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Tudo o que tem de saber sobre o grupo de Portugal no Euro 2020

Tudo o que tem de saber sobre o grupo de Portugal no Euro 2020

O Euro 2020 está aí à porta e Portugal tem um grupo complicado pela frente. Para conhecer melhor os adversários e a posição da seleção nacional, preparámos um resumo com tudo o que tem de saber antes do apito inicial.

O grupo de Portugal é composto pela França (campeã mundial em título), Alemanha e Hungria. A França continua a ser uma das equipas mais fortes (se não a mais forte) do mundo. Tem um núcleo base de jogadores experientes neste tipo de torneios e habituais titulares nos clubes de topo do futebol.

A Alemanha, desde a conquista do Mundial em 2014, que tem vivido um período de instabilidade. Teve dificuldade em reestruturar o plantel mas, ao que tudo indica, Joachim Low conseguiu introduzir algum sangue novo na convocatória para o Euro 2020 de forma a revitalizar a "Die Mannschaft". Esta será a última grande competição internacional do técnico, que vai ser substituído pelo antigo treinador do Bayern Munique Hansi Flick depois do campeonato da Europa.

A Hungria é, na teoria, a seleção com menos qualidade do grupo, sobretudo depois da perda de Szoboszlai. No entanto, para além de ter o fator casa, não é prudente desvalorizar as equipas aparentemente mais acessíveis: no Euro 2016 Hungria e Islândia ficaram acima de Portugal na fase de grupos.

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Portugal não tem começado bem nos últimos torneios internacionais. Desde 2000, a Seleção apenas venceu por duas vezes o primeiro jogo de uma competição.

Nos últimos três jogos contra Alemanha, França e Hungria Portugal apenas leva vantagem contra os húngaros.

Em 2016, Portugal venceu a França por 1-0 na final do Euro. Em outubro de 2020, empatou sem golos e em novembro perdeu por 1-0 contra os gauleses, ambos os jogos a contar para a fase de grupos da Liga das Nações. Desde 1984 que apenas venceu por uma ocasião a França, na final de 2016.

Frente à Alemanha, o recorde recente é bem negativo. No Euro 2008 Portugal foi derrotado por 3-2; em 2012 por 1-0 e em 2014 por 4-0. Portugal não vence a Alemanha desde o Euro 2000. Contra a Hungria, o registo é o mais positivo: empate a três golos em 2016 e vitórias por 3-0 e 1-0 em 2017. Desde 1966, a Seleção Nacional nunca perdeu contra os húngaros.

É sempre difícil prever um onze base para cada equipa pois há muitos fatores que podem motivar mudanças. Lesões, plano/estratégia de jogo, adaptação ao adversário e, claro, uma evolução tática que possa existir tendo em conta o decorrer dos treinos, da competição e o momento de forma dos jogadores.

O primeiro jogo de Portugal é contra a Hungria e sendo, na teoria, um adversário mais acessível, Fernando Santos pode efetuar algumas mexidas. Contra França e Alemanha, que jogam com estruturas fluidas a nível tático, Portugal pode alinhar com uma variante mais defensiva, abordagem usada algumas vezes por Fernando Santos. Estes são os possíveis onzes principais de cada seleção do grupo F:

Cristiano Ronaldo é o melhor marcador no ativo (e de sempre) por Portugal com 104 golos marcados. Thomas Müller é o goleador da seleção alemã com 39 golos, enquanto Giroud é o melhor marcador da França com 44 golos. Pela Hungria o destaque vai para Szalai, que conta com 23 golos.

Cristiano Ronaldo é sempre a principal arma ofensiva de Portugal, sobretudo tendo em conta que estamos numa fase final de uma competição, onde este tipo de craques se impõe. Rúben Dias fez uma época excecional no Manchester City, tendo sido votado pela Premier League como o melhor jogador da época da liga inglesa, conquistado o campeonato e alcançado a final da Liga dos Campeões. Vai ser um dos pilares defensivos da Seleção. João Cancelo também evoluiu muito às mãos de Guardiola, sobretudo adquirindo recursos táticos que antes não possuía. Com mais experiência e capacidades pode vir a ser uma arma interessante para Fernando Santos.

