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Paula Leça não se sente "a melhor do mundo" por dar comida que ia para o lixo

Paula Leça não se sente "a melhor do mundo" por dar comida que ia para o lixo

Em entrevista ao canal britânico ITV, Cristiano Ronaldo revelou o desejo de reencontrar "a Edna e duas outras raparigas" que, na sua adolescência, lhe davam sobras de hambúrgueres em Lisboa, para retribuir. E uma delas já foi encontrada.

Paula Leça, de 37 anos, era uma das funcionárias do McDonald"s no antigo estádio de Alvalade a que o craque da Juventus se referiu na conversa com o jornalista Piers Morgan e até já tinha contado a história à família.

"Eles eram três ou quatro. Um deles era o Cristiano Ronaldo pois, na altura, já começava a dar nas vistas nas camadas jovens e, como a minha família é de sportinguistas, acabamos por acompanhar o percurso. Além disso, ele está um homem, mas não está assim tão diferente", recordou Paula em conversa com o JN.

Com Ronaldo ia sempre José Semedo e outro "mais pequenino, franzino e com os dentes tortos" que a agora operadora de logística assume poder ser Miguel Paixão, um dos melhores amigos do futebolista e que com ele viveu numa pensão da capital. "Era o mais rufia e o que se chegava à frente para pedir", acrescentou.

Na verdade, os rapazes "pairavam" em frente ao quiosque que a McDonald"s tinha montado no Campo Grande, junto ao antigo estádio de Alvalade, onde todos os jogadores do Sporting tinham de passar.

"Só tínhamos porta para a frente e duas mesas. Eles apareciam por volta das 11 da noite para ver se tínhamos sobras de comida. Nós tínhamos autorização para levar para casa os hambúrgueres e batatas que sobrassem, por isso dávamos aos miúdos", relatou Paula Leça.

Ronaldo e os colegas não comiam no local, "a não ser que houvesse batatas": "Aí, começavam a petiscar, mas os hambúrgueres levavam para onde estavam alojados. Mas tinham sempre de esperar até ao fecho, pois poderia aparecer algum cliente, com o Ronaldo sempre atrás dos outros".

Paula achou curioso ser o craque da Juventus a falar do assunto, mas não se considera "a melhor do mundo por ter dado comida que iria para o lixo". No entanto, está disponível para um reencontro até porque "também é uma maneira dele mostrar humildade, apesar de não precisar de o fazer", reconheceu.

O filho, a quem antes contou a história, "está doido, pois não acreditava, principalmente por não imaginar o Cristiano criança". O petiz tem 12 anos, a mesma idade que o jogador tinha quando a mãe o conheceu.

Paula Leça perdeu o contacto com as outras funcionárias, pois "não havia redes sociais" e o telemóvel que tinha era emprestado pelos pais. O emprego na loja de "fast food" era um part-time, ao fim do dia de aulas na Escola Secundária Artística António Arroios, antes de apanhar o autocarro para Loures, onde vivia.