Saída

Benfica acerta rescisão com Bruno Lage

Benfica acerta rescisão com Bruno Lage

Benfica e Bruno Lage acertam saída.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercados de Valores Mobiliários (CMVM), a Benfica SAD confirmou estar em negociações para rescindir o contrato com o treinador Bruno Lage, que se demitiu nesta segunda-feira à noite, depois do desaire encarnado frente ao Marítimo.

"A Sport Lisboa e Benfica - Futebol, SAD informa, nos termos e para o efeito do disposto no artigo 248.º-A do Código dos Valores Mobiliários, que está a negociar um princípio de acordo com o treinador Bruno Miguel Silva do Nascimento (Bruno Lage) para a rescisão do contrato de trabalho desportivo com efeitos imediatos", informa o clube.

De referir que os próximos treinos já não serão orientados por Bruno Lage e na calha está a possibilidade de as próximas sessões de trabalho serem orientadas ou pelo adjunto de Lage, Nélson Veríssimo, ou pelo treinador do Benfica B, Renato Paiva.

Com contrato até 2024, a saída de Lage pode custar oito milhões de euros aos cofres do emblema da águia. Outra das possibilidades aventada para assumir os comandos da equipa era Mauricio Pochettino, antigo treinador do Tottenham.

Porém, ao que o JN apurou, e a pesar de o técnico ter sido realmente sondado, o salário proibitivo do técnico argentino - cerca de 10 milhões de euros anuais - inibe qualquer tentativa de aproximação das águias. Ao que apurámos, o dossiê da escolha do sucessor de Bruno Lage está, para já, nas mãos do empresário Jorge Mendes. Leonardo Jardim e Marco Silva foram hipóteses equacionadas, numa fase inicial de um processo que terá agora um impulso significativo.

Com a saída de Bruno Lage chega assim ao fim uma história que teve dois picos de sucesso, que foram as conquistas das pretéritas edições do campeonato e da supertaça nacionais. Face à consideração que tem por Bruno Lage, o presidente fez questão de o acompanhar na saída dos Barreiros, além de ter dado a cara por ele, na conferência de imprensa que se seguiu à derrota, a segunda consecutiva, que deixa a revalidação do título ainda mais longe.

"No final do jogo, com grande elevação, o nosso treinador colocou o lugar à disposição, disse que não é por não ter capacidade e qualidade para dar a volta, mas sim porque não há condições para trabalhar porque muita gente o quer fora do clube. E por isso disse que, se for aceite, a partir de amanhã [hoje] já não será o treinador do Benfica", revelou Luís Filipe Vieira.

Curioso é que, talvez por lapso, na flash que se seguiu ao jogo, Bruno Lage afirmou que tem "sentido o apoio de toda a gente no clube". Vieira deixou ainda no ar a possibilidade de deixar a liderança. Primeiro, assumiu-se como "único culpado" pelo mau final de campeonato e, depois, acrescentou: "Nunca me verguei a nada. Espero, quando chegar a Lisboa, tomar uma decisão sem me vergar a nada. Vou tomar uma decisão, mas primeiro quero falar com a minha família".

Em outubro, recorde-se, vai haver eleições nas águias. Pelo meio, ainda evocou outras crises. "Só foi possível chegarmos aqui porque tivemos estabilidade. Quem, em 2000, acabou com o Benfica não foi nenhuma pandemia, foram os benfiquistas", alertou, concluindo, por fim, dirigindo-se aos sócios: "Uma derrota não é o desespero total".