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Antigo fisioterapeuta do Flamengo faz vida nos distritais do Porto

Antigo fisioterapeuta do Flamengo faz vida nos distritais do Porto

Luiz Pedrosa foi fisioterapeuta da mais ilustre equipa da história do Flamengo, campeoníssima do Brasil, da América do Sul e da Taça Intercontinental e cuida agora da saúde dos jogadores do S. Pedro da Cova.

Por estes dias, à boleia de Jorge Jesus, este carioca de 69 anos (20/03/1950) recorda e revive essa época dourada do "Mais Querido", como se canta o emblema do Rio. E entusiasma-se: "Torço pelo Flamengo, mas torço ainda mais por Jesus". E ainda que por conta de outrem, o arrebatamento de Pedroza por JJ tem a sua dose de desforra pessoal, porque também sentiu por cá resistência idêntica à que o treinador português tem entre os pares brasileiros.

"Quero que Jesus ganhe, que vença, que fique mais três ou quatro anos no Flamengo e que continue a provar aos treinadores de lá que têm muito a aprender com ele. Quero que o Jesus ganhe para mudar aquelas mentalidades. Ele levou metodologia", diz o "recuperador, fisioterapeuta e massagista", como gosta de se apresentar.

Pedroza não se alonga na explicação destes instintos corporativistas e nacionais, que ele próprio diz ter enfrentado do lado de cá. "É normal", resigna-se o profissional que ofereceu os serviços a clubes da Primeira Liga, mas que só recebeu resposta do Sporting, ainda que a simpática carta dos leões fosse para lhe anunciar que os quadros estavam completos.

Mesmo assim, não deixou de se cruzar com jogadores que conheceu do outro lado do Atlântico, patrícios como Polga e Luisão. "E outro muito especial, o meu amigo Derlei, que era vizinho lá em Madureira".

Pára-quedista militar, podia ter seguido carreira castrense, mas foi o curso de fisioterapia, que concluiu aos 23 anos, que dele fez um trota-mundos, o que o levou, entre outros destinos, à seleção de Omã. Ficou 12 anos no sultanato e só de lá saiu por causa da Guerra do Golfo. Andou pelos Estados Unidos, a cuidar da biomecânica do maratonista Ronaldo Costa. Serviu campeões do squash no Paquistão e do ténis na Índia.

Pedroza voltou ao Brasil e trabalhou para o Comité Olímpico. Até que surgiu o último apelo ultramarino. "Em 2004, um médico amigo casou com uma menina do Porto e abriu uma clínica. Eu vim para ajudar. Vim por dois anos. Ficámos até hoje, eu e minha mulher, que é neta de portugueses. E há 10 anos que não saio", conta este biomecânico, nada incomodado com a passagem discreta pelos regionais do Porto.

O Ermesinde, o Aliados de Lordelo, o Gondomar e o Sobrado também estão no rasto deste profissional, que, além do futebol, ganha a vida em atendimento domiciliário no Porto. "Ando sempre com a clínica às costas", observa.

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