Opinião

Uma vitória à campeão

Arnaldo Martins

Já sei que os portugueses não morrem de amores por Fernando Santos, muito pelo contrário, e também não vou ganhar seguidores no Instagram com este comentário, mas a verdade é que o "Engenheiro" mexeu bem na equipa e ajudou a seleção a superar um obstáculo de respeito.

Num jogo duríssimo, com uma seleção sul-americana "ranhosa", no bom sentido do termo, vi um Portugal muito adulto, matreiro, e a jogar para ganhar. Uma vitória à campeão, com altos e baixos, obviamente, porque isto é o Mundial, não é propriamente o Torneio do "Júlio Garganta", que se jogava há uns anos na Foz, no Porto. Há quatro anos, esta mesma seleção uruguaia eliminou-nos no Rússia 2018, estava eu com os pés debaixo da mesa no casamento do meu amigo Norberto. Desta vez, no frenesim da redação, vi o Diogo Costa a segurar a muralha, um monstro chamado Pepe, tal como Fernando Santos o apelidou na véspera, um Bruno Fernandes a destrocar e um Ronaldo, que só com a sua presença, impõe respeito aos adversários. Sinceramente, ainda não vi muito melhor neste Mundial. Até podemos perder com a Coreia do Sul e borrar a pintura, mas, para já, não se pode apontar muito a esta seleção, embora haja sempre margem e potencial para fazer mais e melhor. Ronaldo acabou por não igualar Eusébio em golos (9) nos Mundiais, porque a FIFA (e bem) atribuiu o golo a Bruno Fernandes e, no penálti, CR7 não estava em campo. Mas a procissão ainda vai no adro.