Transferências

Barcelona gastou mais de 700 milhões de euros desde a saída de Neymar

Barcelona gastou mais de 700 milhões de euros desde a saída de Neymar

Desde a saída de Neymar do Barcelona em 2017 que o clube catalão ainda não encontrou um substituto que tivesse o mesmo impacto que o brasileiro. No total, foram mais de 700 milhões de euros gastos em transferências em apenas três anos.

Neymar teve um impacto enorme nas três épocas que passou em Barcelona. Em 186 jogos, marcou um total de 105 golos e realizou 77 assistências. Conquistou ainda uma Liga dos Campeões, um Mundial de Clubes, uma Supertaça Europeia, duas La Liga, três Taças e uma Supertaça de Espanha.

Desde que se transferiu para o Paris Saint-Germain, que o Barcelona tem estado à procura de um substituto à altura da qualidade do brasileiro. Philippe Coutinho, Ousmane Dembélé e Antoine Griezmann foram as contratações mais dispendiosas, mas falharam, até ao momento, em atingir o nível pretendido.

Coutinho, Dembélé e Griezmann: milhões sem rendimento

Coutinho custou ao Barcelona 145 milhões de euros e não se conseguiu afirmar em Espanha como fez em Inglaterra, ao serviço do Liverpool. Foi alternando entre jogar no meio-campo e a extremo esquerdo, mas as dinâmicas coletivas nunca lhe permitiram atingir o nível antes apresentado. Foi emprestado esta temporada ao Bayern de Munique, onde não se afirmou como titular absoluto.

O percurso de Dembélé está a ser marcado por várias lesões. O francês chegou a Barcelona proveniente do Borussia Dortmund a troco de 125 milhões de euros. No total, já falhou 86 jogos pelo clube devido a lesão, mais do que aqueles que realmente jogou (74). Apesar de ser um desequilibrador nato e um jovem ainda com potencial, o percurso no Barcelona está a ser instável.

PUB

Griezmann foi a grande contratação do clube para a presente temporada: custou 120 milhões de euros. É um jogador muito talentoso, com grande capacidade de movimentação e tomada de decisão. Porém, o facto de ter de jogar à esquerda do ataque dificultou o seu processo de adaptação. As exibições coletivas são instáveis e de um nível abaixo do expectado e Griezmann também é vítima disso.

Pouco rendimento e a política de contratações contra a filosofia do clube

A filosofia do Barcelona é clara: potenciar as joias que a formação oferece. Xavi, Iniesta, Busquets, Messi, entre outros, foram todos jogadores formados no clube e são figuras da história dos catalães. Porém, recentemente, a equipa tem alterado a política de transferências e apostado mais em contratações dispendiosas do que em dar minutos aos mais jovens.

Prova disto é a quantidade de dinheiro que o Barcelona gastou em contratações em apenas três épocas: cerca de 743 milhões de euros. Este investimento trouxe duas La Liga, uma Taça e Supertaça de Espanha. À partida não parece um mau retorno, no entanto, as eliminações na Liga dos Campeões, principalmente a da época passada frente ao Liverpool, mostram que talvez não tenha havido assim tanto retorno.

A nível individual as contratações mais dispendiosas do Barcelona deixaram muito a desejar. Pelos valores gastos, esperava-se que a equipa fosse mais longe na Liga dos Campeões do que tem ido. Na época passada, depois de ter vencido o Liverpool por 3-0 nas meias-finais, foi eliminada ao perder por 4-0 em Inglaterra na segunda mão.

Em 2017/2018, o Barcelona foi eliminado nos quartos-de-final pela Roma, depois de uma reviravolta épica. Venceu por 4-1 na primeira mão, mas foi derrotado por 3-0 em Itália no segundo jogo.

A presente temporada também não está a correr de feição ao Barcelona. O rival Real Madrid está apenas a uma vitória de se sagrar campeão em Espanha; o clube foi eliminado nas meias-finais da Supertaça de Espanha pelo Atlético de Madrid; e foi também eliminado nos quartos-de-final da Taça de Espanha pelo Athletic Bilbao. Na Liga dos Campeões, empatou a um golo com o Nápoles nos oitavos-de-final.

Próximo passo

O projeto do Barcelona parece estar a descarrilar. O antigo técnico Ernesto Valverde foi despedido a meio da época depois de uma série de fraca qualidade exibicional, e foi substituído por Quique Sétien. O antigo treinador do Bétis está ainda para mostrar que foi a aposta certa, não convencendo os adeptos com a qualidade do seu futebol.

Para além das mudanças de treinador, o Barcelona parece precisar de rever a política de contratações e começar a definir um caminho para construir novamente um projeto vencedor, seja com a aposta na formação, seja com jogadores vindos de fora. Mas para continuar o legado de Cruyff, o Barcelona precisa de ser o Barcelona.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG