Tóquio2020

Hassan começou bem a aposta nos três ouros

Foto Jewel Samad / Afp

O fim do 'reinado' olímpico do Quénia nos obstáculos e o bem-sucedido início da 'louca' aposta da neerlandesa Sifan Hassan em provas de fundo, com o triunfo nos cinco mil metros, foram o destaque no atletismo de Tóquio2020.

Portugal esteve muito bem representado por Liliana Cá, quinta na final do lançamento do disco, no que foi o melhor resultado de sempre de lusas nessa especialidade.

De manhã, Sifan Hassan apurou-se para a meia-final de 1.500 metros, depois de cair e ainda ter conseguido chegar ao primeiro lugar. À noite, ganhou a final de 5.000 metros, graças a uma volta final fantástica, a dar ideia de que poderá mesmo ser bem-sucedida no triplo triunfo em 1.500, 5.000 e 10.000 metros.

A atleta, refugiada da Etiópia ainda júnior, não se tem livrado da má fama ligada ao doping, por ter feito parte do grupo de treino do controverso treinador Alberto Salazar, entretanto expulso do atletismo. Muito criticada por isso há dois anos, não deixou de ser eficaz no tartan e em Doha2019 ganhou a aposta inédita de dobrar 1.500 e 10.000 metros.

Agora, quer mais e está no bom caminho, pelo que hoje se viu. Regressa à pista quarta-feira, para as semifinais de 1.500 metros.

Hassan, que é a recordista europeia das três distâncias, ganhou hoje em 14.36,79 minutos, contra 14.38,36 da queniana Helen Obiri, que assim é pela segunda vez medalha de prata. A etíope Gudaf Tsegay concluiu em terceiro, com 14.38,87.

Mais traumática foi a derrota queniana nos 3.000 metros obstáculos masculinos, a especialidade por excelência do país e que desde 1968 só não foi de ouro para o Quénia nas duas edições boicotadas - uma sequência de 11 títulos, dos quais nove consecutivos.

O marroquino Soufiane El Bakkali foi quem pôs fim à série de nove triunfos consecutivos, vencendo a corrida em 8.08,90 minutos. Em segundo lugar chegou o etíope Lamecha Girma e em terceiro o queniano Benjamin Kigen, a atenuar um pouco a derrota histórica da grande potência da modalidade.

A sessão da noite foi grandemente 'arruinada' pela chuva, que obrigou mesmo à suspensão temporária da final de lançamento do disco e à qualificação da vara em femininos, afetando a qualidade das marcas.

Com um registo anterior ao início do 'dilúvio', a norte-americana Valarie Allman deu o terceiro ouro de sempre ao seu país, depois das edições de 1932 e 2008.

Confirmou-se a tendência de lançamentos da melhor marca ser a primeira - assim foi, com 68,98 metros.

Allman, campeã norte-americana e em grande forma este ano, superou no pódio a alemã Kristen Pudenz (66,86) e a cubana Yaimé Pérez (65,72), a campeã mundial em título.

Bicampeã olímpica em Londres 2012 e Rio2016, a croata Sandra Perkovic ainda conseguiu ser quarta, com 65,01, um lugar à frente da portuguesa Liliana Cá, que chegou a ser terceira posicionada, antes da chuvada.

Cá, que é recordista nacional, sucedendo a Teresa Machado, 'destrona' também a histórica lançadora aveirense como melhor lusa em Jogos Olímpicos.

Mais cedo, ainda na jornada da manhã, tinham sido disputadas as finais de 100 metros barreiras femininos e salto em comprimento masculinos, com triunfos para Porto Rico e Grécia, respetivamente.

A porto-riquenha Jasmine Camacho-Quinn ganhou nas barreiras, relegando para a prata a norte-americana Kendra Harrison, recordista do mundo, e para o bronze a jamaicana Megan Tapper.

A vencedora correu em 12,36 segundos, um décimo mais lenta do que fizera domingo na semifinal, no que foi recorde olímpico e sétima marca mundial de sempre.

Kendra Harrison, vice-campeã mundial, sai de Tóquio com a sua primeira medalha olímpica, depois de ter falhado a qualificação para os Jogos Rio2016.

O grego Miltiadis Tentoglou é o novo campeão do salto em comprimento, com 8,41 metros, exatamente a mesma distância medida ao segundo, o cubano Juan Miguel Echevarria, grande favorito na prova.

Foi necessário recorrer ao critério de desempate pelo segundo melhor salto para o grego, atual campeão europeu, vencer, já que marcou 8,15 contra 8,09 do cubano.

Maykel Masso, também de Cuba, completou o pódio, conseguindo o bronze com a marca de 8,21 metros, numa final em que sete atletas saltaram acima de oito metros.

O jamaicano Tajay Gayle, campeão mundial, lesionou-se e terminou na 11.ª posição, com a marca de 7,69 metros.