Covid-19

"GOD" protege jogadores do Braga

"GOD" protege jogadores do Braga

É uma gaiola dourada, mas não deixa de ser uma cela, um isolamento forçado, com todos os géneros de implicações. "Uma prisão domiciliária, autenticamente", diz o diretor clínico do S.C. Braga. Ali, para já, nem um caso. Nem suspeito nem assintomático.

Atletas de elite, sujeitos profissionais tão dependentes do corpo e da saúde, os futebolistas do Braga fintam e mitigam as implicações físicas e psicológicas deste desterro sanitário. Tudo com acompanhamento de luxo e com a precaução de GOD, uma divindade do desempenho desportivo.

"Não lhes falta nada", observa o diretor clínico do S.C. Braga, a propósito do isolamento forçado que o novo coronavírus impôs a todos os jogadores do clube. O mesmo dr. Vítor Moreira que, em contraponto com a abundância material, logo observa a carestia de tanta outra coisa, sobretudo de fartura social.

"Não lhes falta rigorosamente nada: alimentação, acompanhamento médico, todas as necessidades básicas. Têm tudo, não precisam de sair de casa. E eles retribuem, com profissionalismo, com trabalho no domicílio, com resiliência. Os jogadores estão a cumprir escrupulosamente. São profissionais exemplares", acrescenta Vítor Moreira.

Ora esta não estava prevista em nenhum compêndio e muito menos nos cartapácios da fisiologia desportiva, o que obrigou, na emergência do surto de Covid-19, a medidas igualmente urgentes. "É uma situação excecional, para a qual não existam modelos nem referências. Por isso criámos o nosso próprio modelo, no seguimentos das recomendações da Direção-Geral de Saúde. E para uma situação excecional criámos uma plano igualmente extraordinário para os futebolistas do clube. Eles estão em prisão domiciliária, autenticamente. E temos de saber lidar com o desgaste emocional da clausura", insiste o diretor clínico do Braga.

O clube criou uma "task force" para acompanhar e proteger os recursos humanos mais valiosos e aí também entrou em marcha uma companhia inteira de fisiologistas do desporto, os do Gabinete de Optimização Desportiva, mais convenientemente conhecido pela redução GOD, até para lhe assinalar os milagres da ciência aos serviço do futebol.

A Covid-19 criou desafios de proporções desconhecidas e por isso também mobilizou uma vasta equipa de profissionais: médicos, fisiologistas, terapeutas de toda a ordem, até da psicologia, para prevenção e tratamento de todos os distúrbios que o isolamento possa causar aos craques.

PUB

Um serviço de "catering" - proporcionado por um hotel de que António Salvador, presidente do clube, é co-proprietário - também não deixa faltar nada na despensa e no frigorífico. Proteínas, vitaminas, hidratos e todos os nutrientes necessários à exigência de atletas de alta competição. Tudo em doses terapêuticas, vigiadas e ministradas por nutricionistas. "As refeições tiveram de ser ajustadas, porque o gasto calórico, agora, também é diferente", afirma o médico.

"A criatividade do GOD", como lhe chama o dr. Vítor Moreira, trata de tudo, do corpo e da mente dos jogadores, todos com ginásios instalados em casa. E com uma recente aquisição: uma bicicleta para todos, uma daquelas sem rodas, que não rodopiam para lado nenhum, mas que, à falta de melhor, sempre podem proporcionar uns passeios virtuais. "O importante é zelar pela condição aeróbica dos jogadores", verifica o diretor clínico destes "Gverreiros" encerrados na masmorra.

"É um plano de contingência", para o qual o diretor clínico do Braga não desenha o fim. "Estamos na primeira semana. Pode demorar, mais quatro, mais cinco semanas. Mas isto pode arrastar-se por mais quatro ou cinco meses e aí duvido que a sociedade aguente ou que o futebol, como qualquer outra atividade, possa voltar à normalidade. Temos de esperar para ver", diz o médico.

Para já, o diretor clínico do clube minhoto felicita-se com a ausência de positividade a Covid-19 no clube. "Não há casos do Braga. Nem suspeitos nem assintomáticos. Mas devemos estar preparados para um ou outro caso de contágio", afirma o dr. Vítor Moreira, que aconselha calma nos planos de retoma dos campeonatos.

"Para isso, para que o futebol volte à normalidade, tem de haver um consenso alargado. Para já, vamos na primeira semana de contingência. É tudo muito precoce, especula-se muito. A única certeza é que temos de saber lidar com a situação o melhor possível. E temos de ser responsáveis. O futebol tem de atuar em conformidade com as recomendações da Direção-Geral de Saúde", concluiu o médico.

Outras Notícias