Londres

"Em dois anos nada mudou". Atleta Ricardo Dos Santos parado de novo pela polícia britânica

JN

Em 2020, o velocista foi acusado pela polícia de cheirar a canábis

Foto Dr

Depois de, em 2020, ter sido parado pela polícia, algemado e acusado de cheirar a canábis, o velocista português Ricardo Dos Santos voltou a ser alvo de uma operação stop da polícia britânica, com sete agentes armados e a exibirem bastões. O episódio foi filmado, "por preocupação", e o velocista garante que vai dar seguimento ao caso na justiça.

O atleta português Ricardo Dos Santos, que, em 2020, acusou a polícia londrina de "perseguição" e discriminação racial durante uma operação stop, voltou a ser parado, este fim de semana, por agentes armados, quando seguia para casa, em Londres.

O velocista de 27 anos fez várias publicações no Twitter a revelar os momentos em que foi parado e interrogado. Segundo avança a BBC, a polícia estava preocupada que Ricardo estivesse a conduzir e a falar ao telemóvel. No entanto, o recordista dos 400 metros garante que o telefone estava apenas pousado juntos às suas pernas, acusando as autoridades de "excesso de zelo".

Nas redes sociais, Ricardo afirmou não estar surpreendido com a situação, mas "irritado" por nada ter mudado em dois anos. "Porque é que sete polícias armados precisam de estar presentes quando eu estava sozinho? Dois ou três, no máximo, seriam suficientes", defendeu.

E prosseguiu com a descrição do episódio. "Depois de ter parado, dois polícias correram para as laterais do carro, um deles bateu com o punho cerrado na minha janela e tentou abrir a porta. Sem saber como usar o puxador do carro Tesla, pegou no bastão, frustrado, pronto a partir o vidro". O atleta apresentou, entretanto, uma queixa pela forma como a operação foi efetuada.

O caso ocorrido em 2020, altura em que Ricardo e a mulher - a também velocista Bianca Williams - seguiam no carro com a filha bebé, foi levado à Agência Independente para a Conduta Policial (IOPC). A instituição anunciou, depois, que um sargento e quatro polícias enfrentariam uma audiência disciplinar por má conduta grave.

As autoridades defenderam que Ricardo não acatou a ordem de paragem, mas o velocista garante que, apesar de ter reparado que estavam a ser seguidos, ninguém os mandou parar. Ao chegarem a casa, saíram do carro e, assegura, foram algemados e acusados de cheirar a canábis. O desportista afiançou que nunca tinha fumado, que era um atleta profissional e que até estaria disponível para que lhe efetuassem um teste de deteção de drogas, que nunca aconteceu.

A propósito da operação stop deste domingo, Ricardo revelou ainda ter avisado a polícia de que o seu carro estava equipado com câmaras. "Estava preocupado com a minha segurança, tanto que liguei à Bianca para ela aceder às imagens das câmaras e ver o que ia acontecer depois de eu encostar o carro".

Num comunicado entretanto divulgado, a polícia britânica revela que, "depois da conversa, o veículo foi autorizado a seguir viagem". "Desde então, contactámos o condutor via Twitter para convidá-lo a discutir o assunto", pode ainda ler-se na nota. Dos Santos garante, todavia, que não está para conversas e que será o seu advogado a dar seguimento ao caso.