O Jogo ao Vivo

Análise

A harmonia no futebol e na música

A harmonia no futebol e na música

Quando se tenta comparar uma equipa de futebol a uma orquestra, tem que se entender que música o maestro quer oferecer e que jogo o treinador quer proporcionar. Depois disso, pode comparar-se, no fundo, parametrizar estilos e contextualizar a oferta.

Quando ouço que tem que se tocar bombo ou violino para uma equipa chegar a resultados, penso que se tem que harmonizar todos os instrumentos para que a melodia nos faça sentir felizes. Na orquestra essa harmonia depende do estilo de música que queiramos tocar e, no futebol, depende da forma de jogar que queiramos oferecer a quem nos vê.

A orquestra fará ouvir mais os bombos, os violinos, as flautas ou o piano em função do que o compositor nos queira oferecer. A equipa oferecerá um jogo triangulado, direto, com linha defensiva mais alta, mais baixa, com mais jogo interior ou exterior em função da ideia de jogo do treinador.

Uma coisa é certa: da orquestra queremos que seja uma melodia para os nossos ouvidos e da equipa queremos que seja um regalo para os nossos olhos. Claro que tudo depende das nossas preferências musicais e futebolísticas.

A riqueza "musical" de uma equipa está na variabilidade da mesma e na sua imprevisibilidade, com executantes a exteriorizarem o seu talento - passe, remate, drible em função da forma de jogar e à qual têm que obedecer.

Com mais ou menos bombos, violinos ou flautas, tendo a orquestra mais ou menos instrumentos, tudo é música e quem a quiser ouvir tem que selecionar o que quer para os seus ouvidos. No futebol, com mais volume de jogo direto ou apoiado, linha mais alta ou baixa, remates fora da área ou dentro dela, tudo é futebol, mas temos de selecionar o que queremos ver.

No Mundo não há só preto ou branco, noite ou dia, guerra ou paz, bombo ou violino. Há tantas coisas entre elas.

Cada maestro põe a orquestra a tocar o estilo musical que quer, cada treinador coloca a equipa a jogar como quer, sempre em função da sua ideia de jogo. As duas situações dependem de um fator fundamental: o tempo.

A pressão do Mundial está a desafinar alguns dos instrumentos da nossa orquestra. Oxalá haja tempo para eles serem afinados.

Com mais ou menos, violinos, bombos, flautas, saxofones, pianos ou ferrinhos, os quartos de final esperam-nos. "Bons concertos" Portugal!

* TREINADOR DO V. GUIMARÃES