Portimão

Acelerações só no autódromo numa cidade em ponto-morto

Acelerações só no autódromo numa cidade em ponto-morto

A realização do Grande Prémio de Portugal, neste fim de semana, no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, não está a causar impacto na vivência da cidade. Os comerciantes esperavam mais, sobretudo depois do vazio dos últimos meses, mas só a restauração e hotelaria sentem algum crescimento da atividade.

A realização do Grande Prémio de Portugal em Fórmula 1, que decorre este fim de semana, no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, está a passar ao lado da maioria dos comerciantes da cidade, conforme o JN constatou na manhã deste sábado.

"Nota-se mais gente, lá se vende uma coisinha ou outra, mas muito pouco. Ou vão todos lá para o autódromo, ou não sei. A cidade passa ao lado", refere ao JN, Maria do Carmo, proprietária do Quiosque Praia da Rocha, onde está há 37 anos.

Apesar do tempo ensolarado, que leva ainda muita gente à beira mar, de calções e t'shirt vestida, o trânsito em Portimão nem sequer é mais intenso do que o habitual. "Está tudo muito calmo, não se nota nada de especial, quase não temos serviço, observa, por outro lado, Tiago Silva, taxista na cidade há cinco anos.

Para este profissional, as expectativas de um fim de semana em que salvasse um pouco do que tem sido "o pesadelo" dos últimos meses estão a sair goradas. "Já temos tido outros eventos, de muito menor importância, no autódromo, em que fartamo-nos de fazer serviços para lá. Hoje são muito esporádicos", acrescenta.

A pandemia acaba por ser também apontada como "responsável" por esta "apatia" na opinião de alguns. "Houve muita gente a cancelar reservas à última da hora, quando anunciaram a redução de espectadores", explica Okssana, funcionária da loja de roupa Novo Mundo, na Praia da Rocha.

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Ao lado, uma funcionária da "Shoes and Bags", que vende produtos artesanais e roupas, confirma e abre apenas uma janela de esperança: "Talvez amanhã, antes de se irem embora, as pessoas passem por aqui para comprar umas recordações".

Menos confiante, Okssana diz que "só os restaurantes e bares sentem alguma coisa". "O meu marido, que trabalha num restaurante disse-me que sexta-feira havia mais movimento e que para hoje esperam o mesmo", observa a emigrante ucraniana, acrescentando que, "as pessoas querem é comer e beber e não pensam em compras".

No Quiosque Praia da Rocha, com uma belíssima vista sobre um dos mais bonitos areais do Algarve, Maria do Carmo também não vê grandes esperanças. Nem para a noite deste sábado, nem para o dia de domingo.

"Lá no autódromo, é que eles aceleram muito, aqui, desde o início da pandemia que está tudo em 'ponto-morto', muito longe do que era habitual", refere a comerciante, recordando que mesmo o verão foi "tão fraco" que, pela primeira vez em décadas nem abriu o seu espaço à noite.

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