Processo

Bruno de Carvalho: "O assassinato de caráter ainda vai demorar a ser resolvido"

Bruno de Carvalho: "O assassinato de caráter ainda vai demorar a ser resolvido"

Bruno de Carvalho deu esta sexta-feira uma entrevista ao "Jornal da Noite" da TVI, na qual abordou a sentença que o ilibou das acusações relativas ao ataque à Academia do Sporting, em Alcochete, em maio de 2018.

"No que é o processo penal considero que se fez justiça. Como cidadão, acho que não. Estes dois anos foram tão pesados para mim e para a minha família, foi um assassinato de caráter, que esta decisão não elimina tudo. Não tem a ver só com o passado, mas com o meu dia-a-dia", começou por referir o ex-presidente do Sporting, anotando que o estigma não vai passar.

"Ainda agora há quem diga que não foi feita justiça ou que foi por falta de provas, que os poderosos nunca são presos e o assassinato de caráter ainda vai demorar a ser resolvido", acrescentou Bruno de Carvalho.

"O assassinato de caráter tem a ver com a acusação e com tudo o que norteou este processo. Tenho assistido a vários debates hoje [quinta-feira] e foi dito que estava muito indignado com os jornalistas quando cheguei ao tribunal. Quero que percebam que estava com a minha família e há um canal que volta a ir buscar um texto truncado do 'foi chato'. Estava com a minha filha e companheira e recebi logo uma série de telefonemas, inclusive dos meus pais, todos preocupados e hoje de manhã estou à espera do meu advogado e tenho outra peça de uma rádio que diz 'Bruno de Carvalho com expectativas de ser absolvido por falta de provas' e isto não é justo. Não é um trabalho sério", atacou o ex-dirigente leonino que foi afastado da presidência na sequência deste episódio de violência para com jogadores e treinadores nas instalações do centro de treinos do clube.

Bruno de Carvalho salientou que a afirmação "falta de provas" não corresponde à verdade. "E as juízas tentaram ao máximo, tenho de lhes reconhecer esse esforço, de dizer as coisas como deve de ser. Que era a de que não​​​​​ houve obtenção de prova", frisou, avançando: "O que os juízes tentaram foi nunca utilizar a expressão por falta de provas. E quem está no jornalismo sabe que as palavras têm valor".

"A nova procuradora, cujo trabalho já vim defender, tentou de tudo, quase todas as sessões foram sobre Bruno de Carvalho, para defender a tese da acusação", acrescentou o ex-presidente sportinguista.

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"No dia em que em que falei com o juiz Delca ele liberta-me e, não foras meses, quatro horas depois fui acusado", recorda Bruno de Carvalho, anotando que "esta atitude está ligada à má perceção dos portugueses sobre a justiça".

"Este caso não é um bom exemplo para dar uma boa perceção de justiça às pessoas", salientou.

Ao ouvir a sentença, Bruno de Carvalho revela que não dirigiu o pensamento para lado nenhum. "Agora é fácil dizer isto. Mediante as acusações do Ministério Público e mediante as alterações não substanciais de facto, que o coletivo de juízes produziu, era óbvio que ia haver uma absolvição", referiu, adiantando, contudo, que só queria "abraçar a família, porque eles sofreram o que não deviam ter sofrido só porque uma pessoa, que é seu filho e seu pai, um dia teve a ambição de ser presidente do Sporting".

"Depois pensei, agora vou entrar na primeira fase de desconfinamento, que é a fase em que tenho de fazer uma luta pelo que me foi retirado e é mais importante: o meu caráter, a minha honra e a minha dignidade", complementou, avançado que pondera pedir uma indemnização ao estado português pelos danos.

"Mexi em muitos interesses, apesar da atenção que eu gostava que as pessoas me dessem. A verdade é que há alguns processos que estão a ser julgados que têm por base as acusações factuais que fiz, nomeadamente no futebol. E as pessoas não gostaram", descreveu Bruno de Carvalho.

"Gostava que as pessoas entendessem que o que aconteceu no Sporting só aconteceu por eu ser inocente e um cidadão igual aos outros. Era impensável num clube como o Benfica ou o F. C. Porto acontecer o que aconteceu", atirou o ex-dirigente, recordando que "infelizmente, já houve agressões nos três".

"Repito o que disse naquela noite. Crime hediondo. Hoje houve um julgamento com uma decisão, a justiça julgou como quis, condenou como quis, como achou. Não tenho dúvida nenhuma. Como cidadão fiquei horrorizado com o aconteceu em Alcochete, mas fiquei também horrorizado com o que aconteceu em Guimarães três meses antes [adeptos invadiram treino e tentaram agredir atletas] e que ninguém em Portugal parece que deu valor", relembrou.

"Os sportinguistas deviam pensar muito bem no que acontecer e solicitar na assembleia-geral para o reingresso enquanto associado de plenos poderes. Porque depois vamos entrar numas grandes discussões que é de poder candidatar-me ou não. A primeira coisa de justiça era as pessoas admitirem que foi Alcochete que motivou isto e sendo que saiu uma decisão, no mínimo deviam readmitir-me num clube que sempre amei", defendeu Bruno de Carvalho, finalizando sobre um futuro regresso à presidência: "Nunca escondi que fiz um excelente trabalho e nunca escondi que é algo em que me considero bom, que gosto muito e que me deixa muito honrado".

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