Inglaterra

A emocionante carta de despedida de Rudiger

Bernardo Monteiro

Rudiger terminou uma ligação de cinco anos com o Chelsea

Foto Epa/juanjo Martin

Antonio Rudiger está de saída do Chelsea e deixou uma carta de despedida onde fala de superação pessoal e de histórias vividas com companheiros de equipa, que se tornaram irmãos. Ainda não se sabe qual o próximo destino do defesa central, sendo que a hipótese mais falada é o Real Madrid

O alemão, de 29 anos, chegou ao Chelsea na temporada de 2018/19 e, apesar de ter somado vários minutos, inicialmente não era tão decisivo e influente como atualmente. Num dos períodos de menor fulgor, nos quais Rudiger não era um dos elementos chaves da equipa, foi quando o defesa se apercebeu que no futebol tudo muda num piscar de olhos.

"Menos de seis meses antes da final estava no chão, irmão. Tinha sido afastado da equipa e nem sabia porquê. Cheguei a ter uma reunião em que o treinador disse que o plantel tinha várias soluções e que preferia outros jogadores. Boom. Depois surgiram muitos rumores. Estava a ser vítima de abusos nas redes sociais. Foi o período mais difícil da minha carreira, mas fiquei em silêncio porque não queria levantar problemas ao clube. Imagina se me tivessem dito, nessa altura, que depois seria titular na final da Liga dos Campeões", escreveu.

"Mas quando temos fome, nada é impossível. Aqueles que estavam esfomeados, que não tinham nada a perder, foram os mais perigosos. Quando Tuchel chegou e deu-me uma oportunidade, foi uma nova vida para mim. Na verdade, fez logo algo que devia servir de lição a muitos treinadores. E não teve nada a ver com táticas. Simplesmente chegou ao pé de mim e disse: 'Toni, fala-me de ti'. Queria saber de onde vinha a minha agressividade, a minha fome, e eu contei-lhe como tinha sido crescer em Berlim, como era jogar lá, e que os miúdos mais velhos chamavam-me 'Rambo", acrescentou.

Outro dos relatos interessantes na carta de despedida do internacional alemão é a forma como interagia com o médio N'Golo Kanté, conhecido pela humildade e simplicidade com que vive a profissão, normalmente associada a luxos e extravagâncias.

"Antes de assinar pelo Chelsea ouvi todas as histórias bonitas sobre ele. Diziam que ele estava sempre a sorrir. Diziam que ainda conduz um velho Mini Cooper. Diziam que nunca levanta a voz. Mas sabem como funciona no futebol, não sabem? Ninguém é mesmo assim. Há muita pressão, muita desilusão. Somos humanos. Ninguém é assim tão porreiro a toda a hora. É impossível. Mas depois conheci N"Golo. Com N"Golo é tudo autêntico. Até o Mini Cooper. As pessoas riem-se, mas há uma história por trás disso. Ele tinha o sonho de chegar à Premier League, vindo de onde veio, e o Mini foi o primeiro carro que comprou ao chegar a Inglaterra. Para ele não é apenas um carro, tem um significado profundo", revelou.

No final, Rudiger ainda deixou uma palavra ao Chelsea, explicando o processo falhado de renovação de contrato.

"Infelizmente, a negociação da renovação de contrato começou a complicar-se no outono. Negócios são negócios, mas quando ficas sem novidades do clube de agosto a janeiro, a situação fica complicada. Após a primeira oferta seguiu-se um logo período de nada. Não somos robots, sabem? Não podes esperar tantos meses com esta incerteza para decidir o futuro. Claro que ninguém antecipava as sanções, mas, ao mesmo tempo, outros grandes clubes mostravam interesse, e tinha de tomar uma decisão. Vou deixar a questão assim, pois tirando a parte dos negócios, não tenho nada negativo para dizer deste clube", concluiu.

Numa carreira feita em grandes clubes, o alemão jogou por Estugarda, Roma e Chelsea. Ainda é desconhecido qual será o destino de Antonio Rudiger em 2022/23, sendo que uma das hipóteses mais faladas é a ida para o Real Madrid, onde iria reencontrar Eden Hazard, com quem trabalhou no Chelsea.