Eleições do Benfica

Benitez: "Precisamos do Benfica para viver mas não dependemos dele para comer"

Benitez: "Precisamos do Benfica para viver mas não dependemos dele para comer"

Os candidatos às eleições do Benfica, que se realizam neste sábado, Francisco Benitez e Rui Costa falaram esta quinta-feira à noite sobre os projetos que têm para o clube, num debate promovido pela BTV, que decorreu no Museu Cosme Damião.

O candidato da Lista B, Francisco Benitez, salientou o facto de não querer na administração "ninguém que não seja benfiquista" e afirmou o desejo de elevar o nível de transparência das operações do clube aos sócios. As principais medidas passam por "construir plantéis curtos", que sejam feitos "para ganhar e não para vender" e criar um modelo de jogo transversal a todo o clube para ajudar a passar os valores, bem como a mística benfiquista.

"Estamos aqui a conversar na BTV porque o antigo presidente do Benfica foi acusado de fraude e abuso de confiança. Caso ganhe as eleições quero impor limites de mandatos, para dois, e elevar a transparência das operações do clube aos sócios", começou Benitez

O líder do Movimento "Servir o Benfica" ressalvou que "não precisa do clube para comer" e acredita na importância da existência de uma auditoria forense para perceber que erros foram cometidos na gestão em anos anteriores. "Esta auditoria tem de ser a todo o Grupo Benfica. Tem de ser conduzida por uma empresa independente, de preferência estrangeira, e depois há que haver uma assembleia geral para mostrar os resultados aos sócios. Rui Costa dá a sensação que só vai demonstrar os resultados caso sejam positivos"; acusou o líder da lista B.

Quanto às ideias para a formação da administração da SAD Francisco Benitez parece já ter a estrutura bem delineada. "Na lista A só Rui Costa percebe de futebol. Queremos ter dois a três elementos que percebam muito de futebol, com provas dadas. Queremos um plano estratégico para o futuro, algo que de momento não há. Não vamos ter pessoas na nossa lista que não sejam benfiquistas", afirmou.

Uma das acusações de Benitez é o facto de as eleições terem sido marcadas com pouco tempo, o que poderia ter levado à existência de um maior número de candidaturas. "Quando tomou posse devia ter marcado logo eleições pois isso permitiria provavelmente a existência de mais candidatos, o que iria gerar mais ideias e mais debate, algo benéfico par o clube".

Benitez tem delineadas medidas para promover o associativismo que passam por beneficiar os sócios que tragam outros associados ao clube e manter uma luta ativa ao cartão do adepto, algo que o candidato da Lista B considera como "inconstitucional" e acredita que não está a haver trabalho nesse sentido.

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Uma das questões nas quais ambos os candidatos concordam é a importância das "Casas do Benfica" para o clube da Luz. "As casas do Benfica são o 'braço-amado' do clube e não o braço-armado. São instituições que são muito importantes para o Benfica mas grande parte das pessoas que as frequentam não são sócios do Benfica. Devíamos ajudá-las, por exemplo, ao atribuir 25% da quotização de cada sócio que essas casas arrecadem de modo a tentar combater os momentos difíceis que elas atravessam", sugeriu Benitez.

A mudança de paradigma da política de transferências é uma das bandeiras de Francisco Benitez, que acredita que se compram jogadores em excesso, acusando a atual Direção de "comprar jogadores para comprar e não para ganhar". "Andamos a navegar à vista na política de transferências. Num dia é o scout que decide quem se compra, no outro é o treinador e depois é o presidente. O clube tem de deixar de pensar em comprar jogadores para vender e começar a pensar em contratações para ganhar. Alguns nem jogam um minuto sequer na equipa principal. Temos de acabar com os intermediários. Nos últimos 11 anos compramos 156 jogadores, num total de 527 milhões de euros gastos. Isto dá quase uma equipa por ano, não há plano estratégico", lamenta o líder do Movimento "Servir o Benfica".

O plano estratégico para o futebol profissional está bem delineado na cabeça do candidato pela lista B, que considera que "o rumo está traçado e o plano bem definido". "Queremos a hegemonia do Benfica em Portugal e isso passa por ganharmos três campeonatos em quatro possíveis. A presença constantes nos oitavos ou quartos de final da Liga dos Campeões também é importante. Queremos plantéis curtos com contratações cirúrgicas e tem de haver um perfil de jogo transversal a todo o clube".

As entidades que regulam o futebol profissional também foram ponto de ordem no debate eleitoral. "A Liga e a Federação Portuguesa de Futebol tem de aprender a respeitar o Benfica e não só os nossos rivais. Não vamos relacionar-nos com nenhum clube onde a transparência e a democracia não sejam palavra de ordem", reiterou o candidato a presidente.

Um dos erros apontados por Benitez na gestão das modalidades é o insucesso das equipas masculinas, em contraste ao sucesso das equipas femininas. "Temos de apelar no estádio a que os adeptos vão aos pavilhões. Temos de usar o futebol e os canais de comunicação do clube para encher pavilhões. O orçamento tem de ser repartido pelas diversas modalidades para percebermos os custos, as receitas e tudo o que esta categoria acarreta. Vamos arranjar um patrocinador para cada uma das cinco modalidades (futsal, voleibol, basquetebol, hóquei e andebol)", referiu.

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