"Irregularidades diversas"

CMVM investiga infrações com ações da SAD do Benfica

CMVM investiga infrações com ações da SAD do Benfica

A CMVM emitiu, esta segunda-feira, um novo comunicado sobre a SAD do Benfica no qual deixa avisos aos investidores e à SAD encarnada e garante estar a fazer investigações a infrações em torno das ações.

"Os eventos das últimas semanas evidenciam infrações passíveis de fazer perigar a integridade do funcionamento do mercado de capitais e a proteção dos investidores, nomeadamente na divulgação de informação ao mercado e de abuso de informação, as quais continuarão a ser investigadas", pode ler-se na nota divulgada.

A CMVM garante ainda que está a efetuar todas as diligências, depois de se "terem tornado do conhecimento público indícios de irregularidades diversas", as quais "continuarão a ser investigadas".

"Nestes termos, e sem prejuízo da apreciação da relevância infracional da conduta das partes envolvidas nos recentes eventos, a CMVM continuará a acompanhar a evolução de qualquer aspeto do qual possa resultar a necessidade de prestação de informação adicional ao mercado, com intuito de zelar pela integridade do funcionamento do mercado de capitais, em defesa dos investidores".

O comunicado relembra ainda que a entidade fez uma intervenção no processo de subscrição de obrigações do Benfica, que está em curso, no sentido de aprovar uma adenda ao prospeto da operação. A CMVM quis melhorar a informação disponibilizada ao mercado, que antes não correspondia "às exigências de qualidade de informação aplicáveis, depois de minimamente estabilizadas as implicações imediatas" dos indícios "de irregularidades diversas, suscetíveis de afetar a Sport Lisboa e Benfica - Futebol SAD (Benfica SAD), de impactar o seu governo societário e de criar opacidade sobre a composição da sua estrutura acionista".

"A CMVM diligenciou por isso no sentido de que as partes interessadas assegurassem a disponibilização ao mercado de toda a informação relevante de que tivessem conhecimento, com vista a garantir condições mínimas de negociabilidade dos valores mobiliários", sublinhou.

Com isto, relembra que "os investidores devem ponderar adequadamente, perante a informação constante do prospeto e da adenda, a oportunidade de investimento oferecida, bem como a sua disponibilidade para suportar, num cenário adverso, os riscos inerentes a esta oferta, como, de resto, em qualquer outro investimento".

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Luís Filipe Vieira foi um dos quatro detidos numa investigação que envolve negócios e financiamentos superiores a 100 milhões de euros, com prejuízos para o Estado, SAD do clube e Novo Banco.

O agora ex-presidente do Benfica está em prisão domiciliária até à prestação de uma caução de três milhões de euros e proibido de sair do país, além de estar indiciado por abuso de confiança, burla qualificada, falsificação de documentos, branqueamento de capitais, fraude fiscal e abuso de informação.

Segundo o Ministério Público, o empresário provocou prejuízos ao Novo Banco de, pelo menos, 45,6 milhões de euros, compensados pelo Fundo de Resolução.

No mesmo processo, denominado 'Cartão Vermelho', foram detidos, para primeiro interrogatório judicial, o seu filho Tiago Vieira, o agente de futebol e advogado Bruno Macedo e o empresário José António dos Santos, todos indiciados por burla, falsificação de documentos, branqueamento de capitais e fraude fiscal.

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