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Utente maltratado em consulado português

Utente maltratado em consulado português

Esta é uma carta de indignação pelos péssimos serviços prestados pela Administração Pública, já não é a primeira vez que tenho problemas, e vejo outras pessoas também os terem, com a atual desgovernança que se transformou a "respublica" portuguesa.

Primeiramente, recolhi todas as informações sobre os horários e formas de atendimento do Consulado Geral de Portugal em Londres, das quais escolhi a opção de ir diretamente ao local, às 14 horas, para ser uma das 30 pessoas que são atendidas diariamente sem marcação. Dirijo-me então, no dia 18 de Maio de 2011, ao Consulado Geral de Portugal em Londres com a finalidade de, apenas, retirar meu cartão do cidadão, pois já me haviam enviado a carta-confirmação para que o fizesse.

Chegando ao local, por volta das 13.50 horas, deparo-me com uma fila de pessoas a espera de atendimento, junto-me a esta fila e aguardo a abertura das portas do consulado. Às 14 horas as portas se abrem e começam a entrar os utentes, alguns destes com horário marcado e outros na mesma situação que a minha. A fila pára de andar quando faltam exatamente cinco pessoas à minha frente para entrar no prédio e isto já são 14.10 horas, então, eu e mais ou menos umas 10 pessoas ficamos do lado de fora do prédio esperando a nossa vez de entrar.

Passa-se 50 minutos sem que nenhuma das pessoas que entrou no prédio saísse, mais do que naturalmente algumas pessoas dirigiram-se ao recepcionista, o qual logo mais vim a descobrir que não o era, para perguntar-lhe o motivo de tal demora. Então, através da "fofóca" que estava em debate pelos utentes a espera de atendimento na rua, do lado de fora do prédio do consulado, fiquei sabendo que as tais 30 senhas já tinham sido esgotadas.

Ficou revoltado com este desrespeito para com o utente? Continue a ler, ainda não terminei de contar o meu triste calvário!

Revoltado pela total falta de consideração para com as pessoas que ficaram na rua a espera de atendimento sem saber que este NÃO lhes seria providenciado, requisitei imediatamente o livro de reclamações. Então, foi-me informado pelo funcionário, que até então eu julgava ser o recepcionista, que a senhora recepcionista não se encontrava e por este motivo eu não poderia realizar a reclamacão.

Pensei comigo mesmo, será que estou no lugar certo? Será este um órgão do Estado da República Portuguesa? Sendo assim, indaguei novamente o funcionário e reiterei o pedido pelo livro de reclamações e até sugeri que ele ligasse ao cônsul para saber do paradeiro do tal livro. Após conversa telefónica com outro/a funcionário/a, o senhor que estava atuando, ao meu ver, como recepcionista, disse-me para que eu subisse ao 1º andar a fim de finalmente ter acesso ao livro de reclamações, isto já era 15.10 horas. Subi ao 1.º andar como me havia sido pedido e lá encontrei um senhor que se encontrava de saída da sala do vice-cônsul e este me disse que um outro funcionário já me traria o livro, assumi logo que esta pessoa que estava de saída, às 15.10 horas, do trabalho, era o vice-cônsul. Esperei, ali sentado, até às 15.30 horas, quando juntou-se a mim uma senhora com um bebe de colo na mesma situação que eu estava, e que também gostaria de apresentar sua reclamação. Às 15:35, sou informado por uma outra funcionária que o, "já quase lendário", livro estaria a caminho, de boa fé, esperei um pouco mais. Instantes mais tarde deparo-me com o Cônsul Geral de Portugal em londres ao qual pergunto, novamente, sobre o livro, este me responde que a sua repartição não tem funcionários suficientes para atender a demanda, que Paris tem 80 funcionários e Londres não, me instrui a reclamar junto ao governo central em Lisboa, mas também, me orienta a esperar, ainda mais, pelo livro, o qual para mim ja tinha ares de livro sagrado, uma vez que nem o cônsul me poderia entregá-lo.

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Conclúo esta via crúcius contemporânea por volta das 16 horas, sem cartão do cidadão e tampouco livro de reclamações. Algumas perguntas podem ser elaboradas apos tais acontecimentos:

Se necessitamos deste cartão do cidadão, por que nos é dificultada a retirada do mesmo?

Quanto tempo leva um funcionário público a entregar um destes cartões a um utente?

Nas palavras do senhor cônsul que me indagou; "Por que Paris tem 80 funcionários e Londres não"?

Será alguma providência tomada para disciplinar o consulado geral de Portugal em Londres? Ou será que o utente/contribuinte não tem valor algum para o estado a não ser pagar impostos?

Como superaremos esta crise que nos assola, se por causa de uma retirada de um simples cartão do cidadão, nem vamos falar em procedimentos mais complicados junto aos órgãos públicos, um trabalhador tem que perder um dia de trabalho e assim desfavorecendo, ainda mais, a produtividade de Portugal?

Como pôde um órgão público negar-se a fornecer o livro de reclamações a um utente, sendo que o próprio cônsul sabia deste pedido?

Espero que esta carta sirva para que algo mude no atual status quo dos serviços públicos Portugueses.

Jorge Garcia

Cidadão Português

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