Desporto

Abertura dos Jogos associou grandiosidade à imagem da Rússia

Abertura dos Jogos associou grandiosidade à imagem da Rússia

A cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de inverno de Sochi provou esta sexta-feira, pela grandiosidade, o quanto as autoridades russas investem na promoção da sua imagem, apesar de a competição estar já entre as mais controversas da história.

Segundo a agência EFE, por exemplo, o presidente Vladimir Putin "entendeu fazer dos Jogos uma montra do país", destacando que a cerimónia decorreu sob notícias de mais ameaças à segurança da iniciativa, nomeadamente a de um viajante de avião de uma companhia turca, detido em Istambul, quando aterrou, pelas forças especiais.

Entre relatos do fogo de artifício, admirado por uma assistência estimada em 40 mil espetadores no estádio olímpico de Fisht, a cerimónia ficou marcada por uma falha técnica no grandioso cenário, pois um dos flocos de neve que se transformavam nos cinco anéis olímpicos não funcionou, ao contrário do que a televisão russa terá mostrado, segundo notícia da AFP.

Porém, a abertura dos Jogos de Sochi, à beira do Mar Negro, está a ser relatada nas agências internacionais como "espetacular, impressionante nos números e efeitos, mas algo 'kitsch' na sua ambição de representar os melhores dias da história russa".

Cerca de nove mil figurantes e três mil artistas, ao que se juntam 22,5 toneladas de fogo-de-artifício, participaram na cerimónia de abertura dos Jogos, os mais caros da história (37 mil milhões de euros) e tidos como o maior evento internacional da Rússia desde o fim da União Soviética, em 1991.

Entre os momentos musicais, destaque para uma versão da canção "Get Lucky", original dos Daft Punk, pelo coro do Exército Vermelho, ainda antes da abertura oficial, ao que se seguiu um dos momentos mais espetaculares, com a representação cénica de várias paisagens da Rússia, desde os vulcões do Kamtchatka às florestas dos Urais, passando pelas tundras e pelo lago Baikal.

A Grécia, primeira das 88 delegações presentes a desfilar, foi acolhida vibrantemente, tal como os países com melhores relações com os russos: Bielorrússia, Cazaquistão, Uzbequistão e Ucrânia, neste caso com o foco na presença do seu presidente ao lado do homólogo da "casa", apesar da conflitualidade diária em Kiev.

Também a Noruega, Canadá e França foram recebidos calorosamente, enquanto os Estados Unidos e seus "aliados" receberam palmas bem menos efusivas.

Antes do último desfile, de todo o combinado russo, que decorreu sob intensa ovação, passou a comitiva portuguesa - dois atletas e dois delegados - e outras delegações com algum significado no "folclore" olímpico, como a da Jamaica - do conhecido bobsleigh Rasta Rocket - e a do esquiador e único venezuelano Antonio Pardo.

Ivan, o Terrível ou Pedro, o Grande (e seus canhões), a Revolução de 1917, representações da grande indústria e música de compositores clássicos russas, tudo serviu para engalanar a "montra" russa, ao longo de quase três horas de cerimónia, que se iniciou às 20.14 horas locais (16.14 horas em Portugal continental).

A pira olímpica, cuja chama ficará ativa até 23 de dezembro, foi acesa pelo antigo hoquista Vladislav Tretyak e a ex-campeã olímpica de patinagem artística Irina Rodnina, últimos a transportar a tocha, que já no estádio passou pelas mãos de outros ilustres desportistas russos, como a tenista Maria Sharapova, a saltadora com vara Yelena Isinbayeva e antiga campeã olímpica de ginástica rítmica Alina Kabaeva.

No seu discurso protocolar, o presidente do Comité Olímpico Internacional, Thomas Bach, insistiu na importância do convívio "sem discriminação" e sugeriu aos dirigentes políticos que "não façam mais do que passar a mensagem dos seus próprios atletas".

Thomas Bach referia-se implicitamente à lei aprovada em junho por Vladimir Putin que proíbe e pune a "propaganda" homossexual perante menores e quem tem sido alvo de inúmeros protestos na Rússia e no estrangeiro, inclusivamente de atletas olímpicos.

Outras Notícias