Futebol

Árbitro suspenso por adulterar relatório de jogo recorre para o Tribunal Arbitral

Árbitro suspenso por adulterar relatório de jogo recorre para o Tribunal Arbitral

É árbitro, de primeira e internacional, de futebol de praia e futsal. Foi castigado, em janeiro, a três meses de suspensão pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) por, alegadamente, ter adulterado o relatório de um jogo. Mas recorreu para o Tribunal Arbitral do Desporto, que vai julgar o caso.

Wilson Castanheira Soares foi suspenso por "infração de falsificação de relatório de jogo ou prestação de falsas declarações ou informações, nos termos do Regulamento Disciplinar".

O processo foi-lhe instaurado por causa do relatório do jogo entre o GD Alfarim e o Sporting CP, para a Taça de Portugal, disputado em agosto de 2019, no qual o juiz da partida expulsou o jogador do GD Alfarim, Diogo Marques. No relatório escreveu que o atleta, estando a bola já fora das quatro linhas, pontapeou-a, propositadamente, na sua direção, tendo-o atingido na cabeça e na cara. O Conselho de Disciplina viu o vídeo do lance e concluiu que o árbitro mentiu.

Mas este não se conforma: "Quando a bola já se encontrava fora do terreno de jogo, sem quaisquer dúvidas, e numa distância, seguramente, superior a meio metro, como também se vislumbra pelas imagens, o que é já uma distância considerável para a dinâmica de um jogo de futebol, pontapeou-a com bastante força, na direção do árbitro, tendo-o atingido na zona da face/cabeça", explica, no recurso.

E, prosseguindo, explica: "O jogador pontapeou a bola contra o árbitro num evidente comportamento de fúria ou protesto, eventualmente por não ter sido marcada uma possível falta segundos antes da bola sair, quando se encontrava a disputá-la com dois adversários."

E acrescenta: "Tudo o mais são, salvo o devido respeito, suposições de quem nunca arbitrou um jogo de futebol de praia ou de futsal. A decisão é totalmente injusta. Não me cansarei de o dizer!".

Em resposta, a FPF, embora sem se pronunciar sobre a expulsão em si, mantém as razões da decisão, dizendo que o árbitro faltou à verdade quando escreveu que, ao chutar a bola, "estava a olhar fixamente" para ele, e desmentindo que o lance tenha sido propositado, posto que foi uma jogada corrida, para evitar que a bola saísse.

Nega, ainda, que o jogador não tenha feito um gesto de desculpa ou lamento pelo facto, conforme o árbitro escreveu.

Contactado a propósito, o advogado Nuno Albuquerque, juiz do TAD, que marcou a audiência para terça-feira, dia 22, por videoconferência, escusou-se a tecer comentários.

Outras Notícias