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Twitter remove milhares de mensagens abusivas contra os três ingleses que falharam penáltis

Twitter remove milhares de mensagens abusivas contra os três ingleses que falharam penáltis

Fãs cobrem mural vandalizado de Marcus Rashford em Manchester com corações e chamam-lhe "herói" e "modelo". Polícia investiga ataques racistas.

"Abominável abuso racial" - foi com esta justificação que a rede social Twitter disse já ter removido, desde a noite de domingo, mais de mil publicações abusivas dirigidas aos três jogadores negros da seleção inglesa que falharam os seus penáltis na final do campeonato europeu de futebol ganho pela Itália no estádio de Wembley, em Londres.

Marcus Rashford, 23 anos, avançado do Manchester United, rematou tragicamente ao poste e Jadon Sancho, 21 anos, médio do United, e Bukayo Saka, 19 anos, extremo do Arsenal, remataram de forma denunciada, permitindo a defesa de Gianluigi Donnarumma, o guarda-redes italiano de 22 anos que foi eleito o melhor jogador do Europeu 2020.

O jogo terminara empatado 1-1 (golo de Luke Shaw, aos 2 minutos, para a seleção dos Três Leões; empate de Leo Bonucci aos 67 para a Itália) após os 90 minutos regulamentares e o resultado manteve-se depois no prolongamento até aos 120 minutos. Sucederam-se então os penáltis que ditaram a vitória da Esquadra Azul por 3-2.

A sequência de grandes penalidades decorreu assim: o italiano Berardi marcou o 1-0, o inglês Kane empatou, depois Belotti falhou e Maguire marcou, colocando a Inglaterra à frente por 1-2. De seguida, Bonucci marca o 2-2 e Rashford atira ao poste. Bernardeschi, do lado italiano, marca então o 3-2, Sancho falha o seu penálti e o italiano Jorginho, elevando o suspense, também. Por fim, Saka também fracassa, entregando, por defeito, a taça do Campeonato Europeu aos italianos.

Várias contas suspensas

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Logo após o final do jogo, o Twitter detetou um aumento de tráfego com muitas mensagens irregulares e reprováveis entre diversas formas de felicitação ou lamento ou humor.

O Twitter classificou os insultos racistas e xenófobos como um "comportamento de abuso racial abominável" e fez saber que esse tipo de comentários afrontosos "não têm lugar" na sua plataforma de comunicação digital. Além dos mais de mil tweets removidos, a rede social revelou ter também suspendido permanentemente "diversas contas" que "violam várias regras de utilização" do Twitter.

"Estamos vigilantes e continuaremos a agir", disse o Twitter em comunicado, "quando identificarmos quaisquer tweets ou contas que violem as nossas políticas estritas".

Instagram também atua

O Twitter não está sozinho nesta vigilância digital pelos bons costumes. O Facebook, que é dono da rede social de fotografia Instagram, também revelou estar a repelir "conteúdo prejudicial" desde a derrota inglesa de domingo à noite.

"Removemos rapidamente comentários e contas que direcionavam abusos contra jogadores de futebol da Inglaterra e continuaremos a tomar medidas contra aqueles que violam as nossas regras", disse o Facebook em comunicado.

Condenações generalizadas

A Polícia Metropolitana também condenou o abuso "inaceitável" de mensagens de ódio contra o trio Rashford, Sancho e Saka, e disse que investigará as publicações "ofensivas e racistas" nas redes sociais publicadas logo após a Itália ter vencido a disputa de domingo.

A Federação Inglesa de Futebol disse estar "chocada" com o "comportamento repulsivo" de alguns adeptos, acrescentando que as empresas das redes sociais devem tomar medidas para tornar as suas plataformas livres destes abusos "repugnantes".

"Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para apoiar os jogadores afetados e, ao mesmo tempo, pedir punições o mais duras possível para todos os responsáveis", disse a Federação Inglesa. "Continuaremos a fazer tudo o que pudermos para eliminar a discriminação do jogo, mas imploramos ao governo para que aja rapidamente e implemente legislação apropriada para que estes abusos tenham consequências na vida real".

Boris Johnson também criticado

Também o primeiro-ministro inglês já veio criticar os insultos: "Os responsáveis por estes abusos terríveis deveriam ter vergonha de si próprios", disse. Mas, conforme aponta a revista "Newsweek", Boris Johnson enfrentou anteriormente críticas por alegadamente encorajar aqueles que vaiaram a seleção inglesa por se ajoelhar antes dos jogos em protesto contra a injustiça racial.

A revista sublinha que, no mês passado, o porta-voz de Johnson disse que o primeiro-ministro está "mais focado nas ações do que nos gestos". E o comentário gerou críticas generalizadas de que o governante do Partido Conservador estava efetivamente a encorajar aqueles que vaiam a seleção. Três dias depois, o mesmo porta-voz mudou de tática, e de discurso, dizendo, afinal, que o primeiro-ministro "respeita o direito de todas as pessoas de protestar pacificamente e manifestar os seus sentimentos sobre as injustiças" e que queria, de facto, "torcer pela equipa nacional" e "não vaiar".

Mural de Rashford vandalizado e depois acarinhado

Enquanto isso, diversos fãs cobriram um mural vandalizado de Marcus Rashford, que fora pintado em 2020 junto a um café de Withington, em Manchester, com corações de amor, chamando-lhe "herói", "modelo" e "irmão" no meio de outras mensagens de incentivo e carinho.

A reação positiva destes adeptos, revelou o tabloide "The Sun", sobrepôs-se aos "insultos, obscenidades e diversas frases ofensivas de provocadores" que vandalizaram o mural de Rashford cerca das 2.50 horas da madrugada desta segunda-feira, já depois de o avançado do United ter tragicamente falhado o seu penálti.

A Polícia Metropolitana de Manchester revelou já estar a investigar os grafites obscenos na parede do café da rua Copson, em Withington. A autoridade diz ter sido informada sobre os danos "racialmente agravados" durante a madrugada, já que houve diversas denúncias. As investigações "estão em andamento", mas, até agora, ninguém foi detido.

Citado pelo "The Sun", o superintendente da polícia Paul Savill disse: "Este é um comportamento vergonhoso e não será absolutamente tolerado. Manchester orgulha-se de ser composta por uma série de comunidades diversas, e os crimes de ódio não são bem-vindos na nossa cidade, são completamente inaceitáveis".

Rashford ajudou muitos miúdos pobres a comer

Marcus Rashford, que se estreou na seleção inglesa em 2016, aos 18 anos, e marcou logo um golo (jogo contra a Austrália; só precisou de 138 segundos em campo para faturar), morou na zona de Withington com a sua família quando era adolescente e era pobre.

O mural em sua homenagem foi pintado em novembro de 2020 para homenagear o esforço abnegado de Rashford numa campanha para alimentar crianças socialmente desfavorecidas de Manchester.

Rashford foi incansável nos seus esforços durante vários meses, reporta o jornal "The Sun", tratando de garantir que muitas crianças pobres não passassem fome durante as férias escolares do ano passado, pressionando o governo para que continuasse a alimentar os mais necessitados durante as privações derivadas da pandemia do coronavírus.

Rashford também se associou à instituição de solidariedade social Fare Share e ajudou a distribuir milhões de refeições gratuitas.

A sua postura generosa rendeu-lhe mesmo uma medalha MBE, de membro da Ordem do Império Britânico, e foi depois disso que o imortalizaram no gigantesco mural pintado de preto azeviche, com o rosto de Rashford salpicado em cima da tela de betão, envolvido pela frase "Orgulha-te em saber que a tua luta terá o maior papel no teu propósito").

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