Fórmula 1

As razões do mau início de Lewis Hamilton no Mundial

As razões do mau início de Lewis Hamilton no Mundial

Piloto da Mercedes está no sexto lugar ao fim de quatro Grandes Prémios, já a quase 60 pontos do primeiro. Monolugar da marca alemã não tem dado uma boa resposta ao novo regulamento técnico, mas Hamilton está a fazer pior do que o companheiro de equipa, George Russell.

Sete vezes campeão mundial, quatro das quais de forma consecutiva, entre 2017 e 2020, antes de perder "in extremis" o título do ano passado para Max Verstappen (Red Bull), Lewis Hamilton começou mal a época de 2022, com resultados muito abaixo do habitual, que o colocam já numa posição complicada no que diz respeito à luta pela vitória no campeonato de Fórmula 1.

Nas quatro primeiras provas do Mundial, o piloto da Mercedes não fez melhor do que um 3.º posto, na corrida de abertura (Bahrein), seguindo-se um 10.º (Arábia Saudita), um 4.º (Austrália) e um 13.º (Itália). Em 2021, decorrido o mesmo número de provas, Hamilton tinha três triunfos (Bahrein, Portugal e Espanha) e um segundo lugar (Itália).

Depois de, no domingo passado, ter ficado fora dos pontos no circuito de Imola, com uma volta de atraso em relação ao vencedor (Verstappen), o piloto inglês ouviu do chefe da equipa, Toto Wolff, um "mea culpa" pelo 13.º lugar. "Lewis, peço desculpa por teres de guiar este carro inguiável. Foi uma corrida horrível. Vamos conseguir sair disto", disse Wolff, via rádio, ao que Hamilton respondeu: "Vamos continuar a trabalhar para darmos a volta".

Mudanças na aerodinâmica

Essas foram as únicas palavras que se ouviram ao heptacampeão mundial num dia em que a Mercedes mostrou estar muito longe dos melhores carros do Mundial, nomeadamente dos Red Bull e Ferrari. Desde o início da era híbrida, em 2014, a maior revolução técnica de sempre na F1, que a marca alemã não estava tão atrás dos rivais. Mas o que poderá justificar este declínio?

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De uma forma simplista, pode dizer-se que a Mercedes não teve, neste início de época, a melhor abordagem às novas especificações técnicas e mecânicas do regulamento da Fórmula 1, focadas principalmente na aerodinâmica.

Com mudanças no design dos bólides, a ideia foi permitir que os carros andem mais próximos uns dos outros e ajudar nas ultrapassagens, reduzindo a turbulência, o chamado "ar sujo", para quem vinha atrás. As asas traseiras e dianteiras passaram a ter menos elementos e mais linhas arredondadas, que ajudam a desviar o fluxo de ar, aumentando a estabilidade e a aderência.

No fundo, a FIA optou por carros mais simples do ponto de vista mecânico, com alterações nas suspensões, no amortecimento e no nariz dos monolugares. À procura de mais competitividade, isto traduz-se em novas oportunidades para as equipas que não disputam o título e mais pressão para alguns dos últimos campeões, como Hamilton.

Russell surpreende

Nos resultados dos quatro primeiros Grandes Prémios da temporada, salta à vista a curiosidade de, no seio da Mercedes, George Russell estar a conseguir melhores desempenhos do que Lewis Hamilton. O piloto que na época passada estava na Williams obteve até agora um 4.º lugar (Bahrein), um 5.º (Arábia Saudita), um 3.º (Austrália) e um 6.º (Itália), ocupando a quarta posição no Mundial, com 49 pontos, mais 21 do que Hamilton, que está no sexto posto de uma classificação em que os dois primeiros são Charles Leclerc (Ferrari), com 86, e Max Verstappen (Red Bull), com 59.

Os analistas têm uma explicação curiosa para este facto, relacionada com a agressividade dos dois pilotos em pista. Enquanto Hamilton é mais acutilante e, por isso, sente mais dificuldades em tirar o melhor proveito do monolugar, a condução mais suave de Russell permite-lhe não perder tanto tempo em determinadas partes dos circuitos, nomeadamente nas curvas. Além disso, a carreira de Russell foi toda feita num dos piores carros da grelha, quando estava na Williams, e o salto para a Mercedes dar-lhe-ia sempre outro tipo de possibilidades, por muito que o carro não esteja tão forte como nos últimos anos.

Otimismo para dar a volta

Em 2021, ao fim de quatro corridas, a Mercedes liderava o Mundial de Construtores, com 141 pontos, praticamente o dobro dos que soma atualmente (77), mas Wolff mantém a calma e até elogia a forma como Hamilton e Russell estão a trabalhar em conjunto.

"Não podia estar mais satisfeito com a nossa dupla de pilotos. Penso que são dois dos três melhores do Mundial e merecem um carro que possa lutar na frente das corridas", afirmou o diretor da Mercedes, antes de se referir explicitamente a Lewis Hamilton.

"O problema não é dele. Não é ele que está num momento mau. O carro é que está. Estamos a falar do melhor piloto do Mundo, sete vezes campão mundial. A máquina e o equipamento que têm à disposição não lhe permitem ter um rendimento à altura. Ficar em oitavo, 12.º ou 15.º é irrelevante. Será sempre muito mau. Mas as grandes estrelas reagem sempre e ele vai ajudar-nos a resolver esta situação".

O próximo Grande Prémio será o dos EUA, no circuito de Miami, entre os dias 6 e 8 de maio.

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