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O desespero da Escola Básica do Furadouro

O desespero da Escola Básica do Furadouro

A Escola do Furadouro tem 40 anos e nunca beneficiou de um programa sério de conservação, que a mantivesse minimamente adequada às suas funções e ao número (crescente) de alunos.

A Câmara Municipal de Ovar fez elaborar um projecto de reabilitação profunda há cerca de 10 anos, que atingiu a fase de projecto de execução e foi aprovado, mas colocou-o "na gaveta", face à miragem da construção "em breve" de um moderno Centro Educativo (ideia aparentemente, também ela, entretanto abandonada).

Logo que os actuais corpos sociais da Associação de Pais e Encarregados de Educação entraram em funções, há dois anos, solicitaram à Sra. Delegada de Saúde de Ovar uma vistoria que constatou e denunciou os muitíssimos problemas das instalações da Escola, alguns de grande gravidade.

Nessa altura a CMO corrigiu alguns problemas gritantes: o aquecimento (que não funcionava de todo - a instalação eléctrica não o suportava) e as aberturas na vedação (que facilitavam a intrusão e a saída de alunos do recinto durante o recreio). Foram também finalmente colocados estores (não havia estores na fachada principal, que é voltada a Sul!) e substituídas as janelas, velhíssimas, que já não vedavam água nem ar.

Embora se tratasse de carências absolutamente básicas - era inconcebível a situação que se verificava, com alunos (e professores) absolutamente enregelados nas salas de aula - estes melhoramentos foram bem-vindos. O facto lamentável é que, desde então, nenhum dos restantes problemas foi solucionado; bem pelo contrário, foram-se agravando perante a passividade e insensibilidade da CMO:

Não há nenhuma área de recreio coberta. Em dias de chuva, os meninos têm que permanecer dentro das salas durante todo o tempo; a não ser que tomem o lanche numa pequena área, desolada e húmida, em frente às sanitas. A disciplina de Actividade Física e Desportiva das actividades de enriquecimento curricular (AEC) fica limitada a jogos praticados... dentro das salas de aula.

As zonas para actividades desportivas (que só podem ser usadas em tempo seco) apresentam condições deploráveis e atentatórias da segurança das crianças: campo de basquete em cimento, com tabelas sem cestos (apodreceram pela corrosão e nunca foram substituídos) e duas balizas de mini-futebol num campo de piso esburacado e pedregoso que empoça a água. É de notar que ao mesmo tempo, a CMO, em parceria com o Modelo e a FPF, instalou na zona Norte do Furadouro um campo de basquete e mini-futebol de relva sintética com acesso livre ao público - conclui-se que os meios existem; a noção das prioridades é que não.

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A cantina funciona num monobloco sem capacidade sequer para metade dos alunos; assim, apesar dos inconvenientes de diversa ordem que isso acarreta, o almoço tem que ser dividido em dois turnos. O trajecto entre salas de aula e cantina é descoberto - os alunos têm que se deslocar à chuva.

O recinto escolar não tem acesso para veículos, o que é anti-regulamentar (isso foi assinalado pela vistoria da Sra. Delegada de Saúde). A CMO não desloca o monobloco que funciona como cantina para uma posição mais favorável alegando que a grua dos bombeiros não pode entrar na Escola - um argumento verdadeiramente absurdo.

Um segundo monobloco que existia na Escola foi retirado no início deste ano; a título de compensação precária, a CMO dispôs-se finalmente a iniciar obras para fechar um alpendre traseiro (reclamadas há décadas), mas detectou quase de imediato problemas de degradação estrutural que ameaçavam a segurança das crianças (risco de derrocada da cobertura) e por isso suspendeu as obras. Não mais as reiniciou e só perto de três meses depois colocou um taipal de segurança para isolar o acesso a esse alpendre, que ilustram também o paupérrimo estado de conservação e deficiências de segurança dos pavimentos.

As obras não obedeciam a qualquer plano; o que foi executado é totalmente desajustado, com janeletes exíguos que não permitem visibilidade para o exterior, tornando a sala sombria e soturna, mas a Sra. Vereadora recusa-se a emendar.

Como esse alpendre é o único acesso às instalações sanitárias que se destinavam aos meninos, a Escola ficou reduzida a duas sanitas para 81 alunos (uma para meninos e outra para meninas). Ora, elas estão completamente obsoletas (como a vistoria da Sra. Delegada de Saúde tinha denunciado, impondo a sua renovação urgente) e entopem facilmente - a situação sanitária da Escola é insustentável.

As queixas que, muito legitimamente, e sempre com proporção e cortesia, temos apresentado junto da CMO, designadamente nas pessoas da Sra. Vereadora da Educação, Conceição Vasconcelos, da Chefe da Divisão de Educação, Margarita Nicolau e da responsável pelas obras, Eng. Marta, não têm tido real acolhimento. Neste momento verifica-se uma total - dir-se-ia mesmo acintosa - fuga ao diálogo e à prestação de informações e explicações por parte da CMO; a Sra. Vereadora, assumidamente, considera não dever explicações às Associações de Pais. Isto é, no mínimo, discutível. Todavia, a própria Coordenadora da Escola, Prof. Cândida Jardim, nunca foi consultada sobre as obras, nem recebeu qualquer aviso prévio relativamente ao seu início, à sua suspensão, à colocação do taipal, ou sequer às visitas da Sra. Vereadora e/ou elementos da CMO para avaliar ou fiscalizar o curso da situação.

Ultimamente, assistimos, com certa inquietação, a uma sucessão de acontecimentos que, neste contexto de constante desprezo pela Escola Básica do Furadouro, os pais e encarregados de educação têm dificuldade em ver como casualidades:

- Pelo segundo ano consecutivo, a troupe de Reis da nossa Escola foi a troupe infantil a actuar em último lugar no espectáculo promovido pela CMO no centro de Arte de Ovar. Muito pior, viu indeferido pela CMO o pedido de um autocarro e foi assim a única que não pôde realizar o ensaio geral (o que prejudicou imenso a sua actuação e também a excluiu das entrevistas realizadas pela RTP às restantes troupes). No "blogue" utilizado pela CMO para reportar o evento (vide "email" enviado pela CMO à Sra. Coordenadora da EB) com uma profusão de fotografias, a actuação da nossa troupe foi pura e simplesmente esquecida - nem uma menção...

- Uma das auxiliares mais experientes da EB, muito querida pelos alunos, foi transferida a meio do ano lectivo para uma outra escola, ao mesmo tempo que o número de alunos aumentava com um aluno transferido de uma outra escola do Agrupamento por problemas de comportamento.

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