Entrevista

Cristiano Ronaldo: "Não posso ir para casa chorar quando há problemas"

Cristiano Ronaldo: "Não posso ir para casa chorar quando há problemas"

Cristiano Ronaldo admite que não põe de parte a ideia de vir a ser treinador. Fala da pressão, na vida profissional e pessoal, dos amores e ódios que suscita, e da responsabilidade de ser a muralha para todos os que o rodeiam, família e amigos.

"Quanto mais alto sobes, mas te querem deitar a baixo. Como digo sempre, na minha vida profissional não me incomodam as críticas, é o meu trabalho. Mas a minha vida pessoal é mais íntima, tenho noiva, mãe, irmãos, amigos. Não posso ir para casa chorar se há um problema", disse Cristiano Ronaldo, numa entrevista à revista masculina Icon, do jornal espanhol "El País", quando o jornalista lhe perguntou a quem afetam mais as polémicas em torno da vida privada.

"Gostaria de ser o escudo e solucionar eu todos os meus problemas. Mas sendo uma das pessoas mais mediáticas do Mundo não é fácil esconder algo", reconheceu, na primeira entrevista a um Órgão de Comunicação Social espanhol desde que deixou Madrid, no final da época passada.

Ronaldo segue a mesma linha de pensamento quando o jornalista o provoca, perguntando se não teme que o confundam com um robô, dada a forma regular com que se exibe e a capacidade de trabalho que todos lhe reconhecem. "Não creio que me vejam assim, mas antes como uma pessoa que não pode ter um problema, que nunca pode estar triste, que não pode ter preocupações. As pessoas identificam o não ter problemas com o êxito, com o dinheiro", diz, admitindo que estar no centro das atenções é quase como ter um alvo na testa.

"Sei que há gente com uma espingarda à espera que Cris falhe um penálti, que falhe num jogo crucial. No entanto, isso faz parte da vida. Estou preparado, levo muitos anos a preparar-me", acrescentou, antes de abordar as dificuldades de fazer amizades no mundo do futebol.

"Não é que não se faça amigos no futebol, tenho-os, mas é muito difícil. É o mesmo que perguntar a uma modelo se tem muitas amigas modelos. Pode dizer-te que sim, mas na realidade poucas vezes vai jantar em casa com modelos como ela", argumentou.

Talvez por isso, ao fim de tantos anos ao mais alto nível, o Cristiano Ronaldo que hoje entra em campo é diferente do menino que começou a brilhar no Sporting, com 17 anos, e foi eleito o melhor do Mundo aos 23 anos, já no Manchester United, em Inglaterra.

"Vejo futebol como uma missão: entrar em campo, ganhar, melhorar. Os momentos em que ia para o relvado a pensar "vou driblar"... tenho de ser honesto: já não os tenho." Sublinhando que "há uma pressão adicional", CR7 admite que está "sempre a ser julgado" e que muitos lhe prognosticam, todos os anos, o fim da carreira. "Parece que todos os anos tenho de provar que sou bom. Não escondo que às vezes é cansativo", admitiu.

Aos 34 anos, Ronaldo ainda não pensará em pendurar as chuteiras - já disse que queria jogar até aos 40. Mas no futuro não põe de parte a possibilidade de ser treinador. "Não descarto essa hipótese", disse durante a entrevista, concedida a propósito da inauguração de uma clínica de recuperação capilar, em Madrid, o mais recente negócio do futebolista português

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