Bruno Fernandes fez uma época de classe no Manchester United, alcançando a final da Liga Europa. Foi o principal motor ofensivo da equipa e terá muito peso na Seleção neste capítulo. Diogo Jota teve uma época atribulada pelas lesões, mas regressou quase sempre em boa forma e não parece precisar de muito tempo para ganhar ritmo de jogo. Evoluído tecnicamente e com faro para golo, vai ajudar Ronaldo a criar situações de finalização. Por fim, a época de André Silva não pode passar despercebida, mesmo tendo em conta que é provável que não seja titular. Marcou 28 golos na liga alemã e sendo um avançado trabalhador pode ser importante para ultrapassar certos adversários.

Nuno Mendes provavelmente começará no banco devido à qualidade de Raphaël Guerreiro, mas tem um perfil de maior projeção ofensiva na largura e profundidade que oferece. João Palhinha foi das peças mais importantes da conquista do título do Sporting e um dos melhores da Liga portuguesa. Pode fazer frente a Danilo, tendo em conta que são os dois médios com perfil mais defensivo. Caso tenha tempo de jogo, vai ser um tampão defensivo para Portugal, podendo dar maior liberdade criativa aos médios mais ofensivos. Por fim, Renato Sanches. Mais uma boa época ao serviço do Lille, campeão francês. Pode jogar mais por dentro ou mais próximo da linha. É explosivo e forte na progressão com bola, capaz de mexer com um jogo que esteja mais apertado.

A França é campeã mundial em título e uma das favoritas para vencer o Euro. Tem um plantel cheio de qualidade e talento, com várias opções para todos os setores. Kylian Mbappé é a principal figura da companhia, depois de uma época onde marcou 42 golos ao serviço do PSG. É a principal ameaça ofensiva da França e será o jogador que Portugal terá de ter em maior consideração. N'golo Kanté fez uma época excecional ao serviço do Chelsea, conquistando a Liga dos Campeões. Na seleção tem uma tarefa mais defensiva do que tem no clube, ocupando mais a posição de médio defensivo e não tanto de médio centro área-a-área como no Chelsea.

Griezmann fez uma boa época no Barcelona, mas não ao nível que já habituou os adeptos. No entanto, ao serviço da seleção gaulesa parece que renasce e se torna outro jogador. Com um perfil criativo mas sempre com o instinto finalizador, será uma das armas mais importantes da manobra ofensiva da França. Foi o melhor marcador do Euro 2016 com seis golos.

A principal novidade da convocatória francesa passa por Karim Benzema. Esteve afastado da seleção desde 2015 e agora com o regresso a equipa ganha um avançado com um perfil diferente daquilo que tinha nos últimos torneios. Benzema não é o típico avançado de área, embora também o saiba ser, mas sim um avançado que recua, aproxima-se das linhas e gosta de combinar com os colegas para criar espaços. Algo que pode resultar muito bem com Mbappé. A França tem também algumas surpresas. Há um Thomas Lemar reinventado, após uma época no Atlético Madrid a jogar mais como médio interior em organização ofensiva e não tanto a ala como víamos, por exemplo, no Mónaco. Ben Yedder foi uma das principais figuras do Mónaco esta temporada e pode ser uma opção interessante a saltar do banco.

A Alemanha está em restruturação, mas com tantos jogadores de bom nível é difícil prever quem vai jogar mais ou menos. Gundogan foi o melhor marcador do Manchester City esta época, depois de o termos visto a jogar com maior aproximação à área e a fazer mais movimentações para zona de finalização. Joshua Kimmich é dos melhores médios da atualidade e faz tudo com elegância. Pode jogar como médio mais recuado ou como lateral direito, dada a versatilidade do jogador do Bayern Munique que faz lembrar Philipp Lahm. O regresso de Thomas Müller será importante para os germânicos. É o verdadeiro (e como ele se autointitula) "intérprete dos espaços". Pode jogar a ponta-de-lança ou atrás do avançado, mas as suas qualidades nas movimentações e na leitura das jogadas ofensivas causará muito perigo aos adversários.

