Opinião

Inês Cardoso

A intolerância de Salvini

"Eu não quero uma Itália escrava de ninguém." A frase é de Matteo Salvini, no dia em que o primeiro-ministro Giuseppe Conte anunciou a sua demissão, e nas entrelinhas "ninguém" deve ler-se União Europeia. O líder da Liga, que há 15 meses é o número dois do Governo, quer mais. Aspira a plenos poderes e já demonstrou que a sua noção de liderança é capaz de atropelar colegas de coligação, tribunais e instituições europeias, pondo em causa vidas humanas, se necessário for.

Manuel Serrão

O novo direito a votar contra

Esta crónica pretende ser uma espécie já de crónica da rentrée, embora os nossos partidos políticos só estejam a marcar as rentrées lá mais para a frente. Sei que um artigo a pedir uma reforma da lei eleitoral não colherá nenhum fruto para as eleições de 6 de outubro, mas também não é esse o meu objetivo. Também sei por experiência que a tradição das alterações à lei eleitoral costuma ser apresentada a meio da legislatura, para que depois a discussão dos pontos mais quentes se arraste até perto do final do mandato dos deputados, podendo ser assim inviabilizado com a desculpa de que as eleições estão à porta. Daí que tenha optado por fazer esta proposta inocente, mesmo antes de saber quem são os deputados da nova legislatura, só para ver se com tanta antecedência se conseguirá algum resultado.

A sua Opinião

Com o primeiro clássico à porta, que equipa está mais forte?

A mulher que veio de Chernobyl para criar eletricidade com as ondas

A 26 de abril de 1986, durante um exercício de corte de energia elétrica realizado para pôr à prova as medidas de segurança da central nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, o reator número 4 sobreaqueceu e o hidrogénio acumulado no interior estalou. A explosão libertou para a atmosfera uma quantidade de material radioativo 400 vezes superior à libertada pela bomba atómica lançada sobre Hiroxima, na II Guerra Mundial. Mais de 350 mil pessoas foram evacuadas e ainda hoje, 33 anos depois do acidente, a zona continua encerrada. Embora todos os especialistas afirmem ter-se tratado do acidente mais grave alguma vez ocorrido numa central nuclear, não existem estudos conclusivos que permitam quantificar o real número de pessoas afetadas pelo mesmo. Para além dos trabalhadores e bombeiros que perderam a vida nos trabalhos de extinção do incêndio e na tentativa de reparar o reator, o número de vítimas da radiação não é claro, embora o Ministro da Saúde ucraniano tenha afirmado, em 2006, que rondava os 2,5 milhões de pessoas. Isto sem contar com os traumas e problemas psicológicos que afetaram as populações desalojadas do seu lar para sempre. Uma das crianças feridas em consequência do acidente foi Inna Braverman.“Sofri uma paragem respiratória e estive em morte clínica, pelo que posso dizer que tive sorte, mas muitas crianças e adultos de Chernobyl não tiveram tanta sorte. Ainda hoje podemos ver os efeitos da explosão na saúde das pessoas. Este acontecimento influenciou decisivamente a minha paixão pelas energias renováveis.”Essa paixão tem nome: Eco Wave Power, a empresa que ela própria fundou em 2011, com apenas 24 anos, e que desenvolveu uma tecnologia para extrair energia das ondas oceânicas e marinhas e convertê-la em eletricidade.A energia das ondas é extraída através de flutuadores que aproveitam as oscilações do nível do mar. Esses flutuadores estão presos por uns braços resistentes a estruturas construídas pelo homem, como quebra-mares, cais, molhes, postes ou plataformas. O movimento dos flutuadores permite que uma estação localizada em terra, como uma central elétrica normal, converta a energia desse movimento em pressão, que se utiliza para fazer girar um gerador e produzir eletricidade.Atualmente, a EcoWave tem projetos em marcha em Gibraltar, Reino Unido, Israel, México, China, Chile, entre outros países, e está certa de que continuará a crescer, uma vez que a energia ondomotriz é completamente limpa e renovável.Agora que Chernobyl voltou a estar nas bocas do mundo devido à série exibida pela HBO, é importante recordar as pessoas como Inna Braverman, porque, graças a ela, é um pouco mais provável que acidentes como o que ela sofreu não se repitam.Entrevista e edição:  Maruxa Ruiz del Árbol | Ainara NievesTexto: José L. Álvarez Cedena

A equipa feminina de CS:GO da Vodafone Giants

Aidy é a capitã da equipa profissional feminina de CS:GO da Vodafone Giants e teve de lutar muito para mostrar que as raparigas, se quiserem, jogam tão bem como os rapazes - ou até melhor do que eles. "Tive situações um pouco incómodas, ao longo da minha trajetória no mundo dos videojogos. Houve momentos em que me senti pequena e creio que todas temos o mesmo direito de jogar, de poder demonstrar o que queremos e de poder ir atrás dos nossos sonhos."O seu sonho (conquistado) é ser gamer profissional. E como ela há muitas que se esforçam para se destacarem num ambiente que ainda é maioritariamente masculino, embora cada vez menos. Um artigo publicado na VentureBeat, uma página dedicada à tecnologia, baseado em dados recolhidos pela consultora Interpret, indicava que 30,4% das mulheres e 69,6% dos homens viam desporto com regularidade. A distribuição é desigual, mas o mesmo artigo assinalava que a percentagem de mulheres aumentou quase seis pontos desde 2016, um aumento assinalável, que aponta para uma rápida integração das mulheres na indústria.A paridade em termos de presença está, portanto, cada vez mais perto. No entanto, os esports não são tão equitativos - como sucede nos desportos tradicionais - quando se fala de dinheiro.Embora não exista um ranking oficial que permita saber com certeza quanto ganham os jogadores profissionais, a página especializada esportsearnings.com mostra o fosso que separa homens e mulheres. Enquanto o Alemão Turo Takhasomi, líder em termos de receitas, arrecadou, até à data, mais de quatro milhões de dólares em prémios, a Canadiana Sasha Hostyn, que encabeça a lista feminina, ganhou 323 mil dólares no mesmo período de tempo. Laia Miralles, a outra espanhola da equipa, acredita que tanto ela quanto as suas colegas estão preparadas para enfrentar a competitividade do mundo profissional dos esports: "Sim, sofremos um pouco com o machismo. No entanto, tentamos passar ao lado disso e seguir o nosso caminho, porque, se quisermos ser jogadoras profissionais, temos de superar essas barreiras e seguir em frente."Esse exemplo de determinação é o que faz das jogadoras da Vodafone Giants um espelho em que podem ver-se refletidas todas as jovens queiram ser jogadoras profissionais de videojogos. Esse papel de referência, de pioneiras, nas palavras de Virginia Calvo, coproprietária da equipa, está bem presente desde o nascimento da equipa. "Sentíamo-nos responsáveis por dar voz e visibilidade às mulheres da esfera competitiva profissional."Entrevista e edição: Azahara Mígel, Douglas BelisarioTexto: José L. Álvarez Cedena