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Bruno Lage: "O Julian está convocado, o Rafa não".

Bruno Lage: "O Julian está convocado, o Rafa não".

O tema Raúl de Tomás dominou, esta quinta-feira, a conferência de Imprensa do treinador Bruno Lage, do Benfica, na antevisão da partida com o Aves, da 16.ª jornada da Liga, marcada para amanhã, pelas 19 horas.

Antes de abordar a saída do avançado espanhol Raúl de Tomás, o técnico das águias começou por revelar que o mais recente reforço do plantel, o alemão Julian Weigl, já fará parte das escolhas para a receção aos avenses.

"O Julian está convocado, o Rafa não", disse, sem rodeios, Bruno Lage, analisando, de seguida, o encontro que se avizinha. "A alteração do treinador é muito recente, é um facto que o Aves venceu o Braga e, na minha opinião, fez um jogo ainda melhor em Setúbal, contra o Vitória, apesar de ter perdido. Acredito que seja uma equipa que esteja em evolução e tem de haver cautelas máximas da nossa parte. Primeiro porque queremos fazer um grande jogo e vencer e, depois, por sentir que está do outro lado uma equipa determinada e a lutar pela vida. Está em contagem decrescente para pontos, está perto de começar a segunda volta e estão numa situação em que têm de conquistar pontos o mais rápido possível. E como tal é muito perigoso este tipo de situações. Do outro lado quando está uma equipa determinada para conquistar pontos e salvar a vida, nós temos de estar no top e esse tem de ser o nosso foco e o nosso objetivo e a nossa determinação", salientou o treinador benfiquista.

Mas o tema que dominou a conversa com os jornalistas foi a saída de Raúl de Tomás e as razões pelas quais o jogador não se conseguiu impor na Luz. "A justificação é muito fácil. O que correu mal ao Vinícius para não ter singrado no Nápoles e no Mónaco? O que correu mal ao Seferovic para um ano e meio após estar no Benfica ter começado a faturar?", questionou Bruno Lage, para logo, recordar os mais distraídos: "Temos de perceber que estas situações acontecem. Temos dois jogadores na casa que passaram por isso. O Vinicius esteve no Mónaco e no Nápoles e não conseguiu singrar por várias razões e, hoje em dia, já há quem lhe chame o Vinigolo. O Seferovic esteve praticamente um ano e meio com oscilações no rendimento e no ano passado fez uma segunda volta fantástica. Um é um caso de adaptação, o outro é uma questão de investir mais e passar mais tempo no clube. Isso reflete o que se passou: um é adaptação a um país e outro a falta de tempo".

Na hora da despedida, Bruno Lage deixou vários elogios ao avançado espanhol. "Quando falei dele há umas semanas, disse-lhe para não desistir e continuar a trabalhar, porque continuo a acreditar que o Raúl é um grande jogador e a prova disso é aparecer uma equipa a fazer esta proposta, que à partida não íamos aceitar. Mas, quando se olha para a vontade e determinação do jogador em querer regressar ao seu país o mais rápido possível e de quer voltar a jogar na Liga Espanhola e voltar para perto dos seus, temos de avaliar as situações. Estamos perante um grande jogador e lamento não ter tirado rendimento dele e quero reforçar o enorme apoio que ele teve sempre, quer da estrutura, quer dos seus colegas, que foram incansáveis e tudo fizeram para que ele tivesse a melhor adaptação possível", disse.

O treinador defendeu, ainda, não sentir a pressão de ter de fazer os jogadores mais caros render mais. "A pressão sobre o Raúl é a mesma de fazer resultar o Vinícius, ou fazer resultar o Tino [Florentino], que é uma contratação da nossa formação. A pressão é sempre máxima. Talvez o excesso de pressão de quem está de fora condicione essa adaptação", apontou Lage.

E continua: "A partir da terceira ou quarta jornada, quando fomos a Braga, o Raúl tem duas bolas para encostar, ele e o Seferovic, e, na brincadeira, até diz que os adversários se atiraram para a frente dele e marcaram um autogolo e a partir dali a pressão e a responsabilização para determinados jogadores aumentou mais do que é normal. E, como tal, há pessoas que lidam melhor com a pressão, outros menos. Por isso, não tenho pressão nenhuma nesse aspecto, a minha pressão é fazer com que os meus jogadores treinem da melhor maneira, que a equipa jogue da melhor maneira e que a equipa consiga obter os melhores resultados, independentemente de terem custado 20 milhões ou dois ou três ou quatro, como foi o caso do Chiquinho, ou terem custado o tempo que levou a formar o Tino, o Gedson, o Tomás, o Ferro, o Rúben, o Nuno Tavares, o David Tavares, o Jota e o Ivan".

As declarações recente de João Félix sobre umas bocas no balneário que o deixaram a chorar antes da partida com o Eintracht de Frankfurt para a Liga Europa, foram desvalorizadas pelo treinador das águias. "Não tive conhecimento desse episódio. Vi sempre o João a ser acarinhado pelos colegas. Pode acontecer um momento ou outro em jeito de brincadeira e nem toda a gente aceita da mesma forma. Recordo sim a pressão antes do jogo: disse-lhe que tinha de marcar dez golos e só marcou três, Ficou-me a dever sete", contou.

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