A Alemanha tem também dois jovens que podem vir a surpreender e afirmar-se mais nesta competição. Jamal Musiala é frequente opção para o Bayern Munique, quase sempre saltando do banco, mas é um jovem de 18 anos capaz de impactar o jogo com a sua capacidade de posicionamento e organização de jogo, seja como médio mais ofensivo ou mais central. Florian Neuhaus é um médio muito versátil e com muitos recursos táticos sem bola, sendo que com posse destaca-se pela forma como progride e encontra colegas através do passe. É mais uma opção de qualidade para o meio campo alemão.

Apesar de a Hungria ser aquela seleção com menos qualidade do grupo (na teoria), tem alguns jogadores capazes de causarem impacto, principalmente aqueles que jogam ao alto nível e têm mais experiência. Willi Orban é defesa central e um dos pilares defensivos do Leipzig. Tendo em conta que a Hungria deverá passar maior parte do tempo de jogo a defender, Orban será uma peça importante graças à sua experiência numa equipa de topo da liga alemã. O guarda-redes Péter Gulácsi é um dos melhores da liga alemã e é uma importante contribuição para o sucesso defensivo da seleção húngara.

Apesar dos 33 anos de Ádám Szalai a experiência do avançado e perfil de homem-alvo vai ser importante para Hungria. Dentro da ideia que vai defender na maior parte do tempo, Szalai será importante caso tenham de aliviar a bola, visto que tem o físico para receber de costas para a baliza e segurar a bola. Uma das surpresas pode ser János Hahn, avançado do Paksi da Hungria. Marcou 22 golos na liga húngara e o instinto goleador pode dar mais uma opção ofensiva para a seleção.

As seleções mudaram um pouco desde a última vez que venceram, ou no caso da Hungria, participaram numa grande competição internacional. Comparando com a equipa portuguesa que venceu o Euro 2016, destacam-se algumas saídas. João Mário e Adrien, na altura titulares e importantes no Sporting, tiveram um papel importante na conquista do torneio graças à química que tinham proveniente da equipa leonina. Nani foi um extremo regular e que sempre acrescentou qualidade na Seleção, sobretudo na forma como desequilibrava e executava com bola.

Ricardo Quaresma era uma opção importante, seja a titular ou a sair do banco, devido à sua experiência e qualidade na forma como definia as jogadas ofensivas. Houve qualidade a sair mas também a entrar. João Cancelo e Rúben Dias trazem mais consistência defensiva e um perfil diferente dos antigos defesas de 2016. Bruno Fernandes, Bernardo Silva, João Félix e Diogo Jota trazem sangue novo ao ataque português e uma criação de jogo diferente.

A conquista do mundial da França em 2018 ainda é recente e a seleção não teve muitas mexidas consideráveis. As saídas de Umtitti, importante defesa, e de Matuidi, médio com vários recursos táticos, são as principais diferenças entre convocatórias. A entrada mais importante é a de Benzema, avançado com um perfil diferente, raro e que ainda está com uma qualidade exibicional muito acima da média.

A Alemanha venceu o mundial em 2014 e a seleção tem vindo a reinventar-se nos últimos anos, devido à média de idades já elevada. Lendas e figuras relevantes do futebol alemão como Philipp Lahm, Schweinsteiger, Özil, Götze (marcador do golo da vitória em 2014) e Podolski já não fazem parte das escolhas de Joachim Low (ou já estão retirados do futebol). No entanto, há entradas de relevo. Rüdiger e Sule são dois pilares defensivos; Kimmich quase faz esquecer Lahm devido ao seu perfil semelhante e qualidade muito acima da média; Havertz, Sané, Werner e Gnabry são jovens desequilibradores, seja devido à velocidade ou qualidade de criação de jogo; Gundogan evoluiu enquanto médio e fez a melhor época da carreira.

A Hungria nunca conquistou nenhum grande título internacional, apesar de já ter ido à final do Mundial em 1938 e 1954. Mas comparando à última participação num torneio deste calibre, como foi o Euro 2016, destacam-se as saídas de Daniel Bode, que marcou 19 golos na época 2015/2016, e Priskin, que marcou 12 no mesmo período. As entradas de Sallai, Orban e Hahn vieram dar sangue novo e mais qualidade no setor defensivo e ofensivo.

Portugal

Em princípio, podemos esperar ver Portugal, sobretudo contra França e Alemanha, a ter uma postura mais resguardada, preocupada em não cometer erros defensivos, do que a ter uma forte avalanche ofensiva. A Seleção transita bem da defesa para o ataque, podendo tirar proveito das corridas de, por exemplo, Jota e Cancelo.

