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Casillas não se dá com os pais desde 2010

Casillas não se dá com os pais desde 2010

Iker Casillas e os pais cortaram relações em 2010. O guarda-redes do F. C. Porto cessou uma sociedade imobiliária que tinha com a família, mas garantiu-lhes um bom rendimento mensal a troco de um pacto de não agressão às pessoas mais próximas, como Sara Carbonero.

A mudança para o F. C. Porto não agradou aos pais de Iker Casillas. Mari Carmen, de 56 anos, considerou o vice-campeão português como uma equipa de "segunda B"; o pai, José Luís, pôs água na fervura, para não hostilizar os adeptos portugueses. Mas ambos estão contra o presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, que acusam de ter empurrado o atleta para fora do clube, sem honra nem glória.

"Não quero polémicas. Não falo com o meu filho, mas quero o melhor para ele e não quero que alguém se aproveite dele. Só desejo que o acompanhem bem para não acabar a lavar urinóis como aquele campeão do Mundo alemão (Andreas Brehme) ou arruinado como Vítor Baía", diz o pai de Casillas, José Luís, de 57 anos.

"Não exageres José", entre-corta Mari Carmen. "É certo que temos receio que venha a transformar-se num joguete falido, mas daí a dizer isso vai uma grande distância", diz a mãe de Casillas, em declarações à revista "Crónica", suplemento do jornal espanhol "El Mundo".

No texto, vertido também na edição online, a "Cronica" conta que, em 2010, Iker Casillas afastou os pais de uma sociedade imobiliária que tinha com a família para gerir o património imobiliário, avaliado na altura em 30 milhões de euros. Abriu-se uma brecha na família.

Casillas deu cinco milhões de euros aos pais, vários imóveis e um rendimento de 9300 euros por mês durante 15 anos, a troco de um pacto de não agressão às pessoas mais próximas, a namorada, hoje mulher, Sara Carbonero, e o agente, Carlo Cutropia. Duas pessoas com quem os pais de Casillas têm uma relação "turbulenta", segundo fontes do "El Mundo".

Pai foi para o País Basco no tempo da ETA para ganhar mais dinheiro

Durante a entrevista, Mari Carmen recordou os primeiros anos de vida com o marido. José, polícia de profissão, pediu transferência para o País Basco, no final dos anos de 1970, nos tempos de grande atividade do grupo independentista basco ETA, porque os homens "guardia civil" tinham um extra no ordenado por trabalharem em zonas ameaçadas pelo terrorismo.

Conta Mari Carmen que Casillas, o guarda-redes que mais penáltis defendeu na história do Real Madrid, foi concebido "de penálti", em agosto de 1980. "Tinha 23 anos. Era muito jovem e ter um filho não estava nos meus planos", conta. Estava grávida de três meses quando casou. "Queria uma menina", mas foi mãe de um rapaz.

Íker não saía à rua com o pai no País Basco. "O meu marido era um alvo da ETA", explica Mari Carmén. Viviam num sétimo andar sem elevador. "Poupávamos quatro mil pesetas por mês".

Em Bilbao, recorda, o empregado de uma sapataria meteu pés ao caminho e adivinhou parte do futuro. Disse a Cármen que o rapaz ia ser futebolista e pediu-lhe que desse à luz na capital do País Basco, pois assim poderia jogar pelo Athlétic, que tradicionalmente não aceita jogadores que não sejam bascos.

"Decidi dar à luz em Madrid, perto da minha família, embora agora me arrependa, porque assim Íker poderia ter-se retirada no Athlétic onde o teriam acarinhado mais que em Madrid", diz Mari Carmen.

Florentino empurrou Casillas para fora do Real

Segundo os pais de Casillas, não é o Real que não gosta de Casillas. É o presidente, Florentino Pérez, que, em 2005, não queria dar a Casillas ou que dava a galáticos como Roberto Carlos ou Raul.

Em 2006, com a chegada de Ramón Calderón à presidência do Real, Casillas fez um acordo milionário, mas não houve entendimento sobre quem pagaria as comissões a Ginés Carvajal, agente do guarda-redes na ocasião.

Íker disse aos pais que, em 98% dos casos, o clube assumia essas despesas, por isso não havia motivo de preocupação. O processo arrastou-se durante seis anos, até 2012, quando Íker deu o braço a torcer. Mas já seria tarde, porque Florentino, acreditam os pais de Casillas, nunca perdoou ao jogador, empurrando-o para o F. C. Porto. "Com isto, poupou 25 milhões", acusa José Luís.

"Filho, mereces uma equipa com mais categoria", escreveu Mari Carmen, numa sms enviada a Casillas, na sexta-feira. O guarda-redes ignorou o apelo da mãe, mas fez como o pai queria: não perdoou um cêntimo ao Real Madrid para deixar o clube, "empurrado por Florentino".

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