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Bruno Fernandes: "Se não fosse a Polícia, tinha ido embora"

Bruno Fernandes: "Se não fosse a Polícia, tinha ido embora"

Bruno Fernandes recordou o ataque a Alcochete, admitindo ter "sentido" medo e considerou que o Sporting não devia ter jogado a final da Taça de Portugal, frente ao Aves. O médio dos leões afirmou ainda que tinha tudo acertado com o Tottenham e explicou o que falhou na transferência para a liga inglesa.

O médio do Sporting foi um dos nomes mais falados neste mercado de transferências, principalmente em Inglaterra. O capitão da equipa de Alvalade, que está a um passo de assinar pelo Real Madrid, afirmou este sábado que tinha tudo acordado para trocar o Sporting pelo Tottenham mas que o negócio falhou dada a exigência dos leões.

"Como toda a gente sabe, o Tottenham fez várias propostas por mim. Tinha tudo acertado comigo - ou praticamente deveria estar. Nunca fiz grandes exigências, o meu empresário ficou sempre de tratar das partes financeiras. Era e é um objetivo meu jogar em Inglaterra, o Sporting sabe disso, toda a gente sabe disso, já o disse publicamente, e havia condições para que as coisas fossem feitas. Mas o Sporting entendeu que o valor não era suficiente e tenho de respeitar a decisão deles", começou por dizer em entrevista à GQ.

Apesar de falhada a transferência para o futebol inglês, Bruno Fernandes garantiu que não ficou frustrado por continuar a jogar de leão ao peito e disse sentir-se lisonjeado por o clube verde e branco acreditar no seu valor.

"Qualquer jogador tem de se sentir motivado para continuar num clube como o Sporting, um grande clube, que luta por grandes objetivos. O Sporting tomou a decisão de não me vender também por acreditar no meu valor e por acreditar que os valores oferecidos não eram suficientes. Tenho de me sentir lisonjeado por o Sporting não aceitar valores que para eles são baixos e para mim tem de ser motivo de orgulho o clube achar que eu valho mais do que o que foi oferecido", acrescentou.

Bruno Fernandes recordou ainda o ataque a Alcochete em maio de 2018. O capitão dos leões disse "ter sentido medo" e considerou que a equipa não devia ter jogado a final da Taça de Portugal frente ao Desportivo das Aves.

"Nesse dia, se não fosse a Polícia, tinha ido logo embora. Vesti-me e disse: 'foi um prazer jogar convosco', saí e, quando estou a deixar as instalações, chega um carro da polícia que me para e me diz que tenho de prestar declarações e que não podia sair. Mas até já tinha ligado para a minha mulher a dizer-lhe para arranjar as coisas que íamos arrancar para o Porto. Final da Taça? Foi um erro nosso, não devíamos ter jogado esse jogo. Culpo-nos a nós jogadores por termos cedido à pressão que existiu tanto da parte da FPF como do Sindicato dos Jogadores", disse, garantindo não se ter arrependido de rescindir com os leões.

"Voltei atrás porque achei que seria o melhor para mim, mas não por arrependimento. Sempre me senti bem no Sporting, acarinhado. Tive um período difícil depois de voltar, o que é normal, já esperava que a receção dos adeptos - não de todos, mas parte deles - não fosse a melhor, mas não me sinto arrependido, até porque tive a melhor época da carreira", concluiu.