Mas caso consiga, ou queira, ter mais tempo com bola em organização ofensiva, há vários recursos. Qualquer médio que jogue à frente de Danilo, o mais defensivo, tem capacidade de organizar jogo através do passe. Bruno Fernandes cria situações de perigo, seja através do remate ou da colocação de bola. Estas características favorecem jogadores como Ronaldo e Jota, visto que têm capacidade para aparecer em zona para finalizar.

Alemanha

É difícil prever o que Low tem planeado para a sua equipa. No entanto, o sistema de 3-4-3 que tem vindo a apresentar mostra-se versátil, pelo menos ofensivamente. Pode jogar com Sané, Gnabry e Werner e ter três setas apontadas à baliza do adversário. Pode também jogar com Müller como avançado, que oferece outro tipo de movimentações e soluções com bola, até na associação com o meio campo.

Em suma, é uma equipa com vários recursos ofensivos, dependendo de quem joga e da estratégia. Defensivamente podem ser algo inconsistentes. O jogo contra a Espanha em que perderam por 6-0 foi exemplo disso e um dos principais erros foi o espaço livre deixado entre a linha defensiva e a linha média, que permitiu ao adversário capitalizar e criar muitas situações de golo.

França

A França pode alternar sistemas. Pode jogar num 4-4-2 losango, com Griezmann como segundo avançado/médio ofensivo e a parceria Mbappé x Benzema na frente a causar estragos. Este sistema dá maior liberdade criativa e de aproximação à área a Pogba, visto que tem Kanté e, possivelmente, Rabiot para dar maior segurança defensiva.

Caso jogue em 4-2-3-1, ganha mais velocidade e largura ofensiva. Coman deve entrar para a saída de Rabiot. É um extremo vertical, forte no um para um e com qualidade na definição das jogadas. Mbappé pode passar para a ala esquerda, ou jogar como avançado caso seja Lemar a entrar para essa posição. Seja em que sistema for, é importante reforçar que a França é uma seleção difícil de ultrapassar, não só pela consistência defensiva que apresenta mas pela versatilidade ofensiva, seja através do domínio que consegue ter com bola ou na saída em transição rápida.

Hungria

É uma equipa que deve priorizar o momento defensivo em detrimento do ofensivo. Claro que estas seleções podem ser desvalorizadas e por isso mesmo surpreenderem, como foram os casos de Islândia e Hungria em 2016. De qualquer forma, a seleção húngara deverá ficar a maior parte do jogo compacta e fechada no momento defensivo.

Defrontar este tipo de equipas nunca é fácil devido ao pouco espaço que deixam livre para ser aproveitado. No momento em que saem para o contra-ataque, pode-se esperar que utilizem os laterais para dar largura e profundidade ao seu jogo. Para além disto, Szalai pode ser o homem-alvo para aguentar a bola e esperar pelos colegas, assim como Sallai pode fazer movimentos de rotura para as linhas para aproveitar espaço livre.

Portugal é um dos favoritos a vencer o Euro 2020, mas não será "O" favorito. Para ultrapassar este grupo, o ideal é, obviamente, terminar nos dois primeiros lugares. Isto porque o terceiro posto pode dar acesso à fase a eliminar, ou não. Só quatro terceiros classificados é que se apuram para os oitavos-de-final.

Em teoria, o jogo com a França é o mais complicado e o com a Hungria o mais acessível. A Alemanha pode apresentar-se forte devido à qualidade que tem, como pode mostrar algumas fragilidades defensivas como mostrou contra Espanha ou Macedónia do Norte.

Fora do grupo de Portugal há adversários complicados também. Itália está cheia de talento com jogadores como Barellà, Chiesa e Immobile; a Inglaterra, apesar de raramente capitalizar o potencial existente, tem uma das melhores seleções dos últimos anos.

A Bélgica, apesar de ser uma equipa mais envelhecida que a de 2018 continua com qualidade em todos os setores e soluções para entrar que poderiam perfeitamente ser titulares; a Espanha (se conseguir controlar o aumento de casos de covid-19 no plantel) continua uma seleção forte com bola e tem Gerard Moreno pronto para fazer golos.

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