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A sorte do médico dinamarquês que salvou Eriksen

A sorte do médico dinamarquês que salvou Eriksen

O seminário online organizado pela Liga Portugal contou com a presença de Morten Boesen. Discutiu-se ainda o modelo de negócio do campeonato espanhol.

A entidade máxima responsável pelo futebol profissional em Portugal, a Liga, organizou esta quarta-feira à tarde um seminário online com vários convidados para debater temas da atualidade do mundo futebolístico.

No primeiro painel para discutir o "planeamento integrado de segurança média", a jornalista Cláudia Lopes, moderadora do seminário, recebeu Morten Boesen, médico da Federação Dinamarquesa de Futebol e um dos principais responsáveis pela ressuscitação de Christian Eriksen, estrela do Inter de Milão.

Esse momento que marcou o Europeu de 2020 descreve-o como "de extrema aflição", sendo que "foi uma sorte ter verificado a validade de tudo o que tinha na mala" antes de assistir o jogador caído. Morten Boesen não esconde a importância deste procedimento, já que, em muitos casos, os responsáveis médicos têm produtos, que poderão separar a morte da salvação em campo de um jogador, fora de validade. O médico dinamarquês fala ainda na dificuldade de "reestruturar, em termos psicológicos, uma equipa que criava cenários pessimistas para o desfecho de um colega de profissão muito acarinhado no balneário". O próprio admite: "Precisei de ajuda para conseguir lidar com toda a situação".

No segundo painel, Helena Pires, diretora executiva da Liga Portugal, Sérgio J. Sánchez Castañer, diretor de produção TV - LaLiga, José María Cervantes, diretor de infraestruturas de estádios - LaLiga - e Enric Solano, deputy diretor Enertika, reuniram-se para debater a importância das infraestruturas para um melhor produto televisivo.

A conceção do futebol profissional de um país como um produto é o que as ligas têm que reforçar para conseguirem vender o que melhor podem oferecer. Neste aspeto em específico, a liga espanhola encontra-se mais evoluída que a portuguesa e Helena Pires admite "ver a LaLiga como um exemplo a seguir e com quem se pode aprender imenso no caminho em direção à centralização dos direitos televisivos da nossa Liga". Em direção a este maior objetivo, dado como garantido num futuro próximo, Helena Pires garantiu que "estão a ser dados passos bastante seguros, nesse sentido, mas que ainda há muito para fazer".

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Sérgio Sánchez Castañer reforçou a "importância de haver um exemplo a seguir, mas da igualmente relevante necessidade de procurar a característica que distinga a liga em questão". No caso espanhol, foram as exigências feitas aos clubes para equiparem os estádios, "tendo em vista uma evolução positiva da transmissão de um jogo", tal como "a iluminação adequada, câmaras específicas para a criação de conteúdo exclusivo". Tudo para as pessoas que estão lá em casa que, segundo o diretor de produção TV da LaLiga, "representam 99,5%" da audiência do jogo, sem querer desvalorizar os adeptos no estádio".

José Maria Cervantes, outro dos oradores, assinalou a "dificuldade que clubes mais pequenos têm em tornar a experiência da ida ao estádio mais atraente para os adeptos", sendo que a LaLiga tem como regra geral exigir a todos os clubes "condições standard em termos de infraestruturas", algo que na sua opinião é algo a melhorar em Portugal, já que "ainda existe uma disparidade dos grandes para os clubes de menor dimensão".

O último dos intervenientes, Enric Solano refletiu sobre "os custos elevados aos quais os clubes são obrigados para corresponder a esta norma de infraestrutura", tratando-se de algo que, embora dispendioso, está longe de ser impossível "com a ajuda de financiamento que várias entidades como a que representa - a Enertika - oferecem aos clubes. Segundo o diretor da empresa espanhola, "existe a necessidade de melhorar as infraestruturas dos clubes, já que vão aumentar os valores dos direitos televisivos", objetivo esse que, por norma, todas as ligas têm.

Ressalvando todos estes aspetos, houve um em específico que todos destacaram: "Há que conseguir que as ligas não sejam dependentes de grandes estrelas. A competitividade tem que ser o que atrai os espectadores", apontando para o exemplo inglês da Premier League que atualmente atrai milhões de visualizadores por todo o mundo pela qualidade de futebol apresentada.

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