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A NBA está de volta: como é a vida dos atletas na bolha da Disney World

A NBA está de volta: como é a vida dos atletas na bolha da Disney World

Mais de 140 dias passaram desde a interrupção da liga de basquetebol norte-americana. A NBA regressa esta quinta-feira e os jogadores têm vivido numa bolha dentro do complexo da ESPN Wide World of Sports, localizado no Walt Disney World Resort, em Orlando. Os cuidados sanitários vão ser exigentes e alguns deles são (no mínimo) curiosos.

É um investimento de 145 milhões de euros. A NBA apostou em grande no regresso da competição no resort da Disney World de Orlando, no estado da Florida, um dos mais afetados pela pandemia de covid-19 nos Estados Unidos - com mais 9446 casos e 216 mortes nas últimas 24 horas, de acordo com o jornal "The New York Times". Vinte e duas equipas das 30 da NBA vão entrar na bolha do complexo da ESPN Wide World of Sports, ou seja, apenas aquelas que estavam em lugar de acesso ao play-off ou que quando a competição parou, a 11 de março, estavam a seis vitórias ou menos do 8.º lugar de cada conferência (este e oeste).

Para a maioria dos atletas, a vida será muito diferente: luxuosa, mas ainda assim, inédita. Durante pouco mais de três meses (desde esta quinta-feira até meados de outubro), os jogadores vão estar confinados num resort de um parque de diversões, muito embora não possam utilizar os carrosséis e as montanhas russas. Não podem sair sem autorização e por motivos de força maior, como a morte de um familiar, o nascimento de um filho ou em situação de doença urgente. Se alguém tiver mesmo de se ausentar do complexo de Orlando, tem de voltar a fazer quarentena quando regressar e por isso, não irá participar nos jogos seguintes.

Da mesma forma, apenas pessoal autorizado (atletas e membros do staff) podem entrar na Disney World. Também os jornalistas que acompanham a NBA têm um espaço próprio no resort. Mark Medina, correspondente da NBA para o "USA Today", explicou que também ele tem uma pulseira que serve para fazer o check in, medir os níveis de oxigenação e reportar a uma aplicação da NBA se teve ou não sintomas do novo coronavírus.

Quanto aos testes da covid-19: toda a gente é testada diariamente. Antes de terem entrado no ESPN Wide World of Sports, todas as pessoas fizeram quarentena nos respetivos quartos dos hotéis, onde estão sozinhos. Escusado será dizer que todos devem evitar ajuntamentos. O protocolo aponta a existência de uma tecnologia que vai emitir um alarme quando o distanciamento de dois metros não é respeitado. De relembrar ainda que não haverá público nas bancadas.

A máscara é obrigatória nos espaços fechados, exceto quando cada pessoa está sozinha, o que deverá acontecer na maioria das horas passadas no resort. Os banhos só podem acontecer nos quartos de cada jogador, uma vez que os balneários estão fechados. As normas preveem a existência de um anel nos atletas para saber a temperatura, batimento cardíaco e respiração.

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Yoga e manicure: as horas passadas na bolha

O tédio é um panorama possível na vida destes jogadores, mas a NBA disponibilizou uma série de atividades para entretê-los. Desde yoga, pesca, golfe e salas dedicadas a jogos com consolas e ténis de mesa. Alguns jogadores já partilharam nas redes sociais jogos online uns com os outros para distrair e passar as horas. LeBron James, estrela dos Los Angeles Lakers, chegou a referir numa conferência de imprensa que na vida dentro de uma bolha não é "nada é normal".

Claro que, em alguns momentos, as horas serão partilhadas com alguém. No caso dos jogos de cartas, por exemplo, há também regras: não podem existir mais de seis pessoas na mesa e as cartas são substituídas a cada jogo. Mesmo no golfe, cada jogador será responsável pelo seu próprio equipamento. Não há lugar para os "caddies" (funcionário que carrega os tacos e ajuda o jogador de golfe). E porque nada acontece por acaso nesta bolha da NBA, as bolas de basquetebol vão ser alvo de muita atenção. Há inclusive um protocolo que prevê a lavagem da bola com detergente, a secagem ao ar livre e depois a pulverização com desinfetante.

Nem tudo é desporto e as atividades culturais também não vão faltar. Vai haver espetáculos de comédia, música e sessões de cinema e será tudo ao ar livre e com distanciamento físico. Quem quiser tratamentos de manicure, pedicure ou barbeiro terá de efetuar uma marcação. Da mesma forma, os jogadores podem ter acesso a serviços de saúde mental e de diferentes religiões.

Apesar das inúmeras distrações, há quem não tenha cumprido as diretrizes da NBA. O jogador Richaun Holmes, dos Sacramento Kings, foi colocado em quarentena depois de ter saído do complexo para ir buscar uma encomenda de comida -- apesar de cada equipa ter um chef particular de cozinha. Lou Williams, dos Los Angeles Clippers, saiu do resort para ir a um funeral de um familiar, contudo admitiu que durante essa ausência foi a um clube de strip e, por isso, não irá participar nos primeiros dois jogos.

Volta a NBA e a contestação ao racismo

As manifestações contra o racismo não vão passar ao lado no regresso da NBA aos jogos. Os jogadores foram incentivados a ter mensagens de justiça social no equipamento com frases como "não consigo respirar", "justiça agora" e "reforma da educação". Nos campos vão também aparecer mensagens do movimento "Black Lives Matter", que ganhou novo fôlego após a morte de George Floyd a 25 de maio, um afro-americano asfixiado por um polícia que se ajoelhou sobre o seu pescoço.

Durante os protestos nos Estados Unidos, os jogadores tiveram livre arbítrio para decidirem se queriam participar ou não nas ações de contestação. Foram apenas aconselhados a falarem com os médicos das respetivas equipas.

De acordo com a "BBC", as equipas Utah Jazz e New Orleans Pelicans, que se confrontam no jogo desta quinta-feira, estão a trabalhar juntas num plano que consiste em se ajoelharem durante a música do hino nacional dos EUA. O jogo começa às 23.30 horas (hora de Portugal Continental).

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