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Tóquio2020

 Ginástica "sobreviveu" sem Biles e trouxe novo debate à modalidade

 Ginástica "sobreviveu" sem Biles e trouxe novo debate à modalidade

A ginástica artística despediu-se de uns Jogos Olímpicos Tóquio2020 em que ficou sem a 'estrela' Simone Biles, a dizer-se incapaz de competir, numa semana que trouxe a debate a saúde mental e ofereceu o palco a outros protagonistas.

A renúncia de Biles no primeiro dia de competição, depois de um deslize quando efetuava um exercício no concurso por equipas -- em que os Estados Unidos perderiam a 'coroa' para o Comité do Olímpico da Rússia, campeão 29 anos depois -- motivou o debate.

Um pouco de todo o lado veio o apoio a Biles, tetracampeã olímpica, e à coragem demonstrada no maior palco desportivo mundial, depois de se mostrar insegura e incapaz de cumprir o que todos esperavam dela.

"Assim que piso o tapete sou só eu e a minha cabeça a lidarmos com demónios (...). Tenho de fazer o que é melhor para mim e focar-me na minha sanidade mental e não comprometer a minha saúde e o meu bem-estar", justificou a ginasta texana.

Depois, com os 'holofotes' em mais ginastas, nomeadamente em Sunisa Lee -- outro dos trunfos da equipa feminina dos Estados Unidos -, na brasileira Rebeca Andrade ou nas russas, era o 'briefing' norte-americano o mais aguardado.

Fora do praticável, quase a cada dia, a Federação de ginástica anunciou as sucessivas ausências de Simone Biles, primeiro à final individual do concurso completo (29 julho), depois às finais do salto e barras assimétricas (01 de agosto), e, por último, do solo (02 de agosto).

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A notícia menos esperada surgiu já no dia do solo, em que Jade Carey foi a sua sucessora e sagrou-se pela primeira vez campeã olímpica, com a Federação a anunciar que Biles estaria na trave no último dia.

À tensão e nervosismo para os que estavam de fora, a norte-americana respondeu com aparente tranquilidade: menos ousada, mas pragmática, conquistou a sua primeira, e única medalha individual nos Jogos de Tóquio2020.

Uma conquista a saber a ouro, atrás de Chenchen Guan e Xijing Tang -- as únicas medalhas femininas para a China -, com Biles a chegar às sete medalhas olímpicas e a igualar Shannon Miller com a mais medalhada ginasta norte-americana em Jogos Olímpicos.

Na competição, Carey brilhou no solo, com elevado nível acrobático, mas também a italiana Vanessa Ferrari (prata), no único exercício que teve duas medalhas ex-aequo, para a japonesa Mai Murakami e russa Angelina Melnikova (bronze).

Melnikova, ainda com o título por equipas e bronze no concurso individual completo, foi, a par da norte-americana Sunisa Lee (ouro no 'all around' individual, prata por equipas e bronze nas barras assimétricas), a ginasta mais medalhada em Tóquio2020.

Em femininos, destaque ainda para a brasileira Rebeca Andrade, medalha de ouro no salto e bronze no concurso completo, e para MyKayla Skinner, que esteve de malas aviadas, despediu-se de 'coração partido' no Instagram, mas manteve-se em Tóquio -- face à ausência de Biles -, e acabou vice-campeã olímpica no salto.

Na competição masculina, com 24 medalhas para atribuir, no concurso por equipas, no individual completo e nos seis aparelhos -- com mais dois do que em femininos -, a China dominou, mas a estrela foi Daiki Hashimoto.

O japonês, depois de ser prata na prova por equipas -- atrás do Comité Olímpico da Rússia -, venceu o concurso completo individual, e já hoje, na despedida, triunfou na barra fixa, aparelho em que o croata Tin Srbic foi prata, e o russo Nikita Nagornyy bronze, com a terceira medalha (equipas, 'all round' e barra fixa).

Além de Hashimoto e Nagornyy, só o chinês Xiao Ruoteng obteve três medalhas, com o ginasta a ser vice-campeão olímpico no concurso geral individual, bronze no exercício solo e bronze por equipas no 'All-around'.

Ruoteng esteve em três das seis medalhas da China em masculinos, mas o ponto mais alto aconteceu com os títulos olímpicos -- além da trave neste último dia -, de Yang Liu nas argolas e de Jingyuan Zou nas barras paralelas.

No solo, Artem Dolgopyat conseguiu o segundo título olímpico da história de Israel -- depois do ouro de Gal Fridman em Atlanta96 na prancha à vela -, e a primeira medalha de sempre na ginástica.

Um contexto similar ao de Rebeca Andrade e da belga Nina Derwael, que ao vencerem no salto e nas barras assimétricas, deram os primeiros títulos olímpicos na ginástica ao Brasil e à Bélgica, respetivamente.

Na competição, que decorreu no centro Ariake -- designado como o barco de madeira pelo desenho e material com que foi projetado, como casa 'temporária' da modalidade em Tóquio2020 -, a portuguesa Filipa Martins despediu-se cedo.

A ginasta lusa terminou a participação no segundo dia de qualificações nos Jogos Olímpicos, sem conseguir atingir qualquer final na ginástica artística, apesar do bom desempenho em Tóquio2020, com um 43.º lugar no 'all-around', 17.ª nas paralelas assimétricas, 69.º na trave, 46.º no solo, enquanto no salto somou 13.466 pontos, com a qualificação fixada nos 14.616 pontos.

- Quadro de medalhas na ginástica artística:

Femininos:

- Concurso completo por equipas:

Ouro: Comité Olímpico da Rússia (Angelina Melnikova, Vladislava Urazova, Liliia Akhaimova e Viktoriia Listunova).

Prata: Estados Unidos (Grace McCallum, Jordan Chiles, Simone Biles e Sunisa Lee).

Bronze: Grã-Bretanha (Alice Kinsella, Jessica Gadirova, Jennifer Gadirova e Amelie Morgan).

- Concurso completo individual:

Ouro: Sunisa Lee (Estados Unidos).

Prata: Rebeca Andrade (Brasil).

Bronze: Angelina Melnikova (Comité Olímpico da Rússia).

- Salto:

Ouro: Rebeca Andrade (Brasil).

Prata: Mykayla Skinner (Estados Unidos).

Bronze: Seojeong Yeo (Coreia do Sul).

- Barras assimétricas:

Ouro: Nina Derwael (Bélgica).

Prata: Anastasiia Iliankova (Comité Olímpico da Rússia).

Bronze: Sunisa Lee (Estados Unidos).

- Solo:

Ouro: Jade Carey (Estados Unidos).

Prata: Vanessa Ferrari (Itália).

Bronze: Mai Murakami (Japão) e Angelina Melnikova (Comité Olímpico da Rússia).

- Trave:

Ouro: Chenchen Guan (China).

Prata: Xijing Tang (China).

Bronze: Simone Biles (EUA).

Masculinos:

- Concurso completo por equipas:

Ouro: Comité Olímpico da Rússia (Denis Abliazin, Artur Dalaloyan, Nikita Nagornyy e David Belyavskiy).

Prata: Japão (Takeru Kitazono, Daiki Hashimoto, Wataru Tanigawa e Kazuma Kaya).

Bronze: China (Chaopan Lin, Wei Sun, Ruoteng Xiao e Jingyuan Zou).

- Concurso completo individual:

Ouro: Daiki Hashimoto (Japão).

Prata: Ruoteng Xiao (China).

Bronze: Nikita Nagornyy (Comité Olímpico da Rússia).

- Solo:

Ouro: Artem Dolgopyat (Israel).

Prata: Rayderley Zapata (Espanha).

Bronze: Ruoteng Xiao (China).

- Cavalo com arções:

Ouro: Max Whitlock (Grã-Bretanha).

Prata: Chih Kai Lee (Taiwan).

Bronze: Kazuma Kaya (Japão).

- Argolas:

Ouro: Yang Liu (China).

Prata: Hao You (China).

Bronze: Eleftherios Petrounias (Grécia).

- Salto:

Ouro: Jeahwan Shin (Coreia do Sul).

Prata: Denis Abliazin (Comité Olímpico da Rússia).

Bronze: Artur Davtyan (Arménia).

- Barras paralelas:

Ouro: Zou Jingyuan (China).

Prata: Lukas Dauser (Alemanha).

Bronze: Ferhat Arican (Turquia).

- Barra Fixa:

Ouro: Daiki Hashimoto (Japão).

Prata: Tin Srbic (Croácia).

Bronze: Nikita Nagornyy (Comité Olímpico da Rússia).

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