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'Champions': F. C. Porto com fé nos "quartos"

'Champions': F. C. Porto com fé nos "quartos"

O F.C. Porto está a um pequeno passo de derrubar um mito e garantir a presença nos "quartos" da Liga dos Campeões. Desde 2004 que vê o objectivo fugir das mãos, mas só tem de agarrar o Atlético para voltar a fazer história.

Nos últimos dez anos, só por duas vezes o F. C. Porto ultrapassou a fronteira dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, o que simboliza bem as dificuldades de uma prova de coeficiente elevado. Primeiro pela mão de Fernando Santos, em 1999/00, depois pelo cunho de José Mourinho, em 2003/04, na gloriosa caminhada de Gelsenkirchen. Pela terceira vez consecutiva, Jesualdo Ferreira tem a oportunidade de levar os azuis e brancos até aos quartos-de-final e derrubar o mito: "Esperamos passar e ter esse sentimento de satisfação. Não há jogadores nem treinadores que sejam muito bons sem títulos. São os objectivos perseguidos e atingidos que dão qualidade a uma carreira".

Agora, o quadro é mais favorável do que quando a equipa encravou diante do Chelsea e caiu frente ao Schalke 04, no desempate das grandes penalidades. O F. C. Porto empatou a dois golos no terreno do Atlético de Madrid e hoje só tem de saber gerir essa vantagem com inteligência para integrar a elite das oito melhores equipas europeias. Essa foi uma das ideias transmitidas pelo treinador durante a conferência de Imprensa, marcada por um discurso confiante e revelador de como o adversário está bem estudado: "É um jogo à nossa medida".

Há mais dados a favor do F. C. Porto. No histórico de oito jogos europeus, só por uma vez o dragão foi eliminado, em casa, depois de empatar, fora, na primeira mão, o que mostra como a equipa tem o quadro genético necessário para saber impor a experiência nos momentos-chave. "Este é um jogo em que se disputa a diferença de golos, o que nos vai obrigar a ser pacientes, muito inteligentes e a ter grande controlo emocional. Vai ser um jogo muito táctico", resume Jesualdo Ferreira, que também sabe entrar em duelos psicológicos: "O Atlético deve vir com a ideia de que ganhar é a única forma que tem de seguir em frente, mas, muitas vezes, as ideias que temos não se concretizam".

Há ainda outro aspecto a ter em conta: os "colchoneros" nunca venceram um jogo em Portugal (empate com o F. C. Porto, derrotas com o Boavista e Guimarães), mas também é verdade que a equipa espanhola ainda não perdeu na actual edição da Champions. "Do ponto de vista táctico, temos boas condições para controlar o jogo e para poder ganhá-lo. Sabemos do valor do adversário, mas estamos muito confiantes no que podemos fazer e vamos fazer. Por isso, num jogo destes, não é muito relevante pensar no que o adversário vai fazer", adiantou o treinador, consciente de que a equipa está formatada para a vitória apesar do empate, por menos de dois golos, também servir os seus interesses: "Não temos a obrigação de ganhar, mas não vamos com a ideia de não ganhar. Não faz sentido ser diferente neste jogo. Sabemos os problemas que temos de colocar e o que temos de fazer para passar a eliminatória".

Mas as soluções do F. C. Porto não passam só pela mecânica da equipa, também se sustentam no apoio emanado pela massa associativa: "Se queremos todos passar, é importante que o estádio esteja cheio. Pelo apoio que nos vai dar, pela pressão que vai colocar no adversário, o público vai ser decisivo", diz Jesualdo Ferreira, que continua a confiar em Helton, guarda-redes que sofreu um golo infeliz diante do Leixões: "Não retira a confiança que tenho nele. Espero que esteja em pleno para nos ajudar a ganhar". Porém, o sabor da vitória será breve. "No F. C. Porto, o gosto das vitórias é muito curto, é como aquelas pastilhas elásticas que perdem o sabor depressa, porque, logo a seguir, há outra vitória para conquistar".

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