Madrid

Cristiano Ronaldo foi ouvido em tribunal mas não falou à imprensa

Cristiano Ronaldo foi ouvido em tribunal mas não falou à imprensa

Cristiano Ronaldo "finta" jornalistas e regressa a casa sem declarações após interrogatório judicial.

Cristiano Ronaldo esteve "muito tranquilo" durante a audiência no Tribunal Superior de Justiça de Madrid, onde, durante uma hora e meia, prestou declarações por suspeitas de ter defraudado o fisco espanhol em 14,7 milhões de euros entre 2011 e 2014. Segundo os seus assessores, esteve várias semanas a preparar a sua declaração e chegou ao tribunal disposto a responder a todas as perguntas.

Centenas de jornalistas concentraram-se no tribunal logo pelas 7 horas. Cristiano Ronaldo chegou pelas 10.13 horas em Portugal Continental. Entrou pela garagem, de carro, enquanto os seus advogados entraram pela porta da frente do tribunal. Durante 60 minutos foi ouvido na qualidade de suspeito e prescindiu de ter um intérprete a seu lado, tendo respondido em espanhol às perguntas que os representantes do Ministério Público lhe fizeram.

Inicialmente, estava previsto que, no final da audiência, Cristiano Ronaldo lê-se uma declaração à imprensa, mas tal não veio a acontecer, originado muitos protestos entre as centenas de jornalistas que aguardavam por uma imagem e uma palavra do "astro" português. O jogador saiu do tribunal pelo mesmo portão por onde tinha entrado, de carro, e regressou a casa sem prestar qualquer esclarecimento à comunicação social. Apenas Inaki Torres, de Gestifute de Jorge Mendes, se dirigiu ao púlpito instalado no exterior do tribunal para informar os jornalistas de que Cristiano Ronaldo iria enviar um comunicado às redações.

O internacional português foi ouvido pela juíza Mónica Gomez, do tribunal de primeira instância de Pozuelo de Alarcón. Segundo fonte do tribunal, a declaração de Cristiano Ronaldo foi feita ainda em fase de instrução do processo, "em qualidade de suspeito", e na sequência das diligências abertas depois de o Ministério Público espanhol ter denunciado alegados delitos cometidos pelo jogador, entre 2011 e 2014.

Só depois desta audição é que o Ministério Público decidirá se avança com a acusação e qual a pena que irá pedir.

Cristiano Ronaldo é acusado de ter, de forma "consciente", criado empresas na Irlanda e nas Ilhas Virgens britânicas, para defraudar o fisco espanhol em 14.768.897 euros, cometendo quatro delitos contra os cofres do Estado espanhol, entre 2011 e 2014.

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Em causa estão valores de 1,39 milhões em 2011, mais 1,66 milhões em 2012, a que se juntam 3,2 milhões em 2013 e 8,5 milhões em 2014.

Na base da acusação estão os direitos de imagem do jogador português, ao serviço do Real Madrid desde 2009, e que, desde 01 de janeiro de 2010, é considerado residente fiscal em Espanha.

Segundo fontes que seguem o processo, o escritório de advocacia que representa Ronaldo, Baker & Mckenzie, defende que há uma dualidade de critérios sobre a forma de valorizar os direitos de imagem do jogador em Espanha.

A empresa argumenta que os direitos de imagem são anúncios e eventos realizados por companhias que difundem a sua imagem fora de Espanha e não devem ser abrangidos pelo país em que reside neste momento.

Depois de Lionel Messi e Javier Mascherano, condenados em 2016 por fraude ao fisco espanhol, parece que a justiça espanhola se está a concentrar nos, atuais e antigos, jogadores do Real Madrid.

Cristiano Ronaldo, Angel di Maria, José Mourinho (treinador) e Fabio Coentrão estão a ser investigados, assim como o agente português Jorge Mendes, que em finais de junho também respondeu ao juiz no tribunal de Pozuelo, o mesmo que está a instruir o processo de Ronaldo.

A obrigação de se apresentar no tribunal fez com que Ronaldo tivesse falhado o primeiro clássico espanhol da época, entre a sua equipa, o Real de Madrid e o Futebol Clube de Barcelona, ganho pela equipa catalã em Miami (Estados Unidos) por 3-2.

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