Inglaterra

Autocarro do Fulham não esperou por João Palhinha e médio teve de arranjar boleia

Sofia Esteves Teixeira

João Palhinha

Foto Afp

O médio contou, esta quarta-feira, um episódio caricato que aconteceu depois do jogo com o Liverpool, a contar para a primeira jornada da Liga inglesa.

Depois de anos no Sporting - intercalados com empréstimos a Moreirense, Belenenses e Braga - João Palhinha decidiu dar mais um passo na carreira esta temporada e aventurar-se na Premier League, ao assinar pelo Fulham, de Marco Silva. As diferenças entre a Liga portuguesa e inglesa são muitas e, mesmo há um mês e meio em Inglaterra, o médio português já tem boas histórias para contar. Primeiro, a estreia logo diante do Liverpool, cujo duelo terminou empatado a duas bolas.

"É sempre bom da maneira como começámos. Aqui é como se fosse Sporting-Benfica ou Sporting-F. C. Porto todas as semanas. Se nos dissessem antes que íamos empatar frente ao Liverpool, eu dizia que era bom mas, no final, não me senti totalmente satisfeito. O ambiente aqui é diferente. Estava um pouco nervoso, principalmente por ser o primeiro jogo em casa. Senti uma ansiedade diferente. Felizmente correu bem. Tentei motivar-me no meu trajeto e lembrar-me o quanto trabalhei para estar num patamar destes. Sempre foi um sonho jogar a Premier League e estar entre os melhores", começou por dizer em entrevista ao Canal 11, admitindo que acabou por ter de regressar a casa... com o roupeiro.

"A seguir ao jogo, em Portugal, estamos habituados a fazer uma entrevista e vamos embora. Aqui não é assim. Acabamos o jogo e ainda falamos a uns cinco canais de televisão. Depois ainda me chamaram para falar para as rádios. Em Portugal, não falamos para as rádios. Só não gostei porque, no final, cheguei lá fora e o autocarro do clube já não estava lá. Não esperou por mim. Pensei 'ui, então ninguém esperou por mim?!'. Tive que apanhar a boleia do roupeiro. Mas são momentos engraçados. Por exemplo, o Bruno Fernandes já me tinha dito que no final dos jogos podia ir para casa a pé. E eu vi alguns colegas meus fazerem isso. Em Portugal isto era impensável. Aqui a mentalidade é diferente", contou entre risos.

Apesar de nunca ter escondido o sonho de jogar na Premier League, João Palhinha - que recordou um treino que fez no Benfica nas camadas jovens e a desilusão de não ter recebido qualquer resposta - admitiu que, quando recebeu a proposta do Fulham, não aceitou logo. Pelo contrário, já que deixar o Sporting foi uma decisão que lhe custou muito.

"Tinha o objetivo de jogar na Premier League. A juntar a isso, o facto de o Fulham ter um treinador português também ajudou. Falámos duas ou três vezes por telefone e isso teve muita importância para mim. O facto de me ter aliciado foi muito importante. O míster conhecia-me e sabia da minha capacidade. Era o momento certo para sair do Sporting. Fechou-se um ciclo. Acho que a própria estrutura também pensou isso. Que eu saiba, só tive a proposta do Fulham. Foi o que me chegou e o que mais me motivou. Não foi uma decisão fácil. Não disse logo que sim. Tinha o objetivo de jogar na Premier League, mas não era fácil trocar o clube que me fez jogador, onde cresci. Estes últimos anos que tive no Sporting marcaram-me. Foi uma boa escolha. E o Ruben Amorim vai ser sempre um treinador muito especial para mim", vincou.