Ciclismo

Amaro Antunes: "Não saí para tentar ganhar o crono, saí para tentar ganhar a Volta"

Amaro Antunes: "Não saí para tentar ganhar o crono, saí para tentar ganhar a Volta"

Há vários dias que Amaro Antunes, da W52/F. C. Porto, vencedor da edição de 2020 da Volta a Portugal, repetia que a amarela dava força e, esta segunda-feira, terá feito o crono da sua vida para segurá-la, cumprindo os 17,7 quilómetros nas ruas de Lisboa num honroso sétimo lugar, a 31 segundos do seu companheiro galego, que demonstrou ter ainda muito para dar ao ciclismo, com um triunfo estrondoso na oitava e última etapa.

"Não saí para tentar ganhar o crono, saí para tentar ganhar a Volta", admitiu o vencedor, que ficou a 31 segundos do companheiro de equipa Gustavo Veloso, primeiro do contrarrelógio, e bateu Frederico Figueiredo (Atum General/Tavira/Maria Nova Hotel) por apenas 52 segundos na geral, após um contrarrelógio em que António Carvalho (Efapel) foi segundo, a oito segundos, o francês Anthony Delaplace (Arkéa-Samsic) foi terceiro, a 17, empatado em tempo com o vice do ano passado, Joni Brandão (Efapel), que ainda ficou na quarta posição da geral, a 01.23 de Antunes.

A imagem de um ciclista solitário a festejar em solitário será, contudo, aquela que perdurará na memória daqueles que presenciaram a concretização do sonho da vida do trepador algarvio, que vestiu a amarela na Senhora da Graça, onde venceu a segunda etapa, e não mais a despiu.

"Qualquer ciclista português, tem o sonho de vencer uma Volta a Portugal. Ainda por cima, na situação em que estamos, conseguir chegar aqui e ser o camisola amarela... a verdade é que ainda não cai bem na realidade", confessou o algarvio, de 29 anos, que sucedeu ao seu companheiro João Rodrigues, apenas sétimo nesta edição.

Não houve a festa de outros tempos, os abraços dos colegas, um momento de explosão; assim que cortou a meta, Antunes chorou como um menino, agarrado ao capacete, com as lágrimas a escorrerem-lhe pelo rosto durante largos minutos, privado da companhia dos seus devido a uma pandemia que quase impediu que a prova saísse para a estrada. Mais tarde, ao subir ao pódio, deu um suspiro profundo, que justificou com o alívio da "enorme tensão que tinha nas costas".

"Sabia que não podia defraudar a minha equipa, queria retribuir todo o trabalho. Os meus colegas foram incansáveis, deram a camisola por mim. E, acima de tudo, parti com o objetivo de orgulhar a minha mãe, por situações que se estão a passar", revelou.

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Ao vislumbrar a mulher entre o público, o ciclista da W52/F. C. Porto, equipa que conquistou a quinta vitória consecutiva (a oitava da estrutura) e também venceu coletivamente, apressou-se a abraçá-la, com os dois separados pelas baias de segurança e pelo rigoroso e, por vezes, excessivo protocolo sanitário que ensombreceu uma Volta muito pouco especial devido à pandemia de covid-19.

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