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Clubes do Campeonato de Portugal contestam por desistentes não serem despromovidos

Clubes do Campeonato de Portugal contestam por desistentes não serem despromovidos

A homologação das classificações da primeira fase do Campeonato de Portugal de 2020/2021 prevista pela Federação Portugal de Futebol está a ser bastante contestada por 25 clubes participantes, por a considerarem "uma injustiça gritante" pois pode conduzi-los à descida aos distritais.

Num comunicado conjunto, intitulado "O campeonato da mentira e o assalto da 'super distrital'", os presidentes do Pedras Rubras, Águeda, Coimbrões, Lourinhanense, Águia Vimioso, Cerveira, Bragança, Vidago, Brito, Mondinense, Beira-Mar, Lusitano Vildemoinhos, Carapinheirense, Vila Cortez do Mondego, Alcains, Mortágua, 1º Dezembro, U. Almeirim, Fabril Barreiro, Oriental de Lisboa, Olímpico Montijo, Belenenses SAD B, Lusiano de Évora SAD, Aljustrelense e Moura, anunciaram que "vão encetar um conjunto de medidas de luta para defender os interesses dos seus clubes e a reposição da verdade desportiva".

"Por força dos efeitos conjugados da atual situação pandémica provocada pelo vírus SARS COV 2 e das alterações regulamentares implementadas pela Federação Portuguesa de Futebol, durante o decurso da presente época desportiva, nomeadamente com o aditamento do artigo 11º A ao Regulamento do Campeonato, veem-se na contingência de serem despromovidos aos Campeonatos Distritais", avançam os dirigentes, que pretendem "evitar a homologação das respetivas classificações da forma atualmente prevista pela FPF".

"A Federação Portuguesa de Futebol no decurso da presente época desportiva, nomeadamente em 8 de janeiro de 2021, aditou ao regulamento do campeonato de Portugal o artigo 11º A, que veio permitir a meio da época, a desistência dos clubes nas seguintes condições: O clube que, encontrando-se a disputar a primeira volta da primeira fase da prova seja impedido de participar por imposição administrativa ou legal decretada por mais de 60 dias interruptos, relacionada com a emergência de saúde publica ocasionada pela doença COVID 19 pode desistir da mesma, considerando-se tal desistência justificada; O Clube desistente perde os pontos conquistados, passando a constar na tabela classificativa, até final da competição com zero pontos; Os resultados dos jogos disputados pelo clube desistente, não são considerados para efeitos de classificação dos restantes clubes; Nos casos previstos no presente artigo fica excluída a responsabilidade disciplinar do clube desistente, designadamente a prevista no artigo 67º do Regulamento Disciplinar da Federação portuguesa de Futebol", enumera o comunicado, esclarecendo que tal "alteração ao Regulamento veio criar um fosso de injustiça que encobre de forma grave a verdade desportiva e a integridade da competição".

Segundo os 25 presidentes salientam que se esta alteração não for repensada, "vai permitir clamorosamente a manutenção dos clubes desistentes no Campeonato de Portugal, sem nunca terem jogado e cumprido as suas obrigações, designadamente as obrigações salariais e penalizar os clubes que disputaram e salvaram o Campeonato e a competição, jogando todos os jogos, e cumprindo o respetivo calendário, à custa do seu esforço financeiro".

"Na verdade, para além daquele esforço financeiro, os clubes que optaram estoicamente por permanecer na competição, em vez de desistir, viram-se por força daquela alteração somada às consequências do vírus SARS COV 2, a jogar muitas das vezes em condições extremamente difíceis para as suas condições logísticas, jogando muitas vezes 2 e 3 vezes por semana em horários muitas vezes incompatíveis com a disponibilidade dos seus atletas - a maioria deles amadores", realçam no comunicado, acrescentando: "Estas condições colocaram grande parte dos clubes, nomeadamente os aqui subscritores num plano de desigualdade competitiva, que desvirtuou por completo a integridade da competição e a verdade desportiva, ou seja, quem permaneceu no campeonato correu o risco da descida e quem desistiu salvaguardou a sua manutenção".

Os clubes contestatários anotam que "a manter-se a prerrogativa concedida pela Federação aos clubes desistentes, penalizará de forma grave os clubes que asseguraram a manutenção da competição e que agora se veem na contingência de baixar aos distritais, sendo por isso este o campeonato da mentira".

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"Por outro lado, vamos assistir, à subida de clubes provenientes dos respetivos distritais, sendo que a maior parte das competições distritais não se disputaram, porque foram interrompidas até janeiro, prevendo-se que apenas algumas delas terminem os seus campeonatos com meia dúzia de clubes e que as Associações de Futebol nomeiem ou sorteiem subidas sem terem 50% do campeonato Distrital realizado, e sem provocar descidas nos mesmos, pervertendo a verdade e a justiça desportiva e financeira entre o Campeonato de Portugal e o Distrital", continuam os 25 presidentes, frisando que irão "lutar até às últimas consequências pela reposição da verdade desportiva".

Uma das primeiras medidas a tomar será a interpelação da FPF e de todas as instituições desportivas e institucionais, "manifestando a sua posição de não estarem disponíveis para aceitarem aquelas alterações regulamentares e as consequências graves que as mesmas causarão aos Clubes".

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