Futebol

"Um predador sexual". Benjamin Mendy acusado de violar mulheres em "quartos de pânico"

Sofia Esteves Teixeira

Benjamin Mendy

Foto Epa

O internacional francês Benjamin Mendy, acusado de várias violações, terá tido a ajuda de um amigo para procurar mulheres, de quem abusava sexualmente em "quartos de pânico". Caso vai continuar em julgamento.

Decorreu, esta terça-feira, mais uma sessão de julgamento referente ao caso de Benjamin Mendy, acusado de várias violações. Na sessão reservada ao Ministério Público, o futebolista, acusado de abusar sexualmente de oito mulheres, de uma tentativa de violação e de um crime de abuso sexual foi considerado um "predador sexual" que mostrou "indiferença" e "insensibilidade" face às várias acusações de que foi alvo.

Os alegados crimes terão acontecido em Prestbury, Cheshire, na casa do jogador do Manchester City, e as vítimas terão sido abusadas em "quartos de pânico", segundo disse Timothy Cray, procurador britânico que está com o caso, ao júri, adiantou o jornal "The Times". A mesma publicação adianta que os telemóveis das vítimas eram confiscados e, só numa noite, Mendy terá violado três mulheres. Mas não terá agido sozinho. O procurador adiantou, também, que o atleta teve a ajuda de um amigo, Louis Saha Matturie, de 40 anos, e duas mulheres disseram à polícia que foram "passadas" entre os dois homens na isolada mansão multimilionária de Mendy perto de Prestbury, na qual este dava festas na piscina,

De acordo com Timothy Cray, Benjamin Mendy terá aproveitado a sua riqueza e fama para atrair mulheres à mansão e violá-las enquanto estavam tão embriagadas "que tinham pouca ou nenhuma memória dos incidentes". O procurador explicou, ainda, que as divisões onde decorriam os crimes tinham fechaduras especiais para que, em caso de assalto, só conseguissem ser abertas por dentro.

"A questão é que tem de se saber como abri-las por dentro, talvez se veja como as testemunhas possam ter ficado com a impressão de que estavam trancadas. Em julho do ano passado, Matturie ofereceu-se para pagar a uma mulher para ir a uma festa na casa de Mendy. A mesma mulher alegou, mais tarde, à polícia que Mendy a violou na sala de cinema da casa sem preservativo. Estas mulheres eram descartáveis para eles. Eram para serem usadas para sexo e depois atiradas para um lado. A perseguição destas 13 mulheres pelos arguidos transformou-os em predadores, que estavam preparados para cometer delitos sexuais graves", disse.

Cinco das mulheres que testemunharam alegam ter sido violadas somente por Mendy, e seis exclusivamente por Matturie. Outra mulher, que acusa os dois homens, afirma que tinha 17 anos na altura em que foi violada. "É outro capítulo de uma história muito antiga: homens que violam e agridem sexualmente mulheres porque pensam que são poderosos e porque pensam que podem escapar impunes", acrescentou o procurador.

Em maio último, Benjamin Mendy declarou-se inocente em tribunal, negando qualquer culpa nos 10 crimes de que está acusado por seis mulheres, e que terão sido cometidos entre outubro de 2018 e agosto de 2021, na sua casa em Prestbury.

Depois de vários meses em prisão preventiva, Mendy, campeão mundial em 2018 e que tem contrato com o Manchester City, foi colocado sob supervisão judicial em meados de janeiro passado. O internacional francês, que começou no Le Havre, passou pelo Marselha e depois esteve uma época no Mónaco, tornou-se, em 2017, o defesa mais caro da história, quando o Manchester City pagou 60 milhões de euros.

Em agosto passado, o Manchester City, clube no qual alinham os portugueses Rúben Dias, João Cancelo e Bernardo Silva, suspendeu o internacional francês, de 27 anos, sem dar qualquer explicação.