Futebol

Liga quer penalizações maiores e segurança apertada para travar violência nos estádios

Vasco Samouco

Implementação depende do Governo

Foto Gerardo Santos / Global Imagens

A Liga de Clubes pretende reformular os regulamentos internos já na próxima época. Para além disso, avançou com mais sugestões para haver mais segurança nos recintos. Implementação depende do Governo.

Os mais recentes e recorrentes episódios de violência nos estádios do futebol português levaram a Liga de Clubes a agir para combater o triste fenómeno. Na sequência de reuniões com a Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência (APVDC), a entidade que dirige o futebol profissional apresentou, em Viseu, oito medidas para intensificar a luta e tentar resolver o problema, que estão em análise tendo em vista uma possível implementação. Este encontro, que decorreu ontem, contou ainda com representantes da Federação de Andebol de Portugal, da Federação de Patinagem de Portugal, da Federação Portuguesa de Futebol e da Federação Portuguesa de Voleibol. A APVDC salienta "a importância de unir esforços na construção de uma cultura de hospitalidade e respeito mútuo, em que os adeptos se sintam seguros, confortáveis e bem recebidos". Ao que o JN apurou, a Liga de Clubes pretende, desde logo, reformular os regulamentos internos já a partir da próxima época (2023/24) de maneira a haver "maior celeridade processual e maiores penalizações" e, para isso, já foi constituído um grupo de trabalho para preparar as propostas e levá-las a votação numa próxima assembleia-geral. Entre as restantes medidas, destaca-se também a "criação de um modelo que permita o controlo nominativo no acesso aos recintos desportivos", isto é, um mecanismo que permita controlar a entrada nos estádios através do nome dos adeptos, tornando a identificação dos mesmos mais fácil em caso de causarem distúrbios. Para além disso, a Liga defende a necessidade de "intervenção efetiva das forças de segurança no interior do recinto desportivo em casos de desordem e comportamentos incorretos" e um controlo mais apertado à entrada de artefactos proibidos nos estádios. A Liga pretende ainda "sensibilizar o sistema judicial para garantir que, nas situações adequadas, é utilizada a medida acessória de apresentação na esquadra". "Finalizar o processo de registo conjunto com a APVDC de regulamentos de segurança dos estádios" é outra urgência para a entidade. A realização de ações de prevenção e de workshops destinados aos adeptos também faz parte das sugestões. Acrescente-se que a implementação da maioria destas medidas está dependente de decisões da Administração Pública e do Governo. A segurança e a luta contra a violência têm sido uma preocupação recorrente da entidade presidida por Pedro Proença, o que, ao longo dos últimos anos, já levou à implementação de outras medidas. A profissionalização da Comissão de Instrutores, o aparecimento da figura do diretor de segurança e a criação do grupo de trabalho com a Associação Portuguesa do Adepto e a APVCD são algumas delas.

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