia de Esmoriz, como que procurando o antigo percurso de uma paisagem natural e rica como era a barrinha, ex-maravilha da natureza que o tempo apagou definitivamente por capricho dos homens.

Com a época balnear a dar os primeiros passos e com a cerimónia da Bandeira Azul assinalar brevemente o regresso do galardão de qualidade à praia de Esmoriz, o cenário não deixa de ser contraditório e até bizarro, já que voltam a estar presentes em pleno areal e inevitavelmente num destes dias no mar, os mesmos factores de risco ambiental e poluição que originaram a retirada e a perda da Bandeira Azul.

A actual concentração de águas sujas da barrinha ao longo do areal, separada do mar por um cordão dunar, só por si representa um verdadeiro atentado ambiental para os banhistas, sem qualquer sinalização dos riscos do contacto com tal tipo de águas. Mas a paisagem lagunar que se estendeu através de dois braços de água para norte e para sul, está a ser a grande preocupação dos autarcas das duas freguesias vizinhas, que, como declarou ao Jornal de Noticias (06/06/2010) a presidente da Junta de Freguesia de Esmoriz, Rosário Relvas, “Não podemos correr o risco de ver a nossa praia, em plena época balnear, interdita por causa da poluição da barrinha, sobretudo agora que se prevêem enchentes em Esmoriz devido à falta de areal no centro do Furadouro”.

 As preocupações da autarca, justificam-se quando a abertura natural ou controlada da barrinha ao mar, pode acontecer nos próximos dias, o que não deixará de afectar as praias mais próximas em função das marés.

Os autarcas que directamente mais sentem as consequências do arrastar no tempo, os efeitos do problema ambiental da barrinha de Paramos e Esmoriz, defendem assim a abertura da barrinha ao mar o mais depressa possível, para evitar problemas mais graves, que podem por em causa a Bandeira Azul. Mas o que mais pode vir a inquietar os banhistas, não só os da praia de Esmoriz, é a falta de medidas preventivas que evitem manchar de novo a época balnear, que ambientalmente não deixará de merecer atenções redobradas, dada a presença da água poluída numa área da praia, que vai exigir a sua adequada sinalização, mesmo após a abertura ao mar, uma vez que ficam sempre charcos nauseabundos nas zonas mais baixas do areal que representam atentados preocupantes à saúde pública.