Troféu

A taça de campeão que todos querem é feita em Gondomar

A taça de campeão que todos querem é feita em Gondomar

A taça entregue este sábado ao vencedor da Liga é produzida em Gondomar, tem dez quilos e demorou dois meses a ser concluída.

Não é fácil lá chegar. É preciso percorrer ruas estreitas da cidade de Gondomar para encontrar a fábrica que dá forma ao sonho de todos os clubes. Fica numa rua sem saída. Para lá do pequeno portão, ouvem-se as máquinas a esculpir o troféu que todos querem erguer no final do campeonato. O dia chegou. O campeão levanta hoje a taça. O símbolo da glória criado pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional.

Quando desenvolveram uma nova imagem para o troféu do campeão nacional, não havia quem o produzisse. Achava-se até que não era "exequível em Portugal" e que teria de se recorrer ao estrangeiro. "Foi posta à prova a nossa capacidade. Na altura pensaram que éramos malucos ou muito bons. Não somos nem uma coisa nem outra, somos arrojados", diz com ar confiante Domingos Guedes, que dá o nome à fábrica que produz o troféu. Foi esta pequena empresa com quase 40 anos que aceitou o desafio e mostrou que afinal era possível ter um troféu 100% nacional. "Eles não acreditavam que nós íamos conseguir. O doutor Tiago Craveiro [diretor-geral da FPF] aparecia aqui logo de manhã. Quando chegavam os funcionários ele já estava à espera para ver a evolução do trabalho. Foi assim que isto nasceu. Com muita luta e determinação conseguimos chegar a este trabalho inédito", conta orgulhoso.

Habituados a fazer peças de joalharia, a principal atividade da fábrica antes de descobrirem o talento para as taças, começaram a construir a peça com o "mimo e a delicadeza" de um ourives. "Isto foi o início de uma epopeia, como aconteceu com os portugueses. Portugal tem tudo, não é necessário irmos lá fora", atira Domingos Guedes. Desde então, a empresa já fez réplicas de todos os troféus alcançados por Cristiano Ronaldo, exibidos no museu madeirense, criou todas as taças em exposição no museu da Federação Portuguesa de Futebol, e até já exporta troféus para fora do país. Milhares de peças seguiram diretamente da fábrica de Gondomar para as mãos dos melhores.

A trabalhar na Domingos Guedes "desde o berço", assim como quase todos os funcionários, Leonel Pinto é o responsável pela produção dos troféus. "Eu acompanho o processo desde o início. As taças passam por mim durante todas as fases", explica. Desde a fundição, até ao banho de prata ou ouro, tudo tem que ficar perfeito. "Cada troféu tem a sua história. A de campeão nacional é um dos que mais gosto me dá fazer porque foi um projeto difícil. É uma taça muito complexa, mas quanto maior é o desafio maior é o gosto", conta.

Depois de dois meses de trabalho e a poucos dias do troféu ser entregue, afinam-se pormenores das peças que compõem a taça. Entre a azáfama do trabalho um dos funcionários atira para o ar: "Só espero que vá parar às mãos do meu clube".

Seguem-se momentos de picardia e desatam gargalhadas na produção. Hoje, brincadeiras e clubismos à parte, já não há nada a fazer. Que seja entregue o troféu ao campeão nacional.

Outros Artigos Recomendados