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Aurélio Pereira

As histórias do "Olho de Ouro" do futebol português

As histórias do "Olho de Ouro" do futebol português

Aurélio Pereira lançou, esta quinta-feira, o livro "Ver para Crer", em coautoria com Rui Miguel Tovar, onde relata muitas histórias de uma vida ligada ao futebol e ao Sporting, onde se destacam, claro, nomes como Paulo Futre, Luís Figo e Cristiano Ronaldo, que foram descobertos pelo antigo treinador e olheiro.

Mais de 50 anos de ligação aos leões davam para escrever um livro e foi isso mesmo que Aurélio Pereira fez, revelando a forma como descobriu muitos dos talentos do passado e presente do desporto-rei português, a começar por alguém "que voava, parecia um passarinho".

"Mal lhe meti a vista em cima, fiquei de boca aberta, estilo: 'Eh, pá, o que é aquilo?' Era o Paulinho, que jogava com a cédula de outro jogador porque ainda não tinha idade para entrar no torneio". O Paulinho era nem mais nem menos do que Paulo Futre que, com oito anos, jogava na equipa Estabelecimentos Cancela, do Montijo, frente a miúdos de 10 e 11 anos.

Depois de falar com a família, Futre rumou a Alvalade e o estilo até motivou críticas a Aurélio Pereira, por "permitir que ele não passasse a bola a ninguém". "Seja. Futre é Futre, não há igual", justifica o antigo treinador que, no entanto, nunca deixou que ninguém quebrasse as regras, os "dez mandamentos".

Um treino falhado era ausência certa da convocatória e foi isso que aconteceu a Futre mesmo que, por essa altura, dormisse em casa de Aurélio Pereira nas vésperas dos jogos para não ter de fazer a viagem para o Montijo. É apenas uma das muitas histórias que o olheiro recorda na publicação, lembrando, por exemplo, que o antigo jogador do F. C. Porto, Atlético de Madrid e Benfica, entre outros, "dormia horas a fio nos autocarros a caminho dos jogos". "Onde? No chão, embrulhado no saco-cama".

Sobre Luís Figo, a primeira memória é a "personalidade vincada" que já mostrava aos 12/13 anos quando apareceu nas captações do Sporting. Como o treinador da altura, João Barnabé, demorava a tomar uma decisão, o antigo capitão de Barcelona e Real Madrid não demorou a mostrar ao que ia: "Ó mister, decida-se, senão vou-me embora hoje".

Sem grande surpresa, Cristiano Ronaldo é uma das figuras principais da obra de Aurélio Pereira, revelando que foi o núcleo do Sporting do Funchal a pagar o bilhete de avião do atleta rumo ao continente para uma semana de estágio em Alvalade.

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"Ao segundo dia, já sabíamos que o queríamos. Tinha traquejo com a bola, velocidade, imaginação. Mas, acima de tudo, reparei como dominava o ambiente. Falava, dava ordens, gritava. Todos os outros miúdos olhavam para ele como uma coisa rara, um talento", revela o antigo olheiro.

"Era tão bom que se metia a dar toques na bola no pavilhão por debaixo da bancada e até os seniores iam vê-lo", recorda, sobre CR7, que "representa o futebol de rua na sua plenitude".

Aurélio Pereira defende que o futebol "é um jogo jogado por humanos". "Há exceções, como Futre, Figo, Ronaldo e outros. Ronaldo caiu como um óvni. Foi um ET", escreve, justificando os 25 mil euros que o Sporting perdoou ao Nacional, por uma dívida em relação a outro jogador, só para ficar com o atual capitão da seleção.

"Apesar de parecer exagerado o custo pretendido por este jovem de 12 anos, poderá no futuro ser um grande investimento, face à qualidade demonstrada nos testes". Foi assim que Aurélio Pereira justificou o investimento à direção do Sporting, antes de rumar à Madeira para assinar com o futuro melhor do Mundo.

"Falámos, jantámos e assinámos. Foi a 7 de junho de 1997. Ele só me perguntava: "onde está a caneta?". Já aí se mostrava um miúdo com olho vivo e pé ligeiro. Nunca me esquecerei dos olhinhos dele, a brilharem intensamente, ao lado da mãe, Dolores, que é uma sportinguista dos sete costados. O pai também estava e até bebemos uma poncha", recorda.

"Com a sua tenacidade, vai jogar nas calmas até aos 39/40 anos", vaticina Aurélio Pereira. E é melhor não duvidar de quem descobriu grande parte dos talentos nacionais e que merecia, segundo Paulo Futre, receber o prémio "Olho de Ouro".

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