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Clima instável: há 12 trocas de treinador por época em Portugal

Clima instável: há 12 trocas de treinador por época em Portugal

O despedimento de treinadores é um tema recorrente em Portugal. Só este ano, já houve onze trocas no comando técnico das equipas da liga portuguesa e pode haver recorde histórico. O que explica esta instabilidade?

Todos os anos há uma série de despedimentos dos técnicos da Primeira Liga durante a época desportiva, facto que não é compreendido pelos adeptos de um modo geral. Há um clima de instabilidade no que toca às decisões de presidentes e dirigentes neste aspeto e este ano não foi exceção. À porta da 15ª jornada, já houve onze trocas de treinadores, o que indicia um recorde máximo da década. Nos últimos dez anos, há em média uma troca de doze técnicos por temporada, números assombrantes em comparação com as principais ligas europeias.

O caso mais recente é o de Ricardo Sá Pinto, no S. C. Braga, que apesar de se encontrar no oitavo posto da tabela classificativa, terminou a fase de grupos da Liga Europa em primeiro lugar do grupo sem derrotas e com o melhor ataque da competição até ao momento - 15 golos marcados. A notícia do despedimento de Sá Pinto veio dar seguimento às de uns dias antes, quando o Boavista e o Moreirense acordaram a rescisão de contrato com os técnicos Lito Vidigal e Vítor Campelos, respetivamente.

O Boavista estava em 9.º lugar no campeonato, no momento do despedimento de Vidigal, apenas uma posição atrás da melhor alcançada desde que os axadrezados regressaram à primeira divisão.

Vítor Campelos, despedido na mesma semana, realizava o segundo melhor arranque do Moreirense na história do clube na I Liga. Além destes, foram também despedidos em setembro três treinadores no espaço de três dias - Marcel Keizer do Sporting, Silas do Belenenses e Filó do Paços de Ferreira - o que levou o presidente da associação de classe dos técnicos, José Pereira, a comentar o incidente:

"Temos equipas que à terceira jornada têm três vitórias e depois descem de divisão ou equipas que à terceira jornada não têm pontos
e acabam a qualificar-se para a Europa. É preciso mais lucidez e calma na resolução destes problemas. Mas as pessoas não têm estofo e estatuto para aguentar estas situações."

Os outros treinadores a abandonarem os clubes na presente época foram Augusto Inácio, do CD Aves, Sandro Mendes, do V. Setúbal, Nuno Manta Santos, do Marítimo e os interinos Leonel Pontes (Sporting) e Meyong Zé (Vit. Setúbal). Estes dois últimos, embora tenham sido opção temporária, também contam como alteração no comando técnico.

Geralmente, os substitutos são técnicos que já passaram por outros clubes da liga portuguesa, o que dá a entender a presença de um ciclo: treinam as equipas, são despedidos, mostram-se livres quando há uma vaga e ocupam-na com tempo contado até ao próximo despedimento.

2018/2019: José Peseiro (Sporting), Tiago Fernandes (Sporting - interino), Claúdio Braga (Marítimo), Daniel Ramos (Chaves), José Gomes (Rio Ave), Augusto Gama (Rio Ave - interino), Rui Vitória (Benfica), José Mota (Aves), Lito Vidigal (Vit. Setúbal), Jorge Simão (Boavista), Nuno Manta Santos (Feirense), Tiago Fernandes (Chaves);

2017/2018: 1Miguel Leal (Boavista), Ricardo Soares (Aves), Pedro Emanuel (Estoril), Vasco Seabra (Paços Ferreira), Manuel Machado (Moreirense), Lito Vidigal (Aves), Petit (Paços Ferreira), Domingos Paciência (Belenenses), Sérgio Vieira (Moreirense), Pedro Martins (Vit. Guimarães) e Vítor Campelos (Vit. Guimarães - interino);

2016/2017: PC Gusmão (Marítimo), Erwin Sánchez (Boavista), Julio Velásquez (Belenenses), Nuno Capucho (Rio Ave), Pepa (Moreirense), Carlos Pinto (Paços Ferreira), Fabiano Soares (Estoril), José Peseiro (Braga), Jorge Simão (Chaves), José Mota (Feirense), Manuel Machado (Nacional), Petit (Tondela), Lito Vidigal (Arouca), Pedro Gómez Carmona (Estoril), Augusto Inácio (Moreirense), Predrag Jokanovic (Nacional), Manuel Machado (Arouca), Quim Machado (Belenenses) e Jorge Simão (Braga);

2015/2016: José Viterbo (Académica), Armando Evangelista (Vit. Guimarães), Vítor Paneira (Tondela), Petit (Boavista), Rui Bento (Tondela), Ricardo Sá Pinto (Belenenses), Julen Lopetegui (F.C. Porto), Ivo Vieira (Marítimo) e Rui Barros (F.C. Porto - interino);

2014/2015: João de Deus (Gil Vicente), Ricardo Chéu (Penafiel), Domingos Paciência (Vit. Setúbal), Paulo Sérgio (Académica), Leonel Pontes (Marítimo), José Couceiro (Estoril), Rui Quinta (Penafiel) e Lito Vidigal (Belenenses);

2013/2014: Mitchell van der Gaag (Belenenses), José Mota (Vit. Setúbal), Abel Xavier (Olhanense), Costinha (Paços Ferreira), Paulo Alves (Olhanense), Jesualdo Ferreira (Braga), Henrique Calisto (Paços Ferreira), Paulo Fonseca (F.C. Porto), Marco Paulo (Belenenses - interino) e Luís Castro (F.C. Porto - interino);

2012/2013: Ricardo Sá Pinto (Sporting), Pedro Caixinha (Nacional), Oceano Cruz (Sporting - interino), Frank Vercauteren (Sporting), Sérgio Conceição (Olhanense), Casquilha (Moreirense), Ulisses Morais (Beira-Mar), Pedro Emanuel (Académica), Manuel Cajuda (Olhanense) e Augusto Inácio (Moreirense);

2011/2012: 1Manuel Machado (Vit. Guimarães), Basílio Marques (Vit. Guimarães - interino), Rui Vitória (Paços Ferreira), Pedro Caixinha (União Leiria), Vítor Pontes (União Leiria), Ivo Vieira (Nacional), Luís Miguel (Paços Ferreira), Daúto Faquirá (Olhanense), Domingos Paciência (Sporting), Bruno Ribeiro (Vit. Setúbal), Rui Bento (Beira-Mar), Manuel Cajuda (União Leiria) e Quim Machado (Feirense);

2010/2011: Mitchell van der Gaag (Marítimo), Victor Zvunka (Naval), Fernando Mira (Naval - interino), Rogério Gonçalves (Naval), Litos (Portimonense), Jorge Costa (Académica), Fernando Mira (Naval - interino), José Guilherme (Académica), Paulo Sérgio (Sporting), Leonardo Jardim (Beira-Mar), Alberto Cabral (Sporting - interino), Manuel Fernandes (Vit. Setúbal) e Predrag Jokanovic (Nacional